domingo, 8 de maio de 2016

Crítica: Confissão de Assassinato | Um Filme de Jung Byung-Gil (2012)


Segundo um ditado popular: “A justiça tarda, mas não falha”. Mas essa afirmação não é totalmente correta ou ao menos segura. Considerando que em alguns casos que a justiça se mostrar tardia de mais, a falha é inevitável. Porque se um crime de assassinato sem solução, que não há a esperada punição ao assassino dentro de um período de tempo especifico, o crime acaba prescrevendo num prazo de 15 anos e o autor absolvido automaticamente como o crime arquivado permanentemente. O que consequentemente faz com que uma descoberta posterior a esse prazo acaba não implicando em mais nada ao autor. Sabendo disso, Lee Du-Seok (Park Shi-hoo) publica um livro autobiográfico em que descreve ser o autor de uma série de homicídios contra mulheres, justificado pelo o arrependimento de seus atos hediondos, onde convenientemente é lançado após 15 anos do ocorrido. Lee Du-Seok tem ares de galã de cinema e as suas revelações descritas em seu best-seller geram muita polemica e lhe conferem o status imediato de celebridade. Porém o detetive Choi (Jeong Jae-yeong), responsável pelas investigações dos homicídios na época suspeita que haja muito mais por trás dos fatos. Essa repentina aparição e confissão esconde muito mais do que um aparente arrependimento de um assassino em série que procura sob os holofotes da imprensa fazer as pazes com seu passado. “Confissão de Assassinato” (Nae-ga sal-in-beom-i-da, 2012) é uma produção sul-coreana do gênero suspense policial dirigida pelo estreante Jung Byung-Gil. Sem a fama de outros cineastas sul-coreanos como Park Chan-Wook (Oldboy) e Bong Joon-Ho (Expresso do Amanhã), o longa-metragem de estreia de Jung Byung-Gil somente sinaliza todo o potencial de mais um promissor diretor sul-coreano que não desperdiça o potencial do plot.


Confissão de Assassinato” não se difere em muito da maioria das produções sul-coreanas que tem como temática comum o crime, a vingança apresentadas com toques de brutalidade crua. Porém ao agrado dos espectadores, as formas como os cineastas de lá expõem esses aspectos faz toda a diferença. Pelo que parece, Jung Byung-Gil também tem essa capacidade de fugir do convencional e imprimir um toque autoral em seu trabalho. Alternando bem uma trama séria com boas passagens de humor, o diretor e roteirista Jung Byung-Gil é ágil com a câmera como poucos cineastas de seu país. Além de tudo, “Confissão de Assassinato” tem uma montagem bem elaborada que intensifica as grandes sacadas do roteiro que detêm ótimas reviravoltas (principalmente que antecipa o desfecho final), embora sua direção de fotografia seja irregular em certas passagens. Sobretudo isso também não atrapalha em nada a experiência pela qualidade de uma série de outros aspectos em redor dessa produção. Os atores, por exemplo, (que obviamente não são nomes de fácil reconhecimento do público ocidental) cumprem com seu papel de maneira magistral e se mostram escolhas bem sucedidas a proposta desse longa-metragem. A ação é outro ponto forte. Distante das cenas de luta genialmente coreografadas típicas do cinema de Hong Kong, as esperadas cenas de luta aqui são mais sujas assemelhando-se a brigas de rua; enquanto as perseguições de carro, as correrias e os tiroteios se afirmam sem censura na ficção. Trata-se de um típico filme que surge e morre em festivais de cinema, e vem apenas a serem descobertos pelo grande público através de canais de TV paga, embora isso não diminua a intensidade do desenvolvimento apresentado pelo longa-metragem. Apenas se mostra um reconhecimento atrasado de sua potencialidade. No final das contas, “Confissão de Assassinato” tem potencial de entretenimento sobrando e não faz feio diante de nenhuma produção de Hollywood do mesmo gênero.

Nota: 7,5/10 
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2 comentários:

  1. Gostei da dica, não conhecia este filme.

    Abraço

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    1. Assisti por indicação de um amigo e gostei muito. Estava devendo a ele essa resenha, já que eu o havia assistido ano passado.

      abraço

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