sábado, 28 de julho de 2012

Resenha: Batman Contra o Capuz Vermelho | Animação (2010)



Adoro animações tradicionais, apesar das evoluções tecnológicas na área visual dos desenhos atuais. Aprecio mais ainda quando me deparo com uma animação feita para crianças que me agrada da mesma forma, mesmo sendo voltada para os baixinhos. Os filmes de animação hoje em dia, que são exibidos nos cinemas tem um apelo visual e narrativo com foco dividido, entre várias faixas etárias diferentes na mesma plateia. Sempre deixando alguns furos por terem que agradar um público diversificado ao mesmo tempo. A trama de “Batman contra o Capuz Vermelho” (Batman Under the Red Hood, 2010) se passa cinco anos após a morte de Robin, que desencadeia o surgimento de um novo justiceiro nas ruas de Gotham, porém inescrupuloso e incapaz de medir esforços em sua busca incessante por justiça. Pode até ter boas intenções, mas seus métodos acabam por condená-lo. A trama destaca um trabalho apurado na manufatura dos traumas psicológicos do protagonista e inclusive na psicopatia do Coringa.

Essa animação é muito bem produzida e conduzida, tendo efeitos visuais bem elaborados – com cenas de ação ágeis e lutas bem coreografadas – que em conjunto com efeitos sonoros bacanas e uma trilha sonora sombria e adequada, cria uma atmosfera apropriada ao personagem mais ameaçador dos HQs. Como animação de entretenimento funciona bem, atribuído pelo conjunto refinado. Não há material de encher linguiça para fazer hora extra. Como suspense funcionaria melhor, se os mistérios do vilão fossem segurados até um ponto onde poderia ser criado um clímax mais contundente. Não ficaria uma animação tão superficial com o mero intuito de entreter simplesmente, e sim marcar uma relevante presença na imensa variedade de animações sobre o herói mascarado de Gotham City.
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quarta-feira, 25 de julho de 2012

Crítica: Constantine | Um Filme de Francis Lawrence (2005)



O personagem John Constantine, criação do genial Alan Moore, teve sua primeira aparição como personagem secundário na série dos anos 80 chamada “Monstro do Pântano”, inserido de forma experimental com o propósito da criação de mudanças expressivas no formato de gibis mainstream para o público adulto. Com um inusitado sucesso de seus contos, John Constantine ganhou um título próprio chamado HellBlazer  publicado pelo selo da Vertigo – selo adulto da DC Comics – e a devida atenção de roteiristas como James Delano e Garth Ennis, que delinearam sua personalidade. Assim Constantine passava a ter passado, motivações e uma inserção mais profunda em um universo repleto de conceituações bíblicas, que oscilavam entre céu e inferno, anjos e demônios e por fim, sobre Deus e o Diabo. Personagem inglês e sarcástico, de cabelos loiros e sobretudo surrado, cujo hábito de fumar constantemente tornou-se sua marca registrada, sua transposição para película não lembra em nada suas origens. Mas apesar das distorções adotadas para o filme, Francis Lawrence nos apresenta um personagem fascinante bem familiarizado com o mundo sobrenatural. 

O filme "Constantine" (Constantine, 2005), onde John Constantine (Keanu Reeves), atormentado por um dom de enxergar as criaturas do céu e do inferno que caminham sobre a Terra – que influenciam a humanidade indiretamente – descobre estar com câncer causado pelo seu vício, no momento que pressente o inicio de uma conspiração liderada pelo filho do Diabo. Nesse plano arquitetado nas sombras, uma peça crucial nesse jogo é a policial Ângela (Rachel Weisz), que procura se aproximar de Constantine após o inexplicável suicídio de sua irmã. Entre o fatal diagnóstico e a confirmação de seus pressentimentos, Constantine corre contra o tempo para impedir que o inferno tome as rédeas do futuro da humanidade.


