quinta-feira, 31 de maio de 2012

Pin-ups Anunciam o Fim do Mundo

Agora que estamos seguros quanto ao adiamento do fim do mundo, profetizado pelo povo Maia, na data de 21 de dezembro de 2012 - desmitificado depois de recentes descobertas científicas  e arqueológicas - achei por bem, postar o trabalho do ilustrador e artista russo Andrew Tarusov, que criou um calendário mostrando catástrofes, em cada mês do ano, estampados com Pin-ups caracterizadas ao evento catastrófico e a estação.

Curtam! 
 Janeiro

Fevereiro

Março

Abril

Maio

Junho


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Agosto

Setembro

Outubro

Novembro

Dezembro

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Crítica: Os Perdedores | Um Filme de Sylvain White (2010)



Essa fita tem suas origens nas HQs – as mais remotas origens – criadas originalmente no final dos anos 60, pelo Rober Kanigher, onde seus personagens estavam ambientados em missões especiais na II Guerra Mundial. Era uma forma do autor de rever o papel americano dentro da história dos confrontos armados ocorridos, aplicando uma liberdade poética, e desmitificando verdades incontestáveis e por fim, causando consequentemente uma reação de reflexão. Anos depois, pós “11 de setembro”, o clima de aflição voltou com que foi chamado de “Guerra ao Terror”, quando noticiários explosivos sobre o Iraque e Afeganistão, tomavam a atenção da população novamente, criando um ambiente apropriado para a editora relançar um material mais contemporâneo dos personagens de Kanigher. Assim em 2003, porém roteirizada por Andy Diggle e desenhada por Jock, através do selo adulto da Vertigo/DC, ressuscitaram o grupo secreto midiático composto por: Clay, Roque, Vira-Latas, Jensen, Cougar e posteriormente pela Aisha – ainda preservando o título original (The Losers). O filme "Os Perdedores" (The Losers, 2010), mantém a trama similar as suas origens. O grupo, que articula ações militarizadas pelo mundo, busca vingança contra a CIA e, especialmente contra um agente chamado Max. Junto ao grupo especial, alia-se Aisha, também uma agente especial, que permanece ainda na ativa na agência, e passa a colaborar com a equipe de vingadores.



Os perdedores é um bom filme de entretenimento, justamente por que suas origens já se assemelhavam a um storyboard que esperava para ser filmado. Bem arquitetado e cheio de boas sacadas típicas que o cinema de ação requer, infelizmente também detém todos os defeitos possíveis ocorridos em produções do gênero já visto antes. Sua narrativa é tão ágil, que tonteia o espectador menos acostumado. Para um público típico da "Geração MTV", não vai passar de um clipe bem grande. E com essas características de formato, não deu para elenco e direção mostrar a diferença, ou algo magistral, nem ao menos um trabalho relevante em frente às câmeras, apesar de um elenco cativante e eclético como: Jeffrey Dean Morgan, Zoe Saldana, Idris Elba, Chris Evans e Jason Patric. Com cenas que se alternam entre a ação e o humor, bem característico hoje em dia nesse gênero, consegue tirar umas boas risadas e causar um efeito até positivo, mas nada muito original que ninguém ainda não tenha visto em outros derivados desse gênero. Exceto na aplicação da trilha sonora, um elemento que praticamente contracena com o elenco, tamanha a importância que lhe foi dada. Os ponto mais positivos dessa produção ficam destinados a direção de arte, pela escolha do formato e design dos cartazes de divulgação, criando verdadeiras capas de revista em tamanho gigante. "Os Perdedores" é fiel as suas origens em vários aspectos. Contudo isso não quer dizer que seja fenomenal, mas apenas divertido e muito, mas muito parecido com o remake de "Esquadrão Classe A" lançado simultaneamente. Sua exibição nos Estados Unidos não foi bem recebida, por isso talvez tenha sido lançado aqui no Brasil direto em DVD. No entanto, entre acertos e erros, não foi de todo mal, terem lançado esse filme direto em vídeo, até porque, por mais legal e bacana que tenha ficado, melhor mesmo será vê-lo em uma “Sessão da Tarde” daqui a uns dois anos.
 
