domingo, 21 de maio de 2017

Crítica: Eu, Deus e Bin Laden | Um Filme de Larry Charles (2016)


Bastante frustrado com os esforços do governo dos Estados Unidos na captura do líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden após a tragédia do 11 de setembro, o patriota e excêntrico Gary Faulkner (Nicolas Cage), um empreiteiro do Colorado que depois de uma conversa pessoal com o próprio Deus (Russel Brand) decide embarcar de todas as formas possíveis para o Paquistão e fazer justiça. Entre os momentos de realidade e as alucinações causadas pela pouca frequência de seu comparecimento a diálise, sem recursos e armado apenas com espada samurai, Faulkner vaga pelo Paquistão determinado a cumprir a missão dada pelo Todo Poderoso e levar o terrorista à justiça dos Estados Unidos da América. “Eu, Deus e Bin Laden” (Army of One, 2016) é uma comédia escrita por Rajiv Joseph e Scott Rothman e dirigida por Larry Charles (responsável pelo sucesso de “Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão”, de 2006). Curiosamente os eventos retratados nesse longa-metragem têm como inspiração fatos reais baseados na vida desse estranho sujeito chamado Gary Faulkner que é interpretado por Nicolas Cage. Obviamente que sua absurda jornada não obteve o devido sucesso como ele havia planejado, mas ainda assim acabou rendendo em contrapartida alguma repercussão que resultou nessa estranha comédia.

Embora “Eu, Deus e Bin Laden” seja baseado em fatos reais, é importante que seja dito o quanto essa comédia é tão estranha quanto à ficção. Pouco do que é exibido na tela faz algum sentido e justifica sua presença. Mesmo que algumas piadas até funcionem bem (como quando Faulkner diz o quanto é possível poupar dinheiro quando não se paga seus credores ao mesmo tempo em que se mora no local de trabalho), em geral tudo é caótico. Muita correria que se arrasta a lugar nenhum demonstrando o quanto é difícil preencher a pobre premissa dessa produção com um material capaz de manter o interesse do espectador. O interesse de fazer piada com tudo (abusando de forma desenfreada das liberdades poéticas) demonstra o quanto o roteiro está perdido. E a prova disso se mostra quando a trama faz menção ao próprio Nicolas Cage, que no papel de Gary sugere que gostaria que o astro o interpretasse em sua cinebiografia. É muito apelo por segundo. Se a certa altura Deus, em uma das tantas conversas delirantes que teve com Gary em seus acessos de alucinação, imagine o que Nicolas Cage tem a pensar disso? Eu tenho acompanhado em silêncio os últimos anos da carreira do ator, que tem constantemente lançado filmes e percebo até nele mesmo a sua insatisfação com sua carreira.

Eu, Deus e Bin Laden” é o desperdício de uma premissa engraçada, seja pelo roteiro perdido ou pela direção bagunçada. Durante os créditos finais, imagens reais de Gary Faulkner são exibidas e o filme termina com uma declaração: “Gary está planejando usar o dinheiro ganho com este filme e comprar um rim para que ele possa continuar sua missão”. Particularmente espero que o estúdio tenha seguido os conselhos de Gary e dado calote nele com a intenção de poupar esse dinheiro.

Nota:  5/10   
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