quinta-feira, 18 de abril de 2013

Crítica: Anônimo | Um Filme de Roland Emmerich (2011)


O nome do cineasta Roland Emmerich sempre esteve associado a grandes filmes, de orçamento e pretensão. Responsável por filmes como “Soldado Universal” (1992), Independence Day” (1996), “Godzilla” (1998), “O Dia Depois do Amanhã” (2004) e “2012” (2009), onde a ação e a ficção cientifica geravam todo material necessário para seu legado, ninguém iria esperar alguma mudança de foco tão expressiva de um cineasta de comportamento previsível como ele. Após anos de dedicação a uma temática repetitiva, onde a materialização de grandes catástrofes e batalhas épicas sempre foram o chamariz de seu trabalho, o envolvimento de sua imagem a um filme de época dramático é no minimo curioso. E em meio a essa curiosidade, é que "Anônimo" (Anonymous, 2011) tem a capacidade de surpreender o espectador familiarizado ou não com sua filmografia. Aos conhecidos, pela mudança radical do enredo e a forma como ele é apresentado, e aos menos familiarizados, pelo resultado surpreendente que é entregue ao final de pouco mais de duas horas de projeção. Com sua história centrada em revelar o verdadeiro autor das obras de Willian Shakespeare, o roteiro de John Orloff é baseado numa teoria oxfordiana conspiratória, onde vemos o celebrado dramaturgo autor de 37 peças teatrais, ser reduzido a um Ghost Writer a serviço de um nobre da corte inglesa. Pela razão de suas origens humildes, a teoria ressalta algumas impossibilidades quanto a Willian ser realmente o autor dos textos, já que e o dramaturgo jamais publicou nada além de um acervo literário restrito.


Com mais detalhes para elucidar o polêmico enredo, a trama se passa na Inglaterra, durante o governo da rainha Elizabeth I (Joely Richardson/Vanessa Redgrave) e em meio as intrigas de sua sucessão. Nesse cenário, William Shakespeare (Rafe Spall) surge do palco teatral e se revela um dos dramaturgos mais prestigiados de sua época pela autoria de obras reverenciadas até hoje como "Othello", "Hamlet" e "Romeu e Julieta". Porém, isso porque a arte era vista de certo modo pela monarquia imoral e subversiva onde as autoridades discriminavam a categoria. Em vista disso, o Conde de Oxford, Edward de Vere (Rhys Ifans) o verdadeiro autor dessas obras usa de um escritor fantasma para materializar seu trabalho. Usando a princípio outro dramaturgo chamado Ben Johnson, o papel de autor cai nas mãos de Shakespeare, um ator beberrão e inescrupuloso, que ameaça delatar Edward caso não atenda a seus desejos e ambições. Entre trágicas paixões e relacionamentos conturbados, independente de quem escreveu os textos, as palavras escritas nessas obras mudaram imensuravelmente o destino dos envolvidos e marcaram acima de tudo a história da humanidade.

Apesar do tema intrigante que chama a atenção, a trama não segue os fatos com precisão, onde Emmerich se usa da liberdade poética para deixar a trama mais orgânica e acentuada com o formato dramático da narrativa. Faz menções aos acontecimentos reais e aos personagens da época em questão, entretanto não respeita a ordem cronológica dos fatos, ou as nuances acerca dos personagens. E é nesse momento que Emmerich demonstra indícios de um desejo de se reciclar dentro do cinema. Logicamente há passagens de ação e confrontos armados na tela, que no passado eram tudo que ele precisava para tocar para frente um projeto, mas que aqui, apenas exitem devido ao pano de fundo histórico que se passa em um momento delicado do reinado de Elizabeth. Demonstrando conhecimento técnico e habilidade em conduzir os acontecimentos descritos, o cineasta surpreende com a segurança com que desenvolve a fita. Através de uma imensidão de flashbacks dentro de um flashback, em uma transição bem feita, apresenta um bom nível de dramaticidade amparada por um requintada ambientação - cenários, figurinos cuidadosamente elegantes e fiéis para a época. O elenco funciona, apesar dos nomes pouco conhecidos em sua maioria que o compõem, como a trilha sonora agrada também ao enaltecer as imagens e os discursos providos de paixão. "Anônimo" é um filme de época no mínimo interessante. Improvável em vários aspectos, e somente pelo fato de existir, já é merecedor de receber uma salva-de-palmas.


Nota: 7,5/10

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2 comentários:

  1. Foi uma mudança radical em Emmerich, porém ainda não tive oportunidade de conferir.

    Abraço

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    1. Gostei muito, apesar de não ser excepcional. Mas agrada se comparado a sua filmografia dos exemplares dos últimos anos.

      abraço

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