quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Crítica: Conduta de Risco | Um Filme de Tony Gilroy (2007)


Michael Clayton (George Clooney) é um talentoso advogado que a muitos anos presta serviço a uma das maiores firmas de advocacia de Nova York. Entre seus maiores talentos está a sua habilidade de moldar os fatos para a justiça segundo o interesse de seus clientes. Dissimular atitudes ilícitas tomadas no calor do momento e forjar provas mediante o interesse de seus clientes é entre muitas das tarefas sujas desempenhadas por Clayton. Embora esteja desagradado com seu trabalho e motivado a abandoná-lo, Clayton não pode tomar essa decisão devido a uma série de dívidas acumuladas em função de seu divórcio, seu vício em jogatina e alguns investimentos malsucedidos. E quando Arthur Evans (Tom Wilkinson), um dos mais renomados advogados da empresa surta num ataque esquizofrênico no meio de uma transição de diretoria importante e começa a sabotar importantes casos da firma, Clayton é incumbido a contragosto de tomar uma atitude para solucionar o problema, e que como sempre, requer uma conduta nem sempre tão honrada que percorre um território arriscado agora para sua segurança. “Conduta de Risco” (Michael Clayton, 2007) é um thriller escrito e dirigido por Tony Gilroy, o homem por trás do roteiro da famosa franquia de espionagem Bourne. Em seu filme de estreia como diretor, Tony Gilroy entrega um filme elegante, que recebeu inúmeras indicações merecidas a prêmios (o filme foi vencedor do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, onde a estatueta foi dada a Tilda Swinton). Com uma atmosfera ligeiramente sombria que joga um olhar sobre certas figuras críveis do mundo corporativista, Tony Gilroy entrega um filme bem diferente do que se esperaria do sujeito.  

Distante de ter o ritmo ágil e explosivo dos filmes que o lançaram no mercado hollywoodiano, “Conduta de Risco” tem uma abordagem mais cerebral, lenta e freada no que realmente interessa: na história; onde conspirações e crises de consciência criadas em seu roteiro e pela sua condução se destacam num desenvolvimento encantador e ganham a devida atenção do espectador com a mesma fluência com que as sequências de ação que eram permeadas nos filmes do agente Jason Bourne conseguiam. Óbvio que se trata de um filme cujo público alvo é outro, mas tem boas chances de agradar a uma gama variada de espectadores. Naturalmente se trata de uma experiência cinematográfica pouco soletrada e que requer uma boa dose de atenção do espectador, embora não se arme de grandes reviravoltas típicas do gênero. Repleto de atuações de contornos profundos, onde desempenhos físicos são irrelevantes diante da necessidade de materializar diálogos inteligentes e performances marcadas de eloquência (o surto psicótico de Tom Wilkinson é bárbaro) e sutilezas (as emoções reflexivas que marcam o personagem Michael Clayton não são entediantes em momento algum), nomes como de George Clooney, Tom Wilkinson, Tilda Swinton e Sydney Pollack, são atores vitais para conferir credibilidade à proposta. Assim sendo, esse thriller de suspense é no mínimo interessante de ser conferido, e que seu personagem principal, Michael Clayton é um indivíduo marcado de imperfeiçoes de caráter comum nas pessoas e que mesmo com boas intenções, é dizimado pelo sistema ao seu redor.

Em “Conduta de Risco” o espectador tem uma obra de realismo inabalável em confronto com uma história de conflitos morais bem transposta, seja por seu refinamento ou apenas pelo rumo dado a ela, como algumas críticas corporativistas novas dadas aos velhos problemas. Sucesso de crítica, esse trabalho de estreia ainda pode surpreender, apesar do tempo que se passou desde seu lançamento, já que a indústria investe pouco nesse gênero devido ao seu modesto apelo de público.

Nota:  8/10
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6 comentários:

  1. eu gostei muito desse filme tb e comentei aqui http://mataharie007.blogspot.com.br/2008/10/conduta-de-risco.html beijos, pedrita

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    1. Ótimo Pedrita. Vou conferir suas impressões no link disponibilizado por você.

      bjus

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  2. Partilhamos da admiração por esse drama tenso e reflexivo. A melhor contribuição de Gilroy no cinema até hoje (os fãs do roteiro da série Bourne que me perdoem).

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    1. Gostei muito de "Duplicidade" também. Um filme mais descomprometido com a seriedade desse aqui, mas igualmente interessante.

      abraço

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  3. É um interessante drama sobre os podres dos bastidores das grandes corporações.

    Abraço

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    1. Um filme feito sobmedida para ganhar (ou pelo menos concorrer) a prêmios. Gosto da proposta dessa produção, e muito se deve aos desempenhos dos atores e a atmosfera do filme em si. Já fazia tempo que queria mencioná-lo nesse espaço.

      abraço

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