Keanu Reeves, deixando a pinta de galã de lado, interpreta uma espécie de anti-herói, que se dispõe a fazer o que é certo, desde que possa ajudá-lo a resolver seus próprios problemas. Após uma tentativa de suicídio cometida na adolescência, tem a certeza que o inferno o espera, e por isso faz de tudo para poder comprar sua absolvição. Antipático e nada sociável, seu círculo de amigos é minimalista, tendo uma espécie de fiel escudeiro no personagem Chas Chandler (Shia LaBeouf), um informante e hábil armamentista em Beeman (Max Baker) e uma amizade nostálgica no guru Papa Meia-Noite (Djimon Hounsou), detentor imparcial dos segredos que rondam entre o Céu, a Terra e o Inferno. Apesar de estar correlacionado com o majestoso Arcanjo Gabriel (Tilda Swinton) e bem familiarizado com o anseio delirante de Lúcifer (Peter Stormare) por sua morte, Constantine não se vê intimidado mesmo diante do Diabo.

Todo o elenco está perfeito, como também o roteiro inquietante de Kevin Brodbin que proporciona passagens inspiradoras, como quando Constantine tenta negociar o adiamento do inevitável com Gabriel tocando em pontos delicados a respeito de fé e redenção. Uma ambientação visualmente rica, deixando de lado as paisagens lógicas de Los Angeles e criando uma atmosfera única em uma cidade já milhares de vezes retratada. A chuva é incessante no plano terreno e a transposição da cidade para o plano infernal, é de uma originalidade inédita, com as casas e edifícios sendo varridos numa atmosfera caótica, tendo sob as ruas as almas dos condenados em pleno sofrimento por toda a eternidade.


Francis Lawrence, um experiente criador de clipes, estreia bem comandando esse longa, e demonstra claramente sua capacidade de dominar o formato cinematográfico com a mesma destreza que fez fama na confecção de vídeos musicais de bandas de destaque como Black Eye Peas. O filme "Constantine" é um exemplo de uma adaptação elegante, que mesmo descartando o material mais consistente de suas origens, se fez relevante dentro da filmografia de seus envolvidos. Apesar das comparações com o mundo virtual de Matrix, o universo sobrenatural de Constantine – onde ambos os protagonistas veem coisas além do que nós podemos enxergar – todo o resto se diferencia, sendo a única similaridade dos projetos.

Nota: 8,5/10
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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Crítica: 30 Dias de Noite | Um Filme de David Slade (2007)


Baseado em uma graphic novel de Steve Niles e Ben Templesmith, sua história foi concebida para virar roteiro de cinema, mas devido ao fato que Niles era um completo desconhecido no meio cinematográfico, preferiu lançá-la em quadrinhos. Depois de algum tempo, sua minissérie já estava sendo disputada por vários estúdios para ser filmada, quando caiu nas mãos de Sam Raimi que produziu brilhantemente o tão esperado filme que dispensa o romantismo que cerca essas criaturas da escuridão. A história de "30 Dias de Noite" (30 Days of Night, 2007), se passa entre 18 de novembro e 17 de dezembro, em uma isolada cidadezinha chamada Barrow, localizada no Alaska. Essa região tem como característica geográfica, passar um mês sem o menor resquício de sol – o que justifica o nome dado ao filme. Aproveitando a certeza das noites interruptas, um grupo de vampiros invade a cidade dispostos a fazer uma chacina. Entretanto alguns moradores, liderados por casal de xerifes chamados Eben Olemaun (Josh Hartnett) e Stella Olemaun (Melissa George) tentam a todo custo se manterem vivos até que o sol volte a brilhar novamente.

Com uma trama original abordada de forma sinistra, à história foi feita sob medida para virar filme. A revista tem um potencial de um storyboard, transposta para a película sem distorções e preservando a violência explicita deixando qualquer traço de elegância de lado em nome de fãs do gênero que adoram uma carnificina banhada a sangue. Tanto os heróis como o vilão estão ótimos, deixando o filme em perfeita sintonia. Ben Foster – sempre marcante em cena – poderia ter se prolongado mais como o mensageiro da morte em tela. Mas o verdadeiro vilão, o vampiro Marlow (Danny Huston) traz a verdadeira convicção de um assassino em massa, nos poupando de esclarecimentos que justifiquem seus atos. A trama foi bem conduzida por David Slade, quando optou por uma narrativa fiel as suas origens com uma direção de fotografia belíssima de Jo Willems, ao mesmo tempo bem antenada com o formato cinematográfico que foca as ações dos ímpetos vampiros com ênfase e brutalidade, e as reações humanas diante do inevitável horror sem poupar o público da desleal luta pela sobrevivência. "30 Dias de Noite" é um filme que dispensa lirismos e enfatiza uma natureza brutal que agrada um espectador diferente daqueles que entopem os cinemas quando sai um novo episódio da série Crepúsculo. 