Nota: 6,5/10


quinta-feira, 24 de maio de 2012

Resenha: O Batman vs Drácula | Animação




Em breve estará sendo exibido o ‘último’ filme da trilogia de Batman, feita pelo diretor Christopher Nolan. Porém o que poderia ser um ótimo filme alternativo para dar sequência ao sucesso do Cavaleiro das Trevas, infelizmente já virou uma animação, mal aproveitada por seus realizadores. A animação intitulada O Batman vs Drácula (The Batman vs Dracula, 2005) que une a obra de Bram Stocker em um confronto com a criação de Bob Kane, poderia ter sido levada mais a sério, e deixado de ser tão focada no público infantil.  E bota infantil nisso. Ficou muito alegre, colorida, suave e infantilizada. Se na produção tivesse sido optado por uma narrativa que priorizasse uma faixa etária mais alta e exigente, dando um tom mais sombrio a ideia, talvez tivessem levado as telas uma premissa do que poderia ser um fantástico filme nas mãos de um diretor capaz como as de Christopher Nolan.

A história é composta pelo pinguim escapando do Asylo Arkan, com o intuito de roubar um lendário tesouro enterrado no cemitério de Gotham City, onde por acidente desperta o famoso vampiro Drácula. A maior de todas as lendas do universo vampiresco. Assim começa um dos maiores duelos entre os dois homens morcegos mais conhecidos do mundo. Bem ambientada numa Gotham ao estilo dos anos 60, os personagens se caracterizam bem com vistos na série de TV. 

Com várias referências aos clássicos do horror, como o Drácula de Christopher Lee, Evil Dead e The Vampire Lovers - entre outras sutis citações a filmes do gênero, esse desenho tem seus momentos memoráveis. E mesmo tendo um ar de originalidade no confronto, o roteiro faz um produto voltado mesmo para crianças. Tudo e prol da segurança de fazer algo meramente visando um lucro fácil e esquecível.

Está faltando uma versão cinematográfica expressiva do confronto desses personagens, já que sempre houve certas alusões aos filmes de vampiro dentro da filmografia desse personagem, independente da autoria dos longas. No filme do Batman feito por Tim Burton, quando o Batman leva a repórter Vick Vale para o interior da Batcaverna, dizendo que tem algo para lhe mostrar, e levanta a capa cobrindo-a como nos filmes antigos de vampiros. E até mesmo o Espantalho, quando toma uma dose de seu próprio veneno, enxerga em alucinação um vampiro ao encarar o Batman de Christopher Nolan. 

Coincidências ou não, talvez uma continuação mais original e menos obvia para o destino desse personagem, poderia perpetuar o sucesso alcançado, já que ficou evidente que personagens de quadrinhos bem deixou de ser apenas coisa de adolescente e ganhou status de cool.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Crítica: A Vida Íntima de Pippa Lee | Um Filme de Rebbeca Muller (2009)




Enquanto a insônia não para de me atormentar nas madrugadas, a “Sessão de Gala” continua a me surpreender com preciosidades como esse longa, chamado "A Vida Íntima de Pippa Lee" (The Private Lives of Pippa Lee, 2009) da diretora Rebbeca Muller, onde ela dispõe e faz bom uso de um elenco estelar com nomes como: Robin Wright Penn, Alan Arkin, Keanu Reeves, Monica Bellucci, Juliane Moore e Winona Ryder - sem deixar ninguém menos importante na tela. Esse drama é focado em Pippa Lee (Robin Wright Penn) uma mulher madura de cerca de 50 anos, bonita, dedicada ao marido Herb (Alan Arkin) um editor de livros bem sucedido. Sempre zelosa quanto à saúde de seu marido, depois de diagnosticado problemas cardíacos, faz medições de pressão periódicas e ministra sua medicação severamente. Durante um jantar com seus amigos, que são sempre os mesmos, ela começa a se questionar quanto ao rumo de sua vida – aparentemente perfeita. Em um emaranhado de flashbacks de sua infância, adolescência a fase adulta, procura uma resposta para sua inexplicável infelicidade que lhe tem atormentado, inclusive causando sonambulismos e uma sensação de que algo está errado, apesar de não parecer aos olhos de sua família e amigos. 

