terça-feira, 15 de abril de 2014

Crítica: Aposta Máxima | Um Filme de Brad Furman (2013)


Falar mal de "Aposta Máxima" (Runner, Runner, 2013) é como chutar um bêbado, não tem a menor graça. Entretanto, acredito que até alguns filmes ruins, ou pelo menos de resultado mais limitado são capazes de gerar eventualmente alguns bons textos. Então aí vai... Dirigido por Brad Furman, e escrito por Brian Koppelman e David Levien, essa produção habita o gênero do suspense policial estranhamente. Parte da história foi baseada na vida de Nat Arem, um jogador de poker profissional e ex-contador da Deloitte Touche (uma conceituada empresa de auditoria e consultoria financeira que têm filiais pelo mundo inteiro). O jovem participou numa fraude que em um site de poker online ao usar métodos estatísticos para analisar milhares de jogos. Mas sua respectiva base é somente um pequeno fragmento da narrativa de Furman e certamente uma incrível inspiração para criar um projeto original se tivesse caído nas mãos certas. Já que de resto, "Aposta Máxima" tenta, mas não consegue se aprofundar no universo lucrativo (muitas vezes ilegal) dos jogos online ainda pouco explorado pelo cinema. A soma de uma premissa até interessante e um elenco de destaque não ajudam no desenvolvimento da trama que carece de atmosfera que propague alguma emoção no espectador. Em sua trama acompanhamos Richie Furst (Justin Timberlake), um estudante de Princeton que passa por dificuldades financeiras. Em um ato desesperado se lança de cabeça numa jogatina online que por ventura após perder o pouco dinheiro que ainda tinha, Richie descobre que havia um esquema fraudulento que lesava seus usuários. Na tentativa de obter seu dinheiro de volta, ele embarca para Costa Rica para falar com o chefão dos jogos online, Ivan Block (Ben Affleck). Surpreendentemente não somente consegue seu dinheiro de volta, como também passa a trabalhar para o mesmo envolvendo-se em um mundo de criminalidade que o obrigará a tomar decisões desesperadas para se manter vivo.

Com um elenco de causar inveja, infelizmente para o público o filme carece profundamente de ritmo. Sua estrutura ajustada se mostra demasiadamente artificial. Ao esbanjar os recursos a sua disposição, Furman não consegue criar uma trama realmente interessante, ocupando-se em produzir material para somar no tempo de duração dessa fita. O desenvolvimento da trama soa extremamente forçado. E a culpa nem pode se dar necessariamente ao elenco, já que a trama em si é que mostra as maiores deficiências desse longa (situações desnecessárias como a do rio envolvendo os crocodilos famintos ou reviravoltas de pouco efeito como quando Furst trabalha para virar o jogo a seu favor) evidenciam o descontrole desse filme. A máfia dos jogos online também não teve uma abordagem coerente e criativa, limitando-se a uma abordagem ligeiramente didática para não passar completamente em branco. No elenco principal há outras divergências dependendo do ponto de vista: embora a presença de Gemma Arterton funcione supostamente como um colírio para os olhos em seu papel de prostituta de luxo, sua presença se resume a isso mesmo e mais nada; como também é difícil ao espectador ver Ben Aflleck como um bandido implacável após inúmeros papéis de mocinho. A popularidade de Justin Timberlake (cada vez mais presente nas telonas numa carreira paralela a da música) talvez ainda não tenha caído a ficha completamente. Suas responsabilidades mudaram quando ele deixou de ser coadjuvante de luxo para a função de protagonista de carreira. Seu personagem é a vítima desesperada e o esperado herói, a ligação que criará a empatia com o espectador e definirá o sucesso ou o fracasso de uma produção. Suas responsabilidades aumentaram, mas parece que ainda não foram bem compreendidas pelo ator. No final, entre locações exóticas e muita correria desnecessária de estrelas de Hollywood, "Aposta Máxima" é de fato um programa insatisfatório por sua estética ajustada demais e que não causa uma emoção significativa. Se a premissa soava interessante, ele precisava ser mais bem escrito, fugindo dos moldes de um filme excessivamente projetado (leia-se clichê) e de pouca profundidade. Seja qual for a razão que o leve a assistir essa produção, com essa resenha deixo as cartas na mesa. Façam suas apostas...

Nota:  4/10
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