sábado, 4 de julho de 2015

Crítica: O Destino de Júpiter | Um Filme de Andy e Lana Wachowski (2015)


Júpiter Jones (Mila Kunis) odeia sua vida. Pudera, já que trabalha incessantemente sem perspectivas de um futuro prospero. Mas ao mesmo tempo em que trabalha duro como faxineira pela cidade junto com sua mãe, ela não sabe do nobre destino que a aguarda. Inesperadamente abordada por um grupo de assassinos alienígenas prontos para acabar com sua vida, ela também é salva pelo heroico Caine Wise (Channing Tatum), um ex-soldado intergaláctico que a familiariza com as nuances de sua natureza real. Arrastada para um conflito familiar marcado por disputas de poder, a família Abrasax encontra na humanidade apenas uma costumeira fonte de recursos, e Júpiter pode ser a derradeira salvação de muitas espécies de um projetado genocídio voltado para estabelecer a longevidade de poucos. “O Destino de Júpiter” (Jupiter Ascending, 2015) é uma produção de ficção científica, fantasia e ação produzida, escrita e dirigida pelos irmãos Wachowski (responsáveis por filmes como a versão em live-action de “Speed Racer” de 2008 e o mais recente “Cloud Atlas – A Viagem” de 2013). Curiosamente essa mais recente incursão dos famosos realizadores na sci-fi causa um nível desagradável de estranheza. O universo épico construído pela visão impressionante de seus realizadores resulta num aventura de proporções gigantescas aos olhos, no entanto rasa de substancia e muito mal concebida perdendo a tão desejada afeição dos espectadores.

O Destino de Júpiter” é pura ostentação de recursos. Na verdade, Andy e Lana Wachowski, donos de um dos maiores sucessos do cinema lançado no final da década passada (“Matrix”, de 1999) sempre tiveram uma queda expressiva pelo o exagero, como também uma clara ambição pelo extraordinário que nem sempre esteve ao alcance de suas competências (embora “Speed Racer” fosse visualmente fantástico, naturalmente mostrou-se falho em outros aspectos).Cloud Atlas – A Viagemé uma incógnita, pois divide opiniões. Sendo assim, as expectativas de fãs desses realizadores se dissolvem diante dos equívocos dessa sua mais recente empreitada. Com um roteiro mal concebido e repleto de falhas gritantes que geram um desenvolvimento extremamente confuso, os irmãos Wachowski ainda demonstram não ter esquecido algumas sacadas de seu maior sucesso (a humanidade passou de uma fonte de energia em “Matrix” a uma maniqueísta fonte de juventude). O elenco principal está apagado (com nomes de peso como Mila Kunis, Channing Tatum e Eddie Redmayne) muito vitimado por essas falhas, sobra as inimagináveis sequências de ação marcadas de um caos difícil de ser acompanhado com os olhos. O espetáculo pirotécnico por vezes se mostra cansativo, quando não repetitivo (não foi nenhuma nem duas ou três vezes que Caine salva Júpiter em cima do laço em passagens frenéticas). Provavelmente concebido para virar franquia, seu fracasso de bilheteria diante do orçamento milionário sela o destino dessa hipótese. 

O Destino de Júpiter” é desconcertante, uma obra impossível de ser imaginada ter sido feita pelos responsáveis de uma das mais icônicas produções de ficção cientifica que ainda hoje serve de referência ao gênero. Ainda que “O Destino de Júpiter” demonstra ter a alma de seus realizadores em algumas passagens (poucas por sinal) essa produção carece de muitas outras coisas mais. Isso demonstra a urgente necessidade de voltarem a estudar novas maneiras de se contar histórias.

Nota:  5/10
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4 comentários:

  1. Não assisti "Speed Racer", mas gostei de "A Viagem", que é um filme complexo, mas ao mesmo tempo tem um visual fantástico e tramas interessantes.

    Ainda não conferi este novo trabalho.

    Abraço

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    1. Estou curioso para ver o seriado produzido pelos irmãos Wachowski, já que pelos trailers que vi parece fantástico.... desde a premissa.

      abraço

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  2. Os Wachowski pisaram na bola com esse filme, desde o enredo até a direção de atores. Nunca vi Mila Kunis tão sem sal, parecia contrariada de estar no projeto. Não achei péssimo, mas para a dupla ficou uma coisa juvenil demais, derivativa demais.

    Melhor sorte da próxima vez... Tomara que haja uma próxima vez!

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    1. Quanto a uma sequência desse projeto, eu duvido muito. Entretanto, anseio pela chegada de novos lançamentos dirigidos por eles, já que os dois sabem o que fazem na maior parte do tempo. Não sei o que deu neles nesse longa-metragem, mas espero que seja passageiro.

      abraço

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