sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Crítica: Joe | Um Filme de David Gordon Green (2013)


O ex-detento Joe Ransom (Nicolas Cage) é um mestre de obras de uma empreiteira responsável pela remoção de árvores velhas no sertão do Texas para um replantio saudável. Embora tenha sido preso várias vezes, sua figura é muito bem vista pelos habitantes da região onde reside. E quando Gary (Tye Sheridan), um andarilho de apenas 15 anos que recentemente se mudou para cidade com sua família e acaba encontrando uma oportunidade de trabalho com Joe, também surge desse emprego uma grande amizade. Mas quando o garoto traz seu pai, Wade (Gary Poulter), um homem violento e alcoólatra para participar no trabalho se inicia uma série acontecimentos que irão causar mudanças irreversíveis na vida desses personagens. “Joe” (Joe, 2013) é um drama estadunidense de produção independente dirigida por David Gordon Green. Ao usar o bem-vindo roteiro de Gary Hawkins (um ex-professor de cinema e antigo colaborador do cineasta) com base no livro de Larry Brown, o cineasta americano realiza uma obra dramática de efeito intenso e de um realismo sombrio que reafirma ao mundo o quanto talentoso Nicolas Cage pode ser com a história certa e um realizador competente atrás das câmeras. Com sua trama se passando numa zona rural de uma pequena cidade do Texas, com sua história se desenrolando sobre pessoas comuns da região, é assim nesse contexto desprovido de histórias arrojadas e personagens complexos que o astro Nicolas Cage entrega seu melhor trabalho em anos.


Embora o título dessa produção sugira que “Joe” tenha seu foco principal nesse homem de cerca de quarenta anos, barrigudo e barbudo interpretado brilhantemente por Nicolas Cage, é ao redor de Gary que os acontecimentos mais marcantes se desdobram e elucidam o teor dessa história. Mas como em “Amor Bandido”, drama em que o coadjuvante divide a película com Matthew McConaughey, o jovem ator Tye Sheridan é que rouba ao seu modo a cena e mostra mais uma vez seu talento diante de gigantes do cinema contemporâneo. Sobretudo, ainda que Cage nos últimos anos tenha deixado a desejar a seus fãs pelas suas escolhas de trabalho (desde sua interpretação do bêbado Mike Figgis em “Despedida de Las Vegas”, pouca coisa se salva), sua presença de tela continua inabalável, onde muito bem se poderia considerar essa produção como uma espécie de ressureição. Essa produção possui contornos sombrios dotados de um realismo local gratificante muito bem ambientado, ao mesmo tempo em que incômodo e angustiante aos sentidos devido à animalidade comportamental dos personagens que não se censuram de cometer atos de violência e brutalidade. Mas existem em meio aos excessos humanos desencadeados pelo temperamento pessoal inflamado dos personagens ou por decorrentes ausências de caráter, sentimentos autênticos e dignos de muita atenção do espectador. No final das contas, “Joe” presenteia o espectador com momentos de brutalidade intercalados com passagens de lirismo de grande virtude. Com um elenco bem afinado e completamente entregue a seus personagens, uma história forte sem complexidades desnecessárias e uma direção envolvente por parte de David Gordon Green, essa produção se mostra uma grande surpresa indie do cinema norte-americano.

Nota:  7,5/10   
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2 comentários:

  1. É um bom drama com cara de filme independente.

    Ao que parece, Gary Poulter era na verdade um morador de rua que foi escolhido pelo diretor para dar uma maior veracidade ao papel do violento pai.

    Depois das filmagens, o sujeito voltou para as ruas e acabou falecendo.

    Abraço

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    1. Em minhas pesquisas a respeito do filme, eu descobri que o diretor tem o habito de inserir pessoas comuns em seus filmes (não apenas como figurantes, mas como personagens legítimos) na maioria de seus filmes. Achei esse aspecto de construção de um longa-metragem bem interessante também.

      abraço

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