E apesar de Pippa não ter tido uma juventude nada exemplar, cheia de controvérsias familiares - fugiu da casa de seus pais, por não aguentar mais a mãe viciada em antidepressivos e foi morar com a tia que se revelou lésbica - e companhias nada recomendáveis – passou a morar com hippies no auge do consumo das drogas – ainda assim foi destinada a uma vida de causar inveja a qualquer mulher, quando conheceu o seu marido Herb em uma festa cheia de artistas e intelectuais. Tornou-se mãe, e passou a viver em função de seu marido. Quando o filme pausa o passado, e foca em seu presente, pode-se ter a noção da proporção da profundidade de sua trajetória, que justifica a empatia do publico pelos personagens a sua volta. Como o de Keanu Reeves, recém-separado da mulher, que passa a morar com os pais, na casa ao lado de Pippa.  Seu peito tem uma enorme tatuagem de Jesus Cristo, de braços abertos, do período de quando tentou ser padre. De uma forma misteriosa, seus personagens acabam se completando, principalmente após a descoberta de Pippa quanta a certas questões familiares que envolvem traição, tragédia e morte. Pippa vive assombrada por seu passado, ao mesmo tempo em que tenta trilhar um novo futuro.

Apesar de um elenco fabuloso, que poderiam ter rendido duelos de atenção, o roteiro deixa espaço para todos fazerem seu melhor sem nenhum estrelismo, deixando ainda assim a história fluir naturalmente, transparecendo seu potencial, que mesmo composto em seu amago de simplicidade, a narrativa adotada para exibi-lo teve toda profundidade necessária para compor uma obra positiva. A história é adaptada de um romance da própria diretora, transformando-o em uma narração bem feita, sobre uma jornada de superação, autoconhecimento e cheia de viradas típicas da vida como ela é mesmo, fazendo dessa obra inédita até então aos meus olhos, uma preciosidade imperdível.

Nota: 7/10

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Crítica: Aventureiros do Bairro Perdido | Um Filme de John Carpenter (1986)




"Aventureiros do Bairro Proibido" (Big Trouble in the China, 1986) é uma produção oitentista de terror soft que virou cult depois de dezenas de exibições em “Sessão da Tarde” e “Temperatura Máxima”. É quase impossível você não ter esbarrado com esse longa-metragem em um desses horários. Entretenimento escapista, cheio de furos de roteiro e um fiasco de bilheteria da época que bebia da mesma fonte de superproduções como "Indiana Jones" e "Goonies". Suas pretensões ficam claras na própria trama, quando fazem uma comparação ao clássico “Alice no País das Maravilhas” e o “Mágico de Oz”. Os seus contornos são da mais pura fantasia. Com uma trama cheia de marcações fantasiosas, o caminhoneiro Jack Burton (Kurt Russel), vai parar no bairro de Chinatown depois que a noiva de seu amigo é raptada por membros de uma gangue. Jack e seus amigos buscam recuperá-la antes que um mago chinês de 2000 anos consiga através dela sua ressurreição. Com um roteiro cheio de coisas bizarras - artes marciais, bruxaria, monstros de fantasia – vai dando o tom desse longa-metragem realizado nos moldes de outras produções do diretor.


Com uma produção feita a facão, cheia de bizarrices que beiram ao trash, com monstros ridículos, efeitos especiais com direito a raios saindo da boca e dos olhos de entidades malignas chinesas, neon e muito mais, o filme vira um clássico na memória de qualquer um que tenha nascido no final da década de 70. Dirigido pelo famoso John Carpenter, diretor de outros filmes como esse que flertam com o terror e a fantasia, sem deixar de lado o bom humor, Jack Burton entra para sua galeria de personagens canastrões e paspalhos que até hoje divertem como nunca. Talvez a maior sacada do filme, seja mesmo seu protagonista, fazendo lembrar outras produções da época como "Tango e Cash", onde Russel faz parceria com Sylvestre Stallone. Não é a toa que Russel foi parar nas graças de um cineasta como Quentin Tarantino, no filme “À Prova de Morte”, pois vários trabalhos de antigamente feitos por Russel tinham um que de Grindhouse por consequência. Tosco, mas ainda assim memorável pelo resultado extremamente simpático do filme.


Nota: 7/10
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Crítica: Entrevista com o Vampiro | Um Filme de Neil Jordan (1994)


O mal é um ponto de vista (...) Deus mata, assim como nós; indiscriminadamente. Ele toma o mais rico e o mais pobre, assim como nós; pois nenhuma criatura sob os céus é como nós, nenhuma se parece tanto com Ele quanto nós mesmos, anjos negros não confinados aos parcos limites do inferno, mas perambulando por Sua terra e por todos os Seus reinos. – Lestat de Lioncourt 

