quinta-feira, 19 de junho de 2014

Crítica: O Besouro Verde | Um Filme de Michel Goldry (2011)


Britt Reid (Seth Rogen) é um playboy inconsequente que somente tem olhos para farras. Porém quando seu pai, James Reid (Tom Wilkinson) morre surge uma inesperada obrigação de dar segmento ao império jornalístico da família representado pelo jornal “The Daily Sentinel” de Los Angeles. Uma tarefa vista como um fardo pelo jovem herdeiro. Mas quando se forma uma improvável amizade com um genial funcionário de seu pai, Kato (Jay Chou), ambos buscam um novo sentido para suas vidas, combatendo o crime. Contudo, para combater o crime eles precisam tornar-se criminosos aos olhos da lei. Assim Britt torna-se o lendário herói mascarado Besouro Verde, e ao lado de seu destemido parceiro Kato, ambos passam a combater o crime todas as noites pelas ruas da cidade em um poderoso carro. “O Besouro Verde” (The Green Hornet, 2011) é um filme estadunidense de ação e comédia realizado pelo cultuado cineasta francês Michael Goldry (responsável pelo sensível “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” e pelo cult movie “Rebobine Por Favor”, entre outros filmes de aspectos bem autorais). Baseado no programa de rádio da década de 30, que inclusive virou revista em quadrinhos, série de televisão nos anos 60 e passou por outros formatos de mídia no decorrer do tempo, essa produção teve como base o antigo seriado televisivo, aqui roteirizado e estrelado pelo ator canadense Seth Rogen. “O Besouro Verde” segue uma promissora tendência de materialização de personagens heroicos (diga-se com base ou trajetória em revistas em quadrinhos), que previsivelmente ruiu diante dos anseios do público.


Entre a comédia e a ação, em “O Besouro Verde” nada tem um firmamento que se mostre significativo em nenhum dos dois aspectos. Embora se inicie bem, com uma apresentação de personagens justa e coerente, seu desenvolvimento transpõe um produto fardado a desgraça. O humor se apoia infindavelmente no visual (piadas gestuais e bobocas atribuídas a performance deslocada de Seth Rogen), e a ação se confunde visualmente devido uma edição frenética e superficial, cheia de maneirismos que mais conferem confusão ao espectador do que atribuem emoção. Ainda que o protagonista, Seth Rogen ostente certo carisma, não é o suficiente para sustentar o carisma do espectador. Enquanto Jay Chou arrasa como o fiel e talentoso ajudante de Besouro Verde (seja com suas habilidades marciais ou sua capacidade de criar recursos mecânicos de combate ao crime), obtendo uma presença de sucesso superior ao personagem título. Até mesmo o vilão, Chudnofsky (Christopher Waltz) se mostra em ótima forma, caricato na medida certa. Entretanto, presenças como a de Cameron Diaz e o ator Edward James se mostram escolhas desperdiçadas dentro do conjunto. Entre acertos e erros, a segunda condição infelizmente prevalece sobre o trabalho de Michael Goldry, seja pela abordagem em que trata o personagem se conhecimento de causa (suas motivações que o levam de bagunceiro inveterado a justiceiro são de uma artificialidade imensurável) ou pela estética de produto de entretenimento descartável que consequentemente ele assume ser ao se visualizar a subida dos créditos finais. Por fim, “O Besouro Verde” é o que parecia ser: um filme de entretenimento que não vai mudar a vida de ninguém, inclusive a dos envolvidos nessa realização.

Nota:  5,5/10
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