terça-feira, 2 de setembro de 2014

Crítica: 13° Distrito | Um Filme de Camille Delamarre (2014)



O ano é 2018. Em uma área da cidade de Detroit chamada Brick Mansions (o famigerado 13° Distrito) devido a incorrigível situação de criminalidade e violência que o toma, simplesmente é ignorado pelas autoridades locais. Isolado da cidade por um enorme murro, seus moradores vivem sob uma condição precária de vida sem expectativas de um futuro. E nesse cenário o crime e o tráfico de drogas comandado por Tremaine Alexander (RZA), ganha força livremente. Tendo como um obstáculo incômodo o jovem Lino (David Belle), um morador de Brick Mansions que busca a todo custo justiça em sua localidade, o policial Damien Collier (Paul Walker) incursa em uma perigosa missão ao lado de Lino para salvar sua namorada que está em poder dos mesmos criminosos que detêm uma bomba de grande poder de destruição mirada para a cidade de Detroit. “13° Distrito” (Brick Mansions, 2014) é um remake estadunidense dirigido por Camille Delamarre. Baseado em um filme francês de 2004 chamado “B13” (que inclusive gerou uma sequência chamada “13° Distrito – Ultimato” lançado em 2008), tanto essa refilmagem Hollywoodiana como os demais filmes foram produzidos por Luc Besson e estrelados por David Belle (um dos pioneiros da Arte do Movimento chamada Le Parkour). Ainda que “B13” tivesse interpretações rasas e uma trama com muito pouco a oferecer, as peripécias acrobáticas do elenco conferiu ao longa-metragem o rótulo de cult entre muitos espectadores. E como em “Taxi” (1998), outro sucesso francês de Besson, não demorou muito para ganhar uma refilmagem estadunidense.


Reflexo de sua base, “13° Distrito” reproduz sua inspiração em vários aspectos, seja em sua trama que apresenta apenas pequenas alterações ou no estilo ágil da ação e da inexistente coerência dela. Infinitamente mais elétrico do que o original, o ritmo dessa produção está repleto de exaustivas correrias, malabarismos e perseguições, agora muitas delas na condução de potentes automóveis. Se David Belle melhora em muito seu desempenho de interpretação desde 2004, embora não seja essa a razão pela qual ele habite os créditos dessa produção, Besson tem sua grande sacada na presença do astro Paul Walker. Além de bom ator, quando ele está atrás da direção de carros o seu desempenho ressoa automaticamente sobre seu personagem na franquia “Velozes e Furiosos”, que lhe conferiu o estrelismo em Hollywood e uma legião de fãs. Ainda que tenha sofrido para acompanhar as coreografias de Belle, Walker faz uma parceria harmoniosa. Sobretudo, RZA se mostra caricato ao extremo. Mas se ainda assim sendo apenas uma derivação desinteressante e clichê da figura criminal a ser combatida, muitas vezes inclusive cômica demais para ser levado a sério, o sujeito consegue entregar uma performance curiosamente simpática antenada com proposta descompromissada e improvável dessa produção (um criminoso declarado dando sermões sobre desigualdade social). Infelizmente, Camille Delamarre entrega um filme tão parecido com o original que se mostra quase desnecessário aos conhecedores e fãs do filme europeu. Vale sim, por conferir pela presença saudosa de Walker, ou pelo esmero de Belle em situações de risco. Mas “13° Distrito” não tem a magia que fez de sua base uma obra de culto. Divertido como passatempo, desnecessário a longo prazo.

Nota:  5,5/10
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2 comentários:

  1. Estou curioso para conferir as duas versões.

    Abraço

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    1. Assista sim, mas imagino que vá gostar mais da versão europeia.

      abraço

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