segunda-feira, 22 de maio de 2017

Crítica: Homem Irracional | Um Filme de Woody Allen (2015)


Abe Lucas (Joaquin Phoenix) é um renomado professor de filosofia que se encontra no momento, vivenciando algo como o ápice de uma crise existencial enquanto leciona em um curso de verão de uma faculdade de cidade pequena. Entediado consigo mesmo e com a vida que leva, Abe transparece a todos a sua falta de motivação e passa os dias teorizando filosoficamente suas frustrações. Para ele os dias são uma tortura de perguntas e respostas que ele mesmo se faz e responde embasada por seus conhecimentos acadêmicos. Mas uma válida retomada de sucesso surge ao lado uma jovem estudante apaixonada, Jill Polard (Emma Stone) e num inesperado evento do acaso que desencadeou em seu corpo um novo propósito para viver. “Homem Irracional” (Irrational Man, 2015) é um drama no melhor estilo Hitckcockiano de se contar uma história que foi escrita e dirigida por Woody Allen. A versão de crime perfeito que não deixa suspeito introduzida por Woody Allen para essa produção se mostra satisfatória ao abordar certas angústias pessoais comuns do ser humano, além de alguns dilemas morais pouco explorados pelo cinema, mas preponderantes na vida do homem moderno diante do clima de impotência instalado pelo regimento de uma sociedade aparentemente civilizada.

Homem Irracional” tem todas as qualidades de um realizador competente como Woody Allen sempre se mostrou ser, embora seja unânime afirmar também, que se trata de um longa-metragem de menor alcance se comparado a alguns de seus filmes anteriores. Sua capacidade de escrever e dirigir estão ali presentes em cada minuto da película, seja no foco da história ou nos diálogos orgânicos, porém tudo apresentado com uma intensidade mais branda e sem alardes. Joaquin Phoenix e Emma Stone estão claramente num programa de diversão remunerado por seus personagens de professor idolatrado e estudante apaixonada (um delicioso e odioso clichê romântico que se recusa a morrer) onde passam a se conectar a principio de forma espontânea e depois de algum tempo por pressão por conceitos familiares como culpa e inocência; certo ou errado e impunidade ou justiça. O conjunto de interpretações funciona de modo agradável, seja pela atmosfera bem cuidada ou pela direção costumeiramente segura de seu realizador. Mas o roteiro começa promissor e se estende no decorrer do tempo a lugares bastante familiares aos sentidos (as comparações com “Pacto Sinistro” são inevitáveis a qualquer cinéfilo) que por fim manipula o espectador a acompanhar de forma maniqueísta a um trágico ou hilariante desfecho tão estranho quanto inteligente.

Por isso “Homem Irracional” é um bom filme que mostra um bom contador de histórias trabalhando. Depois de suas musas, particularmente acho ser essa a melhor qualidade do cinema de Woody Allen. E considerando a quantidade de realizadores dessa categoria em atividade, com o mesmo talento e capacitações de contar uma boa história que nos faça pelo menos passar o tempo de modo agradável, isso já é um bom motivo para conferir o crime imperfeito de Abe Lucas.

Nota:  7/10
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