Nota:  7,5/10
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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Crítica: O Corvo | Um Filme de James McTeigue (2012)




Apesar de ter simpatizado com o filme “Ninja Assassino”, dirigido por James McTeigue, seu grande acerto ainda consiste em “V de Vingança”. Agora seguindo a tendência de recriar personagens históricos em circunstâncias mirabolantes como ocorre em “Sherlock Holmes”, o diretor tenta conduzir uma trama de suspense utilizando como personagem principal o escritor Edgar Alan Poe. O filme de premissa interessante e um visual arrojado chamado "O Corvo"(The Raven, 2012), não sustenta uma trama a altura da expectativa do espectador voraz por originalidade e mistério, como os que rondam sobre a trajetória e obra do autor. Em sua trama acompanhamos Edgar Alan Poe (John Cusack) auxilia um detetive (Luke Evans) na caçada por um assassino em série que se utiliza dos contos do autor como inspiração para cometer seus assassinatos. Para a surpresa de Poe, sua amada Emily (Alice Eve) toma parte do plano doentio do criminoso. Assim o detetive e o autor correm contra o tempo para capturar o assassino antes que ele faça de Emily mais uma vítima de seu sinistro plano.


O roteiro de Ben Livingston e Hannah Shakespeare se torna fraco e carregado de referências cinematográficas consagradas (Sherlock Holmes, Seven e Jogos Mortais), diálogos excessivamente solenizados, desprovido de originalidade e personagens convincentes. Apesar de interessante a ideia de usar os contos do autor como inspiração para assassinato, parece que foi dado somente valor exagerado às cenas mórbidas descritos nos textos – apesar de vitais – e descartado todo resto sem uma avaliação de seu valor narrativo dentro do roteiro. A direção de McTeigue não se torna relevante por ele fracassar na definição do rumo que o longa deve caminhar, apenas flertando com as referências citadas anteriormente. Sua capacidade de direção sempre foi questionada envolvendo seus filmes, tanto que em certos círculos, afirma-se que seu maior sucesso foi atribuído aos produtores Larry e Andy Wachowski, que na verdade inclusive teriam dirigido maior parte do filme.  

O ator John Cusack faz tempo que não emplaca um sucesso significativo. Apesar das semelhanças físicas com o autor, sua interpretação carregada e caricata não vai tirá-lo do limbo de forma alguma. Mas sua atuação frustrante, não corre solta, porque o restante do elenco também não impressiona ninguém. O ponto alto de "O Corvo" fica a cargo da produção de arte e da ambientação perfeitamente delineada – cenários grandiosos e figurinos de época de belo acabamento fazendo valer o pequeno orçamento da produção que girou em volta de U$$ 26 milhões – baixo para um longa desse nível de produção. O visual bem antenado e definido com uma fotografia esplêndida que enriquece, mas não tira o filme de um prejuízo por completo. 

Nota: 6/10
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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Crítica: Crítica: X-Men Origins – Wolverine | Um Filme de Gavin Hood (2008)



Depois do sucesso inegável da série X-Men nos cinemas, a coisa mais óbvia para os estúdios era pegar o personagem mais popular da franquia e fazer um filme solo dele. Não vamos culpar a Marvel de tentar ganhar mais com o mesmo. Antes de qualquer coisa, tudo que gira em volta das transposições cinematográficas de conhecidos personagens de HQs é feito com a intenção de gerar lucro. Apenas isso. Não podemos como fãs esperar outra coisa dos responsáveis, como melhorias em algo que funcionava muito bem sem a ajuda de Hollywood. O problema é que depois dos dois primeiros filmes dirigidos por Brian Singer os fãs, e inclusive eu, criaram em seu imaginário as milhares de possibilidades para o personagem que infelizmente não se concretizaram em sua totalidade. 


