quinta-feira, 16 de julho de 2015

Crítica: Snatch – Porcos e Diamantes | Um Filme de Guy Ritchie (2000)


Melhor que sua estreia, o seu segundo longa-metragem se mostrou uma fantástica surpresa para os seus recém-adquiridos fãs. Enquanto “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” foi somente um atraente aperitivo lançado nos meados da década de 90 que veio para mostrar as possibilidades do seu potencial, “Snatch – Porcos e Diamantes” (Snatch, 2000), uma produção ambientada no submundo do crime que foi escrita e dirigida pelo cineasta britânico Guy Ritchie é em resumo um de seus melhores trabalhos autorais. Entusiasta do gênero de filmes de gângsteres, dono de um estilo ácido de fazer cinema, talentoso roteirista que sabe rechear seu trabalho com diálogos de grande profusão e criar uma variedade de personagens e subtramas complexamente conectadas sem soar forçado, Guy Ritchie conquistou seu espaço no cinema comercial de sucesso através dessa produção. Seguido de alguns outros trabalhos de pouca e nenhuma relevância, outros de resultado competente e filmes de encomenda de sucesso, “Snatch – Porcos e Diamantes” é até então sua realização mais empolgante. Descrever sua história não é uma das tarefas mais fáceis, já que a quantidade de tramas paralelas com direito as inúmeras reviravoltas que levam a um desfecho excepcional não segue uma narrativa simples de ser acompanhada pela montagem acelerada e o ritmo nervoso. Ambientado no submundo do boxe clandestino, alguns chefões do crime e pretensiosos ladrões acabam em maus lençóis por causa de um cachorro esfomeado, um diamante de 84 quilates extraviado, alguns gângsteres atrapalhados e um cigano pilantra que nos leva a um rumo inesperado.

Snatch – Porcos e Diamantes” é um conjunto de eventos e personagens surreais, habilidosamente amarrados pelo roteiro e perdidos pelo frenético desenvolvimento da história. Com uma edição acelerada, algumas cenas de violência performática e doses de humor que beiram a perfeição, Guy Ritchie não desperdiça um minuto sequer da duração desse longa com floreios desnecessários. Tudo tem funcionalidade e é devidamente explicado no seu tempo certo. E se a trama complexa dessa produção reivindica a completa atenção do espectador, que esse dedique o dobro para uma infinidade de interpretações fantásticas por parte de todo elenco. Atores como Jason Statham, o pretensioso gângster vitimado pelas circunstâncias de uma compra infeliz de um trailer de um acampamento de ciganos; Dennis Farina, o Primo Avi, vindo de Nova York para ajeitar a bagunça causada por seu imprudente empregado que não passava de um apostador inconsequente que perdeu um precioso diamante por causa de um desastroso assalto; Vinnie Jones, o mercenário contratado para recuperar o diamante perdido detentor de métodos nada ortodoxos; Rade Serbedzija, um ex-agente da KGB de pretensões gananciosas que não resultam de acordo como o planejado; entre outros mais que esbanjam talento e sintonia com a proposta desse filme. Porém, são de Brad Pitt as melhores passagens do enredo, os melhores diálogos e que arremata o mais interessante personagem do universo Ritchiano roubando totalmente a cena a cada aparição em tela. A trilha sonora de John Murphy e endossada pelo tino comercial de Ritchie são um show a parte do filme, com canções como “Lucky Star”, da Madonna (ex-esposa do cineasta) ou “Fuckin’ In The Bushes”, do Oasis num momento climático da trama.

Por fim, “Snatch – Porcos e Diamantes” é de uma esperteza e senso de humor bastante raro de seu tempo. Portanto, se em alguns momentos esse filme beira a completa insanidade, difícil de ser acompanhado com precisão, em outros se firma com contornos de brilhantismo inesperado que surpreende até os menos envolvidos com a filmografia de seu realizador. Se em filmes como “Revolver” ele deixou a desejar em vários aspectos, aqui ele esbanja potencial criativo e técnico deixando complexidades a parte não serem obstáculos para se entregar um grande filme de entretenimento.

Nota:  8,5/10
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2 comentários:

  1. Respostas
    1. Bem... talvez eu tenha me contido um pouco ao conferir os devidos méritos a esse longa-metragem. Mas uma coisa é certa: é divertidíssimo como poucos filmes.

      abraço

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