quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Crítica: Os Homens que Encaravam Cabras | Um Filme de Grant Heslov (2009)


Bob Wilton (Ewan McGregor) é um jornalista americano, que quando foi abandonado pela esposa, Debora (Rebecca Mader), decide assumir a perigosa tarefa de fazer uma cobertura jornalistica sobre a Guerra do Iraque ocorrida em 2003. Porém encontra dificuldades em conseguir autorização para entrar no Iraque, sendo obrigado a permanecer hospedado em um hotel no Kuwait. Certo dia nas dependências do hotel, Bob acaba conhecendo Lyn Cassady (George Clooney), um soldado aposentado do exército norte americano, cujo o nome já lhe era familiar devido a uma entrevista que fez no passado sobre um soldado que afirmava ter feito parte de um exército que detinha poderes paranormais. Por coincidência, Lyn também integrava essa curiosa divisão especial das forças armadas chamada "Exército da Terra Nova", que era comandada pelo brigadeiro Bill Django (Jeff Bridges). O objetivo sumário dessa divisão era buscar a paz mundial ao invés do combate (através do constante treinamento da capacidade psíquica de soldados). Os soldados eram treinados por todo tipo de gurus e paranormais para terem a capacidade de ler mentes, atravessar paredes, mover objetos e inclusive em alguns casos, eles exercitavam a capacidade de matar uma cabra com um simples olhar e o poder da mente (o que explica a razão do título). Quando Lyn diz que precisa infiltrar-se no território iraquiano para completar uma missão secreta, Bob vê uma oportunidade para conseguir uma boa matéria. Juntos os dois arrumam muita confusão no Iraque, onde Bob passa a conhecer mais profundamente o misterioso exército ao qual Lyn integrava além de si mesmo. "Os Homens que Encaravam Cabras" (The Men Who Stare at Goats, 2009) é uma comédia estranha que satiriza de modo curioso o ambiente de guerra e alguns aspectos a sua volta.


Essa produção é tão estranha, que a mensagem que aparece no início dos créditos iniciais é a maior afirmação disso: "você ficaria surpreso com a quantidade de coisas nesse filme que são verídicas". Sem ter a intenção de desencadear do espectador risadas fáceis, essa produção procura fazer piada justamente com o improvável (o lado verídico da história), que deixa uma folga oportuna para isso. A razão pela qual as forças armadas americanas criaram o "Exército da Terra Nova" é de um surrealismo incrível (chega parecer brincadeira ou mentira, mas não é). Talvez seja a piada verídica mais intensa de um grande repertório de outras mais. Com sua história baseada no livro Jon Ronson, a premissa que até de longe se mostra absurda é muito bem aproveitada através do roteiro de Peter Straughan, como também o diretor Grant Heslov, consegue entregar uma comédia inteligente e original com um nível razoável de competência (também é um experiente ator, roteirista e sócio-produtor com George Clooney na produtora Smoke House). Com um elenco que embarca com habilidade na viagem da trama, Heslov obtêm boas interpretações do elenco de astros que compõe essa produção (Ewan McGregor, George Clooney, Jeff Bridges e Kevin Spacey) que tem ares do estilo irreverente dos irmãos Coen, mesmo não tendo o carisma envolvente de suas produções. Por fim, "Os Homens que Encaravam Cabras" por melhor que seja, também não é para todos os públicos.  Heslov criou sim, uma produção inegavelmente interessante, que se arma de crítica e boas intenções, mas que também causa uma estranha sensação da ausência de algo mais.  

Nota: 7/10
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4 comentários:

  1. Seu comentário me fez ter vontade de ver esse filme novamente. Aluguei na época do lançamento, mas não assisti com atenção, não me envolveu. Você tem bastante filmes interessantes comentados. Parabéns!

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    1. Obrigado Guilherme. Tento fazer o melhor com o pouco que sei. Procuro melhorar ao máximo a cada post. Infelizmente nem sempre sai de acordo como gostaria.

      abraço

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  2. Eu gostei mais do inicio do filme, achei o final meio sem graça. Esse filme é bom pra quem gosta de conspiração, e das "maravilhosas" ideias do exercito americano em criar novas armas.

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    1. Particularmente acho ser uma comédia sem graça, mas interessante em sua premissa considerando que o material que a inspirou foi baseado em fatos reais. Obviamente nem tudo foi levado ao pé da letra, mas segundo uma reportagem que vi na revista Época, sua essência se mostra intocada.

      abraço

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