O personagem também conhecido como Logan é canadense, de temperamento irritadiço, cuja capacidade de regenerar é instantânea e que retarda o processo de envelhecimento de seu corpo. Seu esqueleto é recoberto por adamantium, um metal de natureza fictícia, inventado por seus criadores, que o torna indestrutível, e mortal quando usa suas garras que saem instantaneamente de suas mãos de acordo com sua vontade. Apesar de não ter lembranças de seu passado anterior à inserção cirúrgica do adamantium, os mistérios de suas origens foram sendo reveladas em uma fabulosa minissérie em quadrinhos chamada Origin, que passou a esclarecer vários detalhes do passado do personagem.

O filme "X-Men Origins – Wolverine" (X-Men Origins – Wolverine, 2008) é focado justamente a partir da minissérie “Origin”, mostrando Logan (Hugh Jackman) ainda quando criança, ao lado de seu meio-irmão Victor Creed (Liev Schreiber) que posteriormente ficou conhecido como “Dentes de Sabre”. Atravessando décadas em guerras, matando e morrendo, ressuscitaram até caírem nas graças de William Striker (Danny Huston) que os recrutou para uma divisão especial composta por soldados incomuns – todos mutantes com poderes diferentes. Logan deserta devido aos assassinatos inadmissíveis cometidos pelo grupo e se afasta da violência até o momento que ele é novamente recrutado para impedir que Dentes de Sabre - segundo Striker, que se encontra enlouquecido e descontrolado – continue a matar antigos membros do grupo de soldados especiais. Striker insere em seu corpo o tal adamantium onde é revelado as verdadeiras intenções dele na experiência, causando a fuga de Wolverine. 

Se houve alguma intenção de fazer um filme destacando prioritariamente o papel do personagem título, essa ideia foi por água abaixo, a partir do momento em que começa a desfilar uma infinidade de outros personagens da Marvel (Wraith, Blob, Gambit, White Queen, Silverfox, Ciclops entre outros) estragando uma boa premissa e a esperança dos fãs – de Wolverine – de ter um filme a altura do ícone. O personagem Wolverine tem material bom e de sobra para segurar uma trama cinematográfica sozinho. Assim se repete um equivoco cometido em “X-Men – O Confronto Final”, tonteando o espectador com uma variedade exaustiva de personagens, meramente com a intenção de agradar todos os seguidores do formato em quadrinhos.


Apesar de nutrir certo carisma pelo personagem “Gambit”, sua presença foi um pouco desnecessária dentro da trama ou apenas mal transposta. Não é crime que nos percalços de sua trajetória, Wolverine cruze com futuros colegas do X-Men, porém deveria se ter mais cuidado com a elaboração dessa coincidência. Por isso um dos maiores defeitos da produção ficam por conta do roteiro – mal elaborado – e pelos efeitos especiais, que transparecem estar inacabados e feitos as pressas. Isso quando se demonstram desnecessários por conta da falta de coerência da trama. Mesmo com uma direção preocupada com o visual do filme (mais do que com a trama) o diretor sul africano Gavin Hood não empolga nas cenas de ação que se espalham pelo longa, exceto pela brilhante introdução. A maior decepção fica por conta do clímax, com ares de improviso, que é importantíssimo para se definir as possibilidades de uma continuação. 

Nota: 7/10
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terça-feira, 17 de julho de 2012

Aliens vs Eles Mesmos


Férias é que nem alienígenas; até acredito que existam, mas nunca vi com meus próprios olhos.

Crítica: J. Edgar | Um Filme de Clint Eastwood (2011)


Quando no passado dizia para amigos que Leonardo Di Caprio, logo depois de um tal filme em que ele dividia a cena com um navio, que ele seria uma promessa de astro que ainda renderia bons filmes, esses mesmos amigos faziam chacota com insinuações quanto minha preferência sexual. Uhmmmm! Vejo a recente filmografia do astro e percebo que minha antiga impressão converteu-se aos poucos em profecia. Às vezes nem por sua atuação necessariamente, mas pelos filmes ao qual seu nome foi vinculado. Trabalhos diversificados com diretores renomados em produções com alto padrão de qualidade. Filmes como: “Rede de Intrigas”; “Diamante de Sangue” e “Ilha do Medo”, são longas que apesar de não serem fenômenos de bilheteria, que além de tudo dividem a opinião da crítica de certa forma, são trabalhos bem antenados com os novos tempos do cinemão. Por isso esse filme sobre a biografia de um ícone do governo americano veio bem a calhar, quando caiu nas mãos de Di Caprio, que agora faz parceria com o cineasta Clint Eastwood. O ator com sua inegável credibilidade sobre o grande público, aliado ao talento de um diretor mestre da narrativa clássica de se contar histórias – e que tem sido figura certa nas indicações ao Oscar por sua desenvoltura atrás das câmeras – poderia concretizar com sucesso a transposição cinematográfica desse personagem de máxima relevância dentro da história americana.


O filme J. Edgar (J. Edgar, 2011) é uma espécie cinebiografia do chefão do FBI entre 1935 a 1972, onde acompanha de perto J. Edgar Hoover e sua ascensão na agência em meio à complicada relação que tinha com sua mãe e seus perturbadores conflitos pessoais – sua pouco comentada e presente homossexualidade até a realização desse filme. Apesar de estar longe de ser um dos melhores filmes de Clint Eastwood, está anos luz a frente de filmes da mesma temática que inundam os cinemas todos os anos. O cineasta conta a história alternando o passado do protagonista quando ainda jovem e ambicioso, ao tempo onde se encontra velho e consagrado em sua carreira. Alterna constantemente o foco de assuntos ligados ao seu trabalho entre questões pessoais que lhe causavam aflição e muitas vezes um tormento. Aos poucos os personagens ligados a sua persona foram sendo inseridos, como a secretaria e primeira pretensão amorosa de Edgar interpretada por Naomi Watts. O caso com Clyde Tolson, interpretado por Armie Hammer, cuja contratação foi resultante do interesse sentimental de Edgar ainda contido em sigilo e de pouca transparência. Aos poucos sua vida pessoal se mescla com a profissional de tal forma que é impossível criar uma ruptura.


As desvantagens desse longa ficam pelo roteiro de Dustin Lance Black (Milk – A voz da Igualdade) que derrapa em traçar a personalidade autoritária e reclusa de Edgar com sua comprimida homossexualidade de forma mais objetiva. Perde-se a ênfase de seus feitos para a importância de sua opção sexual, passando a monopolizar a maior parte do longa e deixando outros aspectos também relevantes de sua trajetória sem uma abordagem mais profunda. Sua campanha contra os gângsters foi uma apoteose dentro da história americana pouco explorada e que também renderiam pontos para essa produção. Mas as idas e vindas do roteiro quase sempre arremetiam a trama para o mesmo ponto. Sua homossexualidade. Porém um elemento imprescindível de sua personalidade bem explorado foi sua alienação diante do poder a ele delegado.  Suas metas profissionais muitas vezes se confundiam com uma obsessão psicótica pela paz diante de um eminente cataclisma. Uma guerra anunciada por ele mesmo o aterrorizava. A inserção do aspecto de seus métodos, às vezes nada ortodoxos, foi um ponto emblemático dentro de sua metodologia para conseguir atingir seus objetivos, que felizmente foi incluído. Como também sua sabedoria de como usar a informação disponível – independente da forma que foi adquirida – a seu favor, através de uma distorcida diplomacia política. O uso desse recurso em conjunto com o apoio público resultante de seus alertas de perigo, demonstrava sua capacidade de manipulação em diferentes camadas politicas – do eleitor ao presidente. Uma pequena decepção foi à caracterização dos personagens no período da velhice, com sinais evidentes de maquiagem equivocada. Enquanto Di Caprio com sérios problemas de dicção, que não mantém uma voz idosa regular e padronizada, Hammer aparece exageradamente envelhecido dando a impressão de ter muitos anos a mais do que realmente detinha. Mesmo com a produção dando ênfase explicita a opção sexual do personagem, Edgar é um filme que serve para desencadear reflexão sobre pessoas cujo poder arbitrário tem efeito direto sobre nossas vidas independente de quanto tempo possa ter passado. O passado pode ser um reflexo de nosso futuro. Os demônios dos quais nossos lideres nos protegem, podem nos expor a outros males que nem sequer eles imaginam existir, enquanto todos nós (inclusive eles) não se enxergarem no espelho.

Nota: 7,5/10




sexta-feira, 13 de julho de 2012

Bebês Tatuatos com Arte Digital por Dietrich Wegner


Calma! Não se trata de nenhuma violação dos direitos das crianças que ponha em risco sua segurança e sua saúde. O artista australiano Dietrich Wegner está expondo em seu site uma série de fotos de bebês com "tatuagens digitais"de marcas de prestigio bem conhecidas pelo consumidor. Baseado em cunho científico, onde crianças são bombardeadas com milhares de anúncios anualmente, o artista decidiu criar algo que representasse esses dados estatisticos curiosos.
Confira abaixo as imagens e prestigiem o site do artista! É no mínimo interessante.







Crítica: Ensaio sobre a Cegueira | Um Filme de Fernando Meirelles (2008)



O diretor Fernando Meirelles, com o prestígio que havia alcançado depois de dirigir sucessos de público e crítica como “Cidade de Deus”, ou projetos sensíveis como “Jardineiro Fiel” poderia ter escolhido o projeto que bem quisesse para dar continuidade à boa fase de seu trabalho. Poderia muito bem ter escolhido produções que não apresentassem risco a sua carreira. Mas ao invés de optar pelo conforto da certeza, decidiu transpor para o cinema um clássico da literatura escrito por José Saramago, cujo texto sempre foi rotulado como de difícil transposição. Assim "Ensaio sobre a Cegueira" (Blindness, 2008), cuja história é focada em personagens que sofrem de uma cegueira caracterizada pela coloração embranquecida dos olhos. A doença de origem desconhecida se alastra pela sociedade sem uma cura emergencial, onde é tomada como precaução uma medida de isolamento dos infectados. Assim todos os diagnosticados com a doença são enviados para um galpão onde são isolados do resto do mundo, e entregues a própria sorte. Nessa quarentena o grupo unido pela doença, divide-se em dois grupos, tendo de um lado o sensato e democrático, tendo Julianne Moore como porta voz, em confronto com o Gael García Bernal em liderança do ditatorial e desumano.


Diante da enfermidade o caráter dos personagens envolvidos é revelado de forma crua, filmadas em sequências indigestas, porém sem apelação. As imagens transparecem as informações necessárias para compor a atmosfera certa para o longa-metragem. Para muitos seria um filme que de tão forte, não teria a oportunidade de ser assistido na integra, tamanho o seu poder de chocar como na cena do estupro coletivo. Contudo são elementos narrativos necessários para se ter a noção exata do distúrbio psicológico que os personagens são assolados diante da catástrofe a qual foram expostos. O desfecho esperançoso é uma luz para aqueles que torcem pelos bons, que mesmo diante das adversidades do destino não perdem seu vinculo com o civilizado e a perseverança pela vida, elementos imprescindíveis com aquilo que nos diferencia de selvagens à espera de devorar uns aos outros. Decididamente não se trata de filme fácil de ver, por sua narrativa pesada e de poucas concessões. O custo da sobrevivência dos personagens se mostra alto demais para alguns espectadores, podendo ser julgado como desnecessário para outros. Mas uma coisa é certa: o envolvimento de Meirelles nesse projeto foi essencial para a redenção desse longa que por muitos era visto como uma produção de transposição. 

Nota: 8/10    
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quinta-feira, 12 de julho de 2012

Crítica: Eu, Robô | Um Filme de Alex Proyas (2004)


Apesar desse longa se apropriar do título da obra referencial de Isaac Asimov, o filme "Eu, Robô" (I, Robot, 2004), do cineasta Alex Proyas pouco tem em comum com seu texto composto por nove contos onde o autor expõe uma visão otimista da evolução de organismos cibernéticos. Assim esses contos de Asimov foram transpostos convenientemente pela indústria de Hollywood em uma trama policial de ficção cientifica recauchutada carregada de ação e muitos efeitos especiais. No entanto mistura tais elementos muito bem, dosando a ação desejada em um roteiro proporcionalmente cerebral que lhe confere certo charme.

Assim exibindo uma trama policial que se passa em 2035, a história envolve a morte de um cientista (Adrian Ricard) responsável criador do universo robótico exibido no filme. Assim o detetive Del Spooner (Will Smith), antigo conhecido da vítima e profundamente aversivo a tecnologia, passa a investigar o misterioso caso de suicídio. Com sua experiência como detetive, Spooner logo percebe haver algo errado e improvável na morte do cientista ao ligar fatos com probabilidades. Sua descoberta o leva a caçar um robô descontrolado que se auto intitula Sonny – cuja voz adotada é de Dustin Hoffman. Spooner odeia os robôs e prova para todos que eles podem cometer crimes, contrariando as três leis as quais regem o comportamento dessas máquinas. Essas leis: 1 – Um robô não pode ferir um ser humano, ou admitir por omissão que ele sofra algum mal; 2 – Onde um robô deve obedecer às ordens dadas por seres humanos, exceto quando tais ordens contrariem a Primeira Lei; 3 – Um robô deve preservar sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira e Segunda Lei. Porém aos poucos Spooner começa a perceber – com a ajuda da psicóloga interpretada por Bridget Moynahan – que a morte do cientista envolve muito mais do que um simples caso de assassinato cometido por um robô, o fazendo perceber que por trás da transparência dos fatos existe uma espécie de conspiração que ameaça a raça humana.


O protagonista dessa trama, já de início deixa claro seu ódio pelas máquinas, resultado da dor da perda de um ente querido em um acidente de carro, onde um dos robôs prestou o serviço de salvar sua vida ao invés de seu filho. O critério usado por aquele robô foi baseado em dados e expectativas de chances de vida dos socorridos, sem menor sensibilidade. Por isso o Smith faz de tudo contra essa tendência automatizada desprovida de humanidade que invade a sociedade. A presença desses organismos cibernéticos são tão comuns quantos celulares. Will Smith alterna bem seu papel sensível e preocupado com o futuro da raça humana, com o papel astro de ação ao melhor estilo Duro de Matar. Ainda mais intercalando com sua capacidade de fazer humor descompromissado que alivia a tensão da temática de alerta social. Melhor em cena do que ele mesmo, somente o robô Sonny que possivelmente é melhor revelação desse filme.

Por mais que o roteiro de Jeff Vintar e Akiva Goldsman use pouco da obra de Asimov, vários elementos originais são aproveitados com habilidade. A permanência da organização da U.S. Robotics é um exemplo disso. E como sempre os fãs de uma obra significativa desferem protestos diante de uma adaptação, toda cautela foi tomada em relação ao argumento do filme. A direção de Alex Proyas caracterizou a transposição com um visual moderno que lembra outros sucessos do gênero, porém com mais merchandising do que o espectador está habituado.


Com recursos de ponta disponíveis, Alex Proyas criou um mundo que mescla uma visão futurista fascinante com uma arquitetura real, resultante de uma produção de arte bem sintonizada com a proposta visual almejada – desfilando protótipos da Audi futuristas e facilidades modernistas ainda distantes de nossa realidade. A produção mediu tudo evitando exageros visuais desnecessários. Um destemido confronto entre homem e máquina é o combustível que movimenta a trama, sempre bem conduzida, deixando claro porque veio. Por mais que flerte com suas referencias da literatura, dando espaço para reflexões como: até que ponto sua evolução deve interferir em nossa evolução? Será que a evolução deles deva atingir ao ponto em que eles possam ter sentimentos ou sentir dor? Traços de elementos filosóficos necessários dão a profundidade da ambição desse filme, que miscigena ação com intelecto sem ficar artificial.

Nota: 7,5/10 

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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Cartazes Pictográficos | Música visual de Viktor Hertz


Confiram o trabalho do ilustrador Viktor Hertz que criou cartazes inspirados em canções de vários artistas diferentes. Super legal!






Criançada Brincado de Super Herói


Uma gama de super heróis desenhados pelo ilustrador Andy Fairhurst com crianças fantasiadas como se fossem personagens de quadrinhos. Seu trabalho está disponível em sua galeria no Deviant Art.
Brilhante!


 
 
 

Bike Conceito de Christian Grajewski


O conceito futurista de bicicleta criado pelo designer Christian Grajewski. Deixo o link para seu site repleto ilustrações e projeções futuristas, fruto de sua criatividade anos luz na frente do que estamos habituados a ver.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Posters de Filmes Famosos Vistos de uma Perspectiva Diferente


Campanha da Y&R Brasil - agência do Roberto Justus - promovendo o Home Theather com som 3D da LG. Usando pôsters de filmes famosos com perspectiva diferente, que sutilmente insinuam propor uma experiência diferenciada do que você já se conhece. Os cartazes que sofreram essa modificação - Kill Bill - Volume 1, Forrest Gump e Uma Linda Mulher- ficaram super bacanas.