sexta-feira, 5 de maio de 2017

Crítica: Cinquenta Tons Mais Escuros | Um Filme de James Foley (2017)


Dando segmento aos acontecimentos de “Cinquenta Tons de Cinza” (2015), o jovem milionário Christian Grey (Jamie Dornan) é abandonado por Anastasia “Ana” Steele (Dakota Johnson) devido aos excessos do passado. Enquanto Christian tem sido atormentado por feridas de seu passado que pensava ter superado e Anastasia se encontra inteiramente focada em sua carreira, uma promissora reaproximação se firma entre o casal quando o desejo se acende novamente. Mas quando ela estabelece novas condições para reatar os laços de paixão enquanto ele cede ao amor, questões mal resolvidas do passado podem impedir que os dois possam viver felizes para sempre. “Cinquenta Tons Mais Escuros” (Fifty Shades Darker, 2017), é um romance erótico baseado no segundo livro da famosa trilogia da escritora E. L. James. Convenientemente adaptado para o cinema por Niall Leonard e dirigido por James Foley para ser lançado no verdadeiro mês dos namorados, essa produção que atende a um especifico público (seja lá qual for exatamente) e ainda por cima, também é capaz de desagradar todo resto tem uma reputação que naturalmente precede seu lançamento e garante sua rentabilidade (chegou a faturar seis vezes mais ao seu custo). Querendo ou não, há centenas de obras similares no mercado que não chegam aos pés da lucratividade dessa produção (ou de sua antecessora) e dependendo do ponto de vista, o supera inclusive em qualidade, mas que desaparece no limbo por não ter sua fonte inspiradora em algum best-seller cultuado. E essa é a glória e a desgraça dessa trilogia iniciada em 2015.

Cinquenta Tons Mais Escuros” tem o peso de uma responsabilidade que não é sua. Seria como criticar um carro velho de não ter airbag. É injusto. Independente da qualidade literária da fonte, a trama em si não possui elementos narrativos próprios para o cinema que gerem fascínio de um espectador. A história decorre pela película feito uma novela entediante, onde as tentativas de reviravolta e momentos tensos não funcionam e os acontecimentos são arremessados ao público numa atmosfera de nenhuma importância aparente (o desastre do helicóptero foi de uma banalidade imensurável). Some-se aí uma pretensiosa direção de encomenda que não justificava a dança de cadeiras que fez James Foley ser o escolhido (a cena de abertura quando Christian ainda era criança é de pouca originalidade); uma crescente e inexplicável ausência de química entre os protagonistas comparado ao “Cinquenta Tons de Cinza”, que espero que se reverta até o fechamento dessa trilogia; o pouco talento de interpretação que marca o conjunto do elenco; uma estagnação de audácia na realização das cenas mais tórridas que o fez perder um de seus maiores atrativos ao grande público; e o pior de tudo ao meu ver: o senso de humor que tanto me agradou no primeiro simplesmente desapareceu por completo. Nenhuma piada engraçadinha foi disparada com precisão, normalmente adotada para conferir alguma leveza cômica a qualquer romance. E isso para mim foi a ultima gota, me levando a prever um triste fim ao terceiro episodio que será lançado em 2018.

Para muitos, “Cinquenta Tons Mais Escuros” é rotulado grosseiramente como lixo. Discordo veemente dessa afirmação, sendo que dependendo do lixo com o qual temos contato, dado o destino certo se pode reciclar e se ter um reaproveitamento adequado do material. O que consequentemente lhe pode conferir uma nova e inesperada utilidade ao produto. Infelizmente essa produção não tem a menor chance, além de engordar as finanças daqueles que custearam a iniciativa de sua realização.

Nota:  3/10      
_____________________________________________________________________________

Nenhum comentário:

Postar um comentário