Em uma época anterior ao sucesso indiscutível da saga "Crepúsculo", da escritora Stephenie Meyer (de importância questionável dependendo do público), outra autora reinava nesse gênero literário onde predomina o insinuante e sedutor universo mítico dos imortais vampiros. A escritora Anne Rice, autora de várias obras ligadas a esses seres incomuns, criou histórias fascinantes sobre essas criaturas sanguinárias, que anterior a sua intervenção, a única referência física de relevância existente era a obra de Drácula, de Bram Stoker.  Em 1976 Anne Rice publicou seu primeiro romance, Entrevista com o Vampiro, o primeiro de uma série que ficou conhecida como Crônicas Vampirescas. Composta com vários elementos existencialistas, religiosos e filosóficos, a autora desenvolveu personagens carregados de emoções complexas em meio à imensidão do tempo a qual disponibilizava suas criações. Seus vampiros atravessavam décadas, centenas de anos sob a penumbra, vivendo e sobrevivendo, com uma dádiva que com o tempo transformou-se em castigo.

O longa-metragem "Entrevista com o Vampiro" (Interview with the Vampire: The Vampire Chronicles, 1994), com uma trama que envereda em um jornalista chamado Daniel Malloy (Christian Slater) que passa as noites entrevistando pessoas estranhas que lhe possam contar boas histórias. Inusitadamente, ele começa a entrevistar Louis de Pointe du Lac (Brad Pitt), que relata sua historia de vida: sua trajetória como fazendeiro da Louisiana no século XVIII; de quando conheceu Lestat de Lioncourt (Tom Cruise); suas divergências com ele; a adoção sinistra de Claudia (Kirsten Dust); suas problemáticas perturbações sobre questionamentos existenciais e a descoberta da existência de outros vampiros, como o enigmático Armand (Antonio Banderas). Passada a premissa, Louis recém-viúvo atormentado pela solidão e a perda da esposa, cruza o caminho do solitário vampiro Lestat, despertando algo mais, do que a sede de sangue do predador. Lestat o deixa beirando a morte, quase exaurido, propondo uma alternativa perturbadora para sua salvação. Uma opção que posteriormente demonstrou-se igualmente fatal. Lestat o transforma em um vampiro, com a promessa de uma eternidade sem dor e remorso. Proposta aceita. Porém, após a transição, a perspectiva da eternidade ao preço da dizimação alheia era visto como inaceitável aos olhos de Louis. Assim seus instintos de sobrevivência, que lhe instigavam a consumir sangue, confrontavam-se direto com seus conceitos morais, que valorizava o dom da vida humana. Sua eternidade dependia da morte. Entre o dilema moral encrustado em sua alma, e o desejo incessante do consumo de sangue, somente encontrava dor e desgosto, ainda mais diante da perspectiva de toda a eternidade que estava por vir. 

A aliança com Claudia, à criança-vampira com quem vivem a décadas, dá contornos familiares à relação de Lestat com Luois, acalmando conflitos antigos, ao mesmo tempo em que criava outros novos. Em tom de guerra, Louis e Claudia abandonam Lestat a própria sorte, em uma Nova Orleans em chamas, em direção ao Velho Mundo em busca de outros iguais a eles. Onde por acaso conhecem o vampiro Armand, líder do Teatro dos Vampiros, em Paris – um vampiro manipulador, que faz bem o papel de juiz e executor. Enquanto Louis se apresentava sensível e emotivo em demasia, afogando-se em sofrimento, relutante por sua condição, Lestat detinha uma postura cética e impetuosa, um caçador em meio à sociedade, absolvido de qualquer pecado causado por sua natureza sobrenatural. Livre de culpa e questionamentos, conformado com seu destino e desprovido de dúvidas. Porém, mesmo não compartilhando da dor que lentamente devastava Louis, não indicava uma total insensibilidade, mas apenas características pessoais diferentes de seu companheiro. Lestat demonstra que por mais que não compartilhe de sua dor, evidencia a necessidade de companhia, uma afinidade emocional também humana que disfarça com violência e arrogância. Inclusive Armand, se analisado por sua trajetória literária, pode-se constatar sutis indícios de bondade. 

