quarta-feira, 13 de abril de 2016

Crítica: Deadpool | Um Filme de Tim Miller (2016)


Wade Wilson (Ryan Reynolds) é um ex-militar das forças especiais americanas que hoje leva a vida como um despretensioso mercenário. Vivendo uma intensa paixão com uma jovem stripper, Vanessa Carlysle (Morena Baccarin), onde a convivência mostra que foram feitos um para o outro, a vida o golpeia inesperadamente com a notícia de um diagnóstico de câncer em estado terminal. Mas Wade encontra a possibilidade de cura em um sinistro experimento científico conduzido por Francis Freeman (Ed Skrein) que além de lhe conferir a sobrevivência e uma impressionante capacidade de se curar diante dos mais agressivos ferimentos, também lhe marcaram o corpo com horrendas cicatrizes que o desfigurou completamente. Num embate entre os dois, Wade é deixado para morrer e abandonado à própria sorte. Recuperