sexta-feira, 13 de julho de 2012

Crítica: Ensaio sobre a Cegueira | Um Filme de Fernando Meirelles (2008)



O diretor Fernando Meirelles, com o prestígio que havia alcançado depois de dirigir sucessos de público e crítica como “Cidade de Deus”, ou projetos sensíveis como “Jardineiro Fiel” poderia ter escolhido o projeto que bem quisesse para dar continuidade à boa fase de seu trabalho. Poderia muito bem ter escolhido produções que não apresentassem risco a sua carreira. Mas ao invés de optar pelo conforto da certeza, decidiu transpor para o cinema um clássico da literatura escrito por José Saramago, cujo texto sempre foi rotulado como de difícil transposição. Assim "Ensaio sobre a Cegueira" (Blindness, 2008), cuja história é focada em personagens que sofrem de uma cegueira caracterizada pela coloração embranquecida dos olhos. A doença de origem desconhecida se alastra pela sociedade sem uma cura emergencial, onde é tomada como precaução uma medida de isolamento dos infectados. Assim todos os diagnosticados com a doença são enviados para um galpão onde são isolados do resto do mundo, e entregues a própria sorte. Nessa quarentena o grupo unido pela doença, divide-se em dois grupos, tendo de um lado o sensato e democrático, tendo Julianne Moore como porta voz, em confronto com o Gael García Bernal em liderança do ditatorial e desumano.


Diante da enfermidade o caráter dos personagens envolvidos é revelado de forma crua, filmadas em sequências indigestas, porém sem apelação. As imagens transparecem as informações necessárias para compor a atmosfera certa para o longa-metragem. Para muitos seria um filme que de tão forte, não teria a oportunidade de ser assistido na integra, tamanho o seu poder de chocar como na cena do estupro coletivo. Contudo são elementos narrativos necessários para se ter a noção exata do distúrbio psicológico que os personagens são assolados diante da catástrofe a qual foram expostos. O desfecho esperançoso é uma luz para aqueles que torcem pelos bons, que mesmo diante das adversidades do destino não perdem seu vinculo com o civilizado e a perseverança pela vida, elementos imprescindíveis com aquilo que nos diferencia de selvagens à espera de devorar uns aos outros. Decididamente não se trata de filme fácil de ver, por sua narrativa pesada e de poucas concessões. O custo da sobrevivência dos personagens se mostra alto demais para alguns espectadores, podendo ser julgado como desnecessário para outros. Mas uma coisa é certa: o envolvimento de Meirelles nesse projeto foi essencial para a redenção desse longa que por muitos era visto como uma produção de transposição. 

Nota: 8/10    
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4 comentários:

  1. Não vi esse filme, mas muitas pessoas me indicaram a vê-lo. Vou ver se um dia desses confiro.
    Visite também:
    mateus-leite.blogspot.com

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  2. Filme muito bom, que apesar de pesado é de uma beleza ímpar!
    Também tenho um blog que ax x fala de filme...cheguei aqui procurando imagens para o post que farei e ri demais com a sua descrição de quem é vc kkkk as 3 dicas que sua mãe deu foram impagáveis kkkkk

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