Com direção do irlandês Neil Jordan, guiado pelo roteiro de Anne Rice, que apenas adaptou seu livro aos moldes cinematográficos, junto a uma produção caprichada e competente, criaram um marco do cinema, moldado em tom de épico. Dois séculos de história, foram recriados perfeitamente para ambientar a trajetória de Louis, enriquecidos pelos detalhes e circunstâncias marcantes de suas locações. A escalação do elenco, polemica na época, mostrou-se perfeitamente antenada com a obra e a direção de Jordan, surpreendendo inclusive a autora da obra, que esperava que o ator Rutger Hauer interpretasse o personagem de Lestat. No entanto, após assistir ao filme concluído, declarou impressionada com o desempenho de Tom Cruise. Todo elenco central, demonstrou-se ao decorrer dos tempos, ser fabuloso e promissor. Um filme elegante, derivado da direção de Jordan, sobre uma impressionante odisseia sobre: amor, compaixão, imortalidade e amizade. Seus vampiros atravessam a eternidade detentores de uma dádiva de anseio humano, fascinantes pela complexidade de seus mistérios, porém solitários, agraciados com tempo de pouco proveito. Testemunhas da história, que narram à vida que observam, buscando uma resolução para seus anseios, que apenas refletem de forma distorcida as bem conhecidas necessidades humanas.

Nota: 9/10
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sexta-feira, 4 de maio de 2012

Os 300 de Esparta | HQs e Graphic Novels de Sucesso




Para quem ainda não assistiu ao filme “300”, do diretor Zack Snyder (Sucker Punch – Mundo Surreal e Watchmen), deveria conferir sua fonte antes de assistir ao filme. Encontrei em um “Sebo” está semana, por uma bagatela, o livro em perfeitas condições, que me inspirei a postar sobre minha sorte. Ou pelo menos sobre o fruto que descobri ter encontrado. Há no mercado uma famosa versão Widescreen da história de Frank Miller, da editora Devir, lançada em uma compilação de roupagem moderna, capa dura, papel luxuoso e na posição “deitada”, disponível para interessados da obra em uma roupagem mais requintada. Cada página vira uma exposição de arte através desse formato. 

A trama é uma abordagem romantizada e violenta da famosa Batalha de Termópilas, que ocorreu em 480 a.c, quando o rei de Esparta (Leônidas) reuniu um Exército de 300 homens e enfrentou o império persa, comandado pelo imperador Xerxes. O livro está recheado de batalhas sanguinolentas e reviravoltas que são um verdadeiro espetáculo visualmente personificado. As fontes de Miller para compor a obra, foram baseadas em descrições de Heródoto, quem primeiro romanceou a extraordinária batalha, que era contada em números, de 300 espartanos contra 4 milhões de persas. 

Sem se prender a detalhes verídicos da obra, deve-se comtemplar a beleza e o esmero do conteúdo proporcionado por Miller sobre um confronto heroico e desigual que salvou a Grécia e sua história. Apesar de ser conhecedor das fontes de Snyder para sua filmagem, fiquei impressionado com as semelhanças visuais do livro com o filme. 

 Uma comparação da cena do filme com sua versão em Quadrinhos.

Crítica: O Homem Duplo | Um Filme de Richard Linklater (2006)



O filme "O Homem Duplo" (A Scanner Darkly, 2006), foi a segunda incursão do diretor Richard Linklater no universo perfeccionista da animação, e uma evolução em comparação ao seu trabalho feito em “Waking Life, 2001”. Tanto um quanto o outro, foram realizados a partir de um processo chamado “Rotoscopia Interpolada”, onde a ação filmada dos atores reais passa por um processo de animação. O filme é uma adaptação do romance de ficção científica “A Scanner Darkly”, de Philip K. Dick, onde retrata o efeito das drogas sobre a natureza humana e como ela sistematicamente é aplicada pelo governo como ferramenta de manipulação da massa. 

O ator Keanu Reeves interpreta um agente disfarçado, que se infiltra no submundo da sociedade, a fim de combater a disseminação das drogas nas ruas. Nessa empreitada, Reeves acaba conhecendo personagens comuns e extraordinários, cheios de nebulosidades sobre a cabeça, como os interpretados por Woody Harrelson e Robert Downey Jr., que estão fortemente inseridos no submundo das drogas. O problema que Reeves, sendo usuário de drogas intenso para autenticar seu disfarce, passa a ficar confuso e perdido quanto as suas responsabilidades, e por vezes, paranoico quando a droga torna a ter domínio sobre suas ações e decisões. O filme tem uma narrativa sofisticada, atribuída pelo efeito da animação, com tom de alerta prioritário sobre o poder das drogas e seus efeitos nocivos sobre o homem, retratando o alcance da tragédia que seu consumo pode causar. Porém, o mundo não é retratado somente em tom de tragédia o tempo todo, como por exemplo, na negociata de Harrelson na compra de uma bicicleta de 18 marchas, adquirida por uma pechincha de um garoto, que desmorona pela intervenção de seus colegas dependentes e chapados. Sua viagem é hilária e cômica as avessas como poucas já interpretadas nas telonas. 

