quarta-feira, 20 de abril de 2016

Crítica: A Visita | Um Filme de M. Night Shyamalan (2015)


Afastada dos pais há muitos anos, Paula Jamison (Kathryn Hahn) é surpreendida com a inesperada notícia de que seus filhos, Becca (Olivia DeJonge) e Tyler (Ed Oxenbould) irão visitar durante alguns dias seus avós. Devido a um mal-estar do passado entre eles e sua mãe, até então as crianças nunca haviam os vistos e somente tinham ouvido falar deles. Então foram mandados a uma pequena cidade do interior e logo conhecem o casal de idosos e a casa onde sua mãe viveu sua infância. Mas o clima pitoresco e hospitaleiro da chegada aos poucos vai se deteriorando com o passar dos dias, e as chances dois jovens adolescentes de voltar para casa diminuem com o passar do tempo quando coisas estranhas e assustadoras começam a acontecer em volta dos velhinhos. “A Visita” (The Visit, 2015) é um drama estadunidense de terror e suspense escrito e dirigido por M. Night Shyamalan (responsável por filmes como “O Sexto Sentido”, “Corpo Fechado”, “A Vila”, entre outros mais). Diferentemente de todos os seus trabalhos anteriores, tanto dos seus fracassos como de seus sucessos, M. Night Shyamalan acerta com um bom nível de precisão ao adotar o conceito de found footage (o estilo de falso documentário que ganhou o mundo depois do sucesso de “Bruxa de Blair” em 1999). Abrindo mão dos amplos recursos audiovisuais sempre presentes em todos os seus trabalhos, que sempre foram possibilitados por orçamentos rechonchudos (leia-se “O Último Mestre do Ar” e “Depois da Terra), aqui Shyamalan volta as suas raízes de gênero (o suspense e o terror) e aos orçamentos mirrados (o orçamento de “A Visita” gira em volta de 5 milhões de dólares) e entrega seu melhor filme em anos.

O cineasta acerta nos moldes que adota para “A Visita”. Numa mistura interessante de comédia e terror, o enredo se encaixa de forma convincente com o formato found footage. O desejo da jovem Becca de ser uma promissora cineasta se materializa convenientemente com a atitude de fazer um documentário sobre a viagem para a casa dos avós. Assim tudo é gravado, desde os acontecimentos mais corriqueiros e simplórios até as situações mais tensas e projetadas para o documentário como quando realiza algumas entrevistas típicas do formato documental. O estilo found footage compensa as carências dramatúrgicas do elenco e beneficia a atmosfera de suspense que se instala no filme. Embora a apresentação dos acontecimentos seja feita num formato inédito para o diretor, a essência de seu trabalho, como alguns aspectos fortes de seus outros filmes se mostra presente nesse trabalho também. A história rende uma boa premissa, que nas mãos de um realizador pouco criativo se perderia fácil; Shyamalan também se arma de um punhado de boas sacadas sempre necessárias em um bom filme de suspense ao inserir alguns sustos falsos e situações bizarras ao longo da projeção; há uma grande reviravolta nos acontecimentos como sempre é esperado em seus filmes autorais e que nesse caso deixa o espectador boquiaberto, porque vem na hora em que menos se espera; há algum aspecto mal resolvido do passado dos personagens principais que se torna um elemento chave em algum momento crucial do filme e um final emotivo complementar seguido de um inesperado bem-humorado.

A Visita” não de todo um exemplo de excelência em todos os aspectos. Os diálogos são um pouco descartáveis na maior parte do tempo, como a montagem segue uma cartilha pouco rica visualmente que herda as falhas da linha do tempo que nunca realmente é clara. Mas o resultado funciona ao seu modo como um ótimo exemplar de filme found footage, bem melhor do que a maioria dos filmes lançados nesse formato nos últimos anos.

Nota:  7/10
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2 comentários:

  1. O nome de M. Night Shyamalan já foi uma grade referência. Ao ver o nome dele já instigava para saber com o que ele iria nos trazer de novo e com qualidade. Infelizmente como você mesmo citou, ele não fez grandes coisas nos últimos anos e fico feliz que este filme ao menos parece ter resgatado um pouco de sua essência. Vou conferir.

    abraços.

    André Betioli.

    3quenaoda1.blogspot.com.br

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    1. Eu particularmente me recuso a correr para assistir qualquer grande filme de M. Night Shyamalan bancado por um grande estúdio (tipo "O Último Mestre do Ar"), ou baseado em algum roteiro que não seja de sua total autoria (tipo "Depois da Terra").

      O filme tem que ser pelo menos 80 porcento dele. Porque até seus menores trabalhos conferem algum charme maior do que os dois que citei. Claro: "A Dama da Aguá" é uma decepcionante exceção, embora respeite seu propósito de experimentalismo que adotou a obra.

      Mas como dizem por aí: "Em time que está ganhando não se mexe". Gosto do estilo dele de filmar e sempre acho muito curiosas as histórias que o cineasta cria para seus filmes, embora reconheça que mesmo não sendo interligadas, ainda assim seguem uma sutil fórmula de sucesso.

      abraço

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