terça-feira, 5 de novembro de 2013

Crítica: Apenas Deus Perdoa | Um Filme de Nicolas Winding Refn (2013)


Nicolas Winding Refn não repete o êxito de seu trabalho anterior. Enquanto “Drive, 2011” arrancou aplausos no seu lançamento no Festival de Cannes, concedendo ao cineasta o prêmio de melhor diretor, seu mais recente trabalho, “Apenas Deus Perdoa” (Only God Forgives, 2013) obteve reações contrárias no mesmo evento desse ano por sua estética e trama diferenciada do que esperado, e que, posteriormente dividiu opiniões mundo a fora levando a ser categoricamente amado ou odiado pelos espectadores. Em sua trama acompanhamos Julian Thompson (Ryan Gosling) permanece exilado em Bangkok já há dez anos. Junto com seu irmão, Billy (Tom Burke) os dois gerenciam um clube de luta de Muay Thai nos arredores da cidade que também não passa de um negócio de fachada para a família que é envolvida com várias atividades criminosas. Certa noite, Billy executa um sanguinolento assassinato, que recebe uma diferente medida de punição por parte do tenente Chang (Vithaya Pansringam). Mas quando a mãe de Billy, vinda dos Estados Unidos da América para enterrar o filho, traça um implacável plano de vingança diante do conformismo de Julian, que julga o destino de seu irmão algo justificável, devido a seu violento comportamento.

Em um cenário sem heróis, tratado com requintes de violência indigesta criada por uma tensão latente, o cineasta dinamarquês Nicolas Winding Refn cria uma lisérgica viagem ao inferno. Onde a trajetória dos personagens leva o espectador a uma obra repleta de referências e simbologias, algumas ocultas ao mesmo tempo em que outras estão explicitas. Com atuações fortes e uma narrativa que oscila entre a realidade e o devaneio, o roteiro também de responsabilidade de Refn, complica uma história simples sem direito a reviravoltas ou qualquer outro atrativo diferenciado. Sua principal energia reside nas atuações, em especial a de Kristin Scott Thomas, como a mãe deturbada e assustadora distante da representação materna convencional, que entrega um de seus melhores papéis de sua carreira. Ao mesmo tempo, temos Chang, um policial que adere ao movimento de vingança encrustado no enredo sem o ganho de contornos heroicos. Com uma história contada em ritmo lento, quase em slow motion, e em tons sombrios dados pela fotografia de Larry Smith, “Apenas Deus Perdoa” não se engrandece pela atuação de seu personagem principal, que vaga inúmeras vezes por mundo imaginário que desgasta desnecessariamente o espectador. Mas a culpa não é necessariamente de Ryan Gosling, mas do desenvolvimento da história de aparência ligeiramente experimental dada por Refn, que lapida excessivamente seu trabalho, sugerindo uma busca desconcertante por prolongar mais do que é possível sua obra.

Apenas Deus Perdoa” está longe de ser um filme ruim, como é lógica a sua capacidade de dividir espectadores quanto a um veredicto que o defina como um bom ou mal filme. E apesar de todo o esmero dado a sua estética, não chega a ser atraente como “Drive”, como também seus personagens tem seus obstáculos emocionais latentes marcados de algum egocentrismo, Refn se aproveita da situação e abusa do poder da sugestão a respeito do insólito.

Nota:  6,5/10 
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