terça-feira, 4 de novembro de 2014

Crítica: Círculo de Fogo | Um Filme de Jean-Jacques Annaud (2001)


Em 1942, quando a cidade de Stalingrado se torna para Adolf Hitler a mais importante das resistências a serem ultrapassadas durante a Segunda Guerra Mundial, a esperança do Exército Vermelho vem de um atirador de elite chamado Vassili Zaitsev (Jude Law). Descoberto pelo acaso por Danilov (Joseph Fiennes), um jornalista de guerra em busca de reconhecimento pelo alto escalão Soviético, ele descreve com habilidade os feitos desse atirador a ponto de torná-lo uma grande celebridade nos campos de batalha. Uma disseminação de propaganda política que eleva o inexperiente atirador ao status de um bravo herói de guerra vivo. Mas a mesma fama que consagra Vassili e inspira jovens soldados soviéticos ressoa aos ouvidos das tropas alemãs, levando os nazistas a enviar um experiente e astuto franco-atirador, o Major Koning (Ed Harris) tão habilidoso quanto o herói soviético para deter esse jovem caçador que passou a ser visto como uma grande ameaça a força devastadora dos nazistas. “Círculo de Fogo” (Enemy At The Gates, 2001) é um longa-metragem de guerra estadunidense dirigido por Jean-Jacques Annaud, cujo roteiro escrito pelo próprio diretor em parceria com Alain Godard, consegue um resultado cinematográfico esteticamente apresentável (o nível da produção é invejável), narrativamente enxuto (um filme relativamente curto para o gênero que soube aproveitar bem a dupla de protagonistas) e dramaticamente envolvente em sua proposta.


Embora “Círculo de Fogo” seja um grande filme sob um olhar cinematográfico mais raso, sua passagem pelos cinemas mundiais não foi das melhores. Pouco lucrativo em relação ao custo da produção, seu desenvolvimento está repleto de divergências históricas que foram romanceadas e desencadearam reações inflamadas em relação ao trabalho de Jean-Jacques Annaud. Se algumas liberdades artísticas que foram adotadas em prol da harmonia do enredo, mais do que necessárias, diga-se de passagem, muitas delas condenaram essa produção ao esquecimento por parte de fãs do gênero (há uma quantidade enorme de resenhas negativas no site IMDB em relação a esse aspecto) e críticos arredios (o filme foi muito mal recebido no Festival de Berlim). Sobretudo, a redução das proporções gigantescas de uma guerra às limitações de um jogo de gato e rato se mosftra genial como produto de cinematográfico. Combinando interpretações convincentes por parte do elenco principal (com o idealismo de Rachel Weisz no fronte soviético fazendo par romântico com Jude Law e a presença marcante de Bob Hoskins e Ron Pearlman no desenvolvimento da trama), mostra o potencial dramático dessa produção, que além disso possui boas sequências de ação de guerra conduzidas com elegância favorecidas por um conjunto técnico enriquecido, ainda que mais contidas em comparação de outras épicas produções. O trabalho de Jean-Jacques Annaud é mais lento, de proporções menores e de atmosfera mais cerebral e repleta de nuances. A forma de como se cria o misticismo em volta de Vasilli já é uma dessas nuances perpetradas na trama que materializa boa parte da essência dessa produção, menos sanguinolenta e mais crítica.

Em resumo, “Círculo de Fogo” não tem a grandiosidade de outras produções do gênero no qual habita, muito menos o tom épico que vem a ser regra em Hollywood para filmes assim. Mas em contrapartida, ele possui uma gama enorme de outras qualidades gratificantes que o fazem ser um genial drama de guerra, seja pelas licenças poéticas bem escolhidas ou pela reconstituição de época eficiente que fazem desse longa-metragem um produto cativante de um jeito todo particular.

Nota:  8/10
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