terça-feira, 11 de julho de 2017

Crítica: Desconhecida | Um Filme de Joshua Marston (2016)


Alice (Rachel Weisz) é uma mulher que desapareceu a cerca de quinze anos sem explicações, e numa inesperada estratégia de reaproximação reencontra um antigo namorado, Tom (Michael Shannon) em um jantar de aniversário de sua esposa. Alice apareceu nesse jantar como acompanhante de um amigo de Tom. Embora Tom não tenha a reconhecido no primeiro instante, logo soube que não se tratava da pessoa que ela se dizia ser. Ela era Alice. A mulher que um dia pensou estar morta. E numa conversa sigilosa entre os dois, somos aos poucos apresentados a sua consciente e secreta história de constante auto-reinvenção, onde ela assume novas identidades, ocupações profissionais, tudo isso em diferentes lugares do mundo e com uma enorme facilidade e nenhuma ligação com seu passado real ou ficcional. Mas algo a leva visitar seu passado mais distante. “Desconhecida” (Complete Unknown, 2016) é uma produção dramática estadunidense escrita por Julian Sheppard e Joshua Marston, a qual Joshua também assume a direção. Em um duelo de talentos travado por Rachel Weisz e Michael Shannon, o cineasta Joshua Marston realiza um drama provocante, intimidador ao estilo de vida programado e interessante de ser conferido, mas o conto extraordinário de Joshua Marston tem uma proposta de reflexão de grande profundidade e pouca força.

Desconhecida” tem uma reflexão original e charmosa, mas se prejudica por ser acomodado em um enredo difícil de ser comprado. A premissa intrigante nunca se faz realmente valer. E no esboço de uma metáfora romanceada que prega “Você é o que pretende ser”, Rachel Weisz tem um imenso desafio a ser atendido como protagonista: o de ser convincente aos olhos de um mundo que é feito de história e passado. Para sorte do diretor/roteirista, ele fez a escolha certeira do elenco. Tanto Rachel Weisz quanto Michael Shannon estão deslumbrantes em seus respectivos papéis. A performance de sutilezas de Rachel se mostra tocante, mesmo que o espectador talvez não compartilhe de suas motivações. Enquanto Michael demostra uma frieza aparente, que obviamente rivaliza com seus desejos. A aparição de Alice veio numa hora crucial de sua vida e que embora não tenha movido suas inabaláveis convicções, obviamente o tocou de alguma forma. Uma pena que as várias situações e demais personagens são pouco aproveitados para algo maior (Danny Glover e Kathy Bates também estão no elenco), a não ser para transitar a margem do desempenho superlativo dos personagens principais. Joshua Marston é responsável pelo ótimo “Maria Cheia de Graça”, de 2004, que retrata o perigoso trabalho das pessoas que se sujeitam a transportar drogas no interior do corpo.

De pouco alcance, “Desconhecida” dificilmente é capaz de agradar uma fatia significativa de público. Suas reflexões são válidas, mas exploradas com pouco esmero. Embora tenha as suas qualidades e requintes, seja pelo desempenho formidável dos protagonistas ou por alguns aspectos técnicos bastante competentes, como a montagem inicial que busca imprimir um artifício instigante cuja finalidade é prender a atenção do espectador, o desenvolvimento da história é arrastado e tem uma personalidade fria e distante que não se conecta, como sua protagonista, com quase ninguém.

Nota:  6/10
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4 comentários:

  1. Mesmo com as críticas medianas, quero assistir pela presença de Michael Shannon, pela história e a direção de Joshua Marston.

    Além do ótimo "Maria Cheia de Graça" que você citou, Marston dirigiu também "Perdão de Sangue" (The Forgiveness of Blood), um longa sobre violência e tradições na Albânia. É difícil de encontrar, mas vale a pena para quem curte filmes diferentes.

    Abraço

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    1. Se a sua intenção é conferir a presença de Michael Shannon com certeza você irá se agradar. Eu também gosto do ator.

      Abraço

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  2. Eu sinceramente não entendo eses projetos que Rachel Weisz escolhe, uma grande atriz com potencial subestimado!

    21thcenturycinema.blogspot.com.br

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    1. Depende Cleber. Em alguns filmes que eu assisti, ela não está tão bem quanto aqui. Entretanto, em muitos outros mais ela está muito melhor. Meu preferido dela e "O Jardineiro Fiel".

      Abraço

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