segunda-feira, 10 de julho de 2017

Crítica: Entre Nós | Um Filme de Paulo Morelli (2014)


Isolados numa casa de campo, sete amigos, Felipe (Caio Blat), Silvana (Maria Ribeiro), Lúcia (Carolina Dieckmann), Gus (Paulo Vilhena), Cazé (Júlio Andrade), Drica (Martha Nowill) e Rafa (Lee Taylor) decidem escrever e enterrar cartas destinadas a eles mesmos, para serem abertas cerca de dez anos depois numa espécie de brincadeira de cápsula do tempo. Porém, após uma tragédia ocorrida no mesmo dia onde Rafa morre em um acidente de carro, esses mesmos amigos ficam dez anos sem se reunir. E quando ocorre o reencontro para a leitura das cartas enterradas, alguns segredos mal enterrados são ressuscitados. “Entre Nós” é um longa-metragem dramático nacional de suspense dirigido por Paulo Morelli. Escrito por Paulo Morelli e co-dirigido por Pedro Morelli, essa produção é de responsabilidade da O2 Filmes, com o apoio da Paris Produções, Globo Filmes e Telecine. Arriscando-se em um gênero mais ambicioso do que a maior parte das produções do cinema nacional, o enredo dramático desse longa-metragem discute com competência temas relevantes como autoria e ética em uma trama repleta de ótimas atuações acomodadas por um filme visualmente belíssimo.

A atmosfera de incertezas criada para “Entre Nós” é perfeita. Um genuíno trabalho cinematográfico que poderia muito bem se multiplicar para o prazer de admiradores de contos dramáticos bem explorados. O clima de diversão e descompromisso que marca a confraternização desses jovens, servindo como premissa, se contrasta brilhantemente com o salto no tempo. O hiato de dez anos entre a morte do amigo e o reencontro do grupo gera um material promissor a ser dissecado pelo espectador. E a escolha de manter alguns assuntos ausentes de detalhes, dando margem para o espectador desvendar e produzir suas próprias conclusões é genial. O filme confecciona situações bastante humanas e possibilita ao elenco mostrar seus talentos. A responsabilidade de Caio Blat de condensar a maior importância do enredo é atendida prontamente, embora todos os personagens têm as suas particularidades e contribuições relevantes para a história que é marcada de muitos sofrimentos e angustias pessoais à espera de um alivio ou um sepultamento definitivo. Visualmente bonito, a direção de fotografia ressalta as vivacidade das belezas naturais da Serra da Mantiqueira, ao mesmo tempo em que se transforma mais fria de acordo com a reviravolta do enredo.

Entre Nós” é um bom filme nacional que não chega a surpreender, mas que tem o seu valor corrigido pelo déficit que o cinema nacional tem com seu público. O suspense sobre o desfecho é mantido com sutilezas de modo competente, ainda que o resultado seja praticamente previsível. Ganha pontos preciosos por manusear as reflexões pessoais dos personagens com sabedoria e responsabilidade, que na maioria se mostram confusos, mas não busca emplacar uma reviravolta ou algo assim. Contudo, sua capacidade instigante de prender a atenção já é o suficiente para mexer com as emoções dos espectadores.

Nota:  7/10
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6 comentários:

  1. É um bom filme. O grande acerto é criar uma história e personagens próximos da realidade, com alegrias e tristezas, sem apelar para o clichê do final feliz.

    Abraço

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    1. É um bom filme, que atende bem a sua proposta sem fazer apelações.

      abraço

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  2. eu gostei bastante. é um bom filme. beijos, pedrita
    o meu post está aqui http://mataharie007.blogspot.com.br/2014/12/entre-nos.html

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  3. Ainda não vi, de acordo com seus comentários, parece bom, vou assistir, matar as pendências dos filmes nacionais.

    https://21thcenturycinema.blogspot.com.br/

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    1. Faça isso. Eu inclusive tenho as minhas também, tanto que eu acabei apenas esse ano fazendo uma pagina extra apenas para reunir as resenhas que irei confeccionar a partir de agora.

      Sempre fui um entusiasta calado do cinema nacional. Quero ver se eu mudo essa minha postura a partir desse ano.

      abraço

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