Com uma produção cheia de problemas técnicos, atrasos de produção, demissões e reajustes de datação da estréia, Richard Linklater fez um adaptação literária de uma obra lisérgica bastante inovadora. Mesmo adaptado para a época atual, todas as paranoias futuristas da obra estão pulverizadas no enredo sutilmente, não renegando suas origens que desencadearia uma fúria dos fãs do autor. Mesmo sendo uma animação – mais sofisticada do que aplicada em "Waking Life" – sua ambientação é bem suburbana, dando um toque de realismo ao enredo pela familiaridade, e acima de tudo, os atores estão totalmente reconhecíveis, justificando as dificuldades de animação sobre o live action. Um trabalho árduo que envolve centenas de profissionais com um objetivo comum.


Por fim, com uma história de ficção científica conceituada, o diretor Richard Linklater, autor de filmes tão desiguais quanto "Jovens, Loucos e Rebeldes", "Antes do Amanhecer" e "Escola de Rock"; criou uma obra inovadora, de ritmo lento que cresce lentamente e cativa o espectador, no entanto, sem chances de agradar a um publico que não simpatiza ou carisma com a arte de animação, independentemente da seriedade do projeto. 


Nota: 7,5/10
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quinta-feira, 3 de maio de 2012

Crítica: O Jogo da Paixão | Um Filme de Ron Shelton (1996)



O longa-metragem “O Jogo da Paixão” (Tin Cup, 1996) é um exemplo de comédia romântica bem intencionada, de uma época onde o gênero se difundia até virar uma febre que nos assombra até hoje sem novidades. Mais comédia do que romance, usa o universo dos golfistas profissionais e amadores sem muita complicação, como pano de fundo numa trama simples que rende boas risadas e situações inesperadas aos seus protagonistas. Com a história focada em um golfista fracassado conhecido pela alcunha de Tin Cup (Kevin Costner), que hoje dá aulas de golfe para ganhar a vida no Texas ao invés de desfrutar dela como todo grande veterano do golfe. A causa de seu fracasso: Certamente é seu temperamento instável que o coloca sempre em maus lençóis e que o condena. Contudo, mesmo assim ele está de bem com a vida, até o momento que ele conhece a psicóloga Molly Griswold (Rene Russo), a qual ele deveria apenas dar umas aulas de golfe, mas se apaixona por ela, mesmo sabendo que ela o julga um perfeito fracassado. Então ele decide impressiona-la de alguma forma, ganhando um importante campeonato de golfe, e mostrando todo seu potencial como ser humano.

Sendo o golfe, como também o beisebol e o futebol americano, esportes cujo repertório de regras é um pouco extenso e misterioso para a maioria das pessoas, no filme ele é bastante simplificado e muitas vezes deixado em segundo plano, quase de lado, por maior que seja sua importância e para não entediar os menos interessados pelo esporte em destaque. O espectador fica mais atento ao fato da bolinha entrar ou não no buraco, do que se prendendo aos inúmeros termos golfistas – birdie, putt, holly in one, drive, sand-wedge, caddie, tee, green, eagle, handicap, etc... – e sua criteriosa pontuação que determina o vencedor. Uma medida convencional como solução, deixando a mercê do espectador a percepção de distinguir através das expressões o vencedor do derrotado. A inserção de comentaristas esportivos durante o campeonato ajuda nessa empreitada convenientemente. O ator Kevin Costner fazendo par romântico com Rene Russo funciona melhor como comediantes, o que não é pecado, já que o filme não deixa de se uma festa popular no meio de uma elite esportiva daquela época, anterior a consagração do grande golfista Tiger Woods, hoje figura carimbada em grandes campeonatos mundiais. 

Com uma trilha sonora empolgante a cargo de William Ross, marcando bem a importância desse elemento e sua aplicação prática, acentua um colorido no clima árido do Texas e no silêncio de uma reflexão do protagonista quanto ao rumo de suas decisões. A direção fica de inteira responsabilidade de Ron Shelton, que também atua como roteirista, e mesmo não sendo campeão de público e crítica, não faz feio no campo do cinema de temática esportiva, em vista de outro filme que usa o beisebol nos mesmos moldes desse, tendo inclusive Costner como protagonista chamado “O Campo dos Sonhos”. Por mais que eu não tenha me transformado ao final do filme em um grande conhecedor do esporte, me diverti. E o que no fim, é o que realmente importa.

Nota: 7,5/10