quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Crítica: Onde Está Segunda? | Um Filme de Tommy Wirkola (2017)


Em 2073, a superpopulação causa uma preocupante crise mundial, resultando em uma rigorosa política de filho único imposta pela Agência de Alocação da Criança que é chefiada pela doutora Nicolette Cayman (Glenn Close). As crianças que excedem o limite são colocadas em estado de crio-sono a espera que o planeta um dia se recupere da escassez de recursos. Mas quando Karen Settman morre dando a luz a sete meninas gêmeas, o avô, Terrence Settman (Willem Dafoe) as adota sem o conhecimento das autoridades e as esconde da sociedade. As nomeando com os dias da semana e as ensinando a ser sempre a mesma pessoa através de rigorosos métodos ditados pelo avô, às sete gêmeas chegaram a idade adulta completamente despercebidas. Porém, quando Segunda (Noomi Rapace) desaparece, as outras abandonam o estado de reclusão e passam a ser perseguidas pelo governo. “Onde Está Segunda?” (What Happened to Monday, 2017) é uma produção de ação e ficção científica escrita por Max Botkin e Kerry Williamson. Dirigida por Tommy Wirkola (responsável pelo criticado “Jõao e Maria: Caçadores de Bruxas”, de 2013), essa é uma produção original da Netflix. Lançado em 18 de agosto de 2017 através do serviço de streaming, o filme obteve um respeitável índice de sucesso e um nível de qualidade satisfatório. Entretanto, realizado com a intenção de ser acessível e provocar adrenalina na plateia, o filme perde uma preciosa chance de ser memorável ao passar batido por temas relevantes de serem levantados pelo gênero.

O futuro distópico de “Onde Está Segunda?” é interessante e movimentado, mas também negligente quanto ao material que o enredo poderia potencializar. Claramente focado em gerar sequências de ação expressivas, esse objetivo é executado com um nível de excelência formidável. Sem exageros ou artifícios estéticos, as passagens de ação funcionam com competência. A criação da atmosfera futurista é eficiente, onde os acontecimentos se desdobram de forma tensa e ainda rendem algumas reviravoltas interessantes. Embora o roteiro seja marcado de algumas pontas soltas também, há um desperdício de não trabalhar com mais profundidade os conceitos presentes no enredo. Embora a atriz sueca Noomi Rapace esteja formidável em suas sete interpretações, as quais ela consegue conferir alguns diferenciais dramáticos interessantes, o roteiro se limita a diferencia-las com soluções fáceis. A presença de Willem Dafoe é uma incógnita por seu sumiço repentino da trama, enquanto Glenn Close é excessivamente caricata em seu desempenho. A questão da superpopulação é outro aspecto que carecia de mais aprofundamento, sendo que o roteiro também não se arrisca a propor soluções razoáveis. Além do mais, depois de muita correria que deixa um rastro de terror, o descamba para um desfecho quase que previsível e que lança essa ficção a um lugar comum. Sobretudo, “Onde Está Segunda?” se mostra um bom thriller de ação e sci-fi que vale a pena assistir, seja pela performance de sua protagonista ou pelas cenas de ação funcionais que provavelmente vão agradar fãs do gênero. Mesmo assim, poderia ser melhor. 

Nota:  6,5/10
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