sexta-feira, 19 de maio de 2017

Crítica: Headhunters | Um Filme de Morten Tyldum (2011)


Roger (Aksel Hennie) é um “Headhunter”, (termo técnico que designa a função de caçador-de-talentos) e seleciona altos executivos para cargos de CEOs em empresas conceituadas. Porém, nas horas vagas também desempenha a função de ladrão de obras de arte, a fim de sustentar o necessário padrão de vida que está acima de suas posses e ao qual sua linda esposa, Diana (Synnøve Macody Lund) também se acostumou mesmo sem saber como o marido consegue bancar tudo isso. Consciente que a vida do crime poderá leva-lo um dia para cadeia, ou a uma aposentadoria precoce, Roger encontra uma grande oportunidade para a segunda opção, em Clas Greve (Nikolaj Coster-Waldau). Além de ele ser um excelente candidato a uma vaga também tem uma valiosa pintura que pode conceder algum alívio a Roger que se encontra endividado devido aos seus altos gastos. O que ele não sabe é que quando estiver de posse do objeto, passará de predador a vítima como nunca se imaginou antes.Headhunters” (Hodejegerne, 2011) é um thriller de suspense baseado no best-seller do norueguês Jo Nesbø e dirigido por Morten Tyldum, antes dele emplacar o premiado “Jogo da Imitação” (2014) e a despretensiosa aventura de ficção científica “Passageiros” (2017) no mercado norte-americano. Com uma estrutura narrativa que remete a produções do cinema estadunidense, trata-se de um filme norueguês e acabou se mostrando uma ótima apresentação do trabalho de Morten Tyldum para o mundo.

Mas o que “Headhunters” tem a oferecer? De inovador nada, mas ao mesmo tempo algo típico com um nível de excelência invejável. Além do mais, o filme tem uma premissa interessante muito bem explorada por um roteiro seguro de suas intenções que recheia toda sua duração com reviravoltas inusitadas que prendem a atenção dos espectadores, tanto nos momentos tensos como nas passagens de humor presentes. Some há essa fórmula uma produção elegante, de arrojo técnico hollywoodiano com um toque de cinema europeu, dirigida com total segurança que mesmo diante da escolha de exibir passagens cruéis como quando o protagonista passa a descer ao inferno raspando o cabelo numa cena visualmente forte pela improvisada medida, demonstra a segurança dos envolvidos no produto que almejam apresentar. E se o protagonista expõe comprometimento com a função a que lhe foi incumbida, digo o mesmo sobre o resto do elenco que está afinadíssimo com o nebuloso cenário do enredo. A presença de Nikolaj Coster-Waldau é vital para dar os contornos ameaçadores necessários ao perseguidor que não mede esforços para capturar Aksel Hennie. No entanto, há males que vem para o bem, já que alguns difíceis ensinamentos são adquiridos (no universo de Tyldum) através do suplício. Todo o elenco de apoio tem seus momentos de brilhantismo, muito bem capturados pela câmera de Tyldum, desde a suavizada nudez de Synnøve Macody Lund, até a hilária execução do subordinado de Roger que remete a lembrança do trabalho de Quentin Tarantino (mais especificamente em “Pulp Fiction”).

Headhunters” é de longe um dos melhores e mais ligeiros produtos comerciais oriundos da Noruega que já tenha cruzado o meu caminho antes. De trama bem amarrada, ótimas atuações e umas bem-vindas mensagens inseridas no contexto sobre as algumas inseguranças masculinas comuns e sobre valores humanos em tempos do capitalismo, demonstra que não foi a toa que Morten Tyldum tenha se adaptado tão bem ao cinema norte-americano. 

Nota: 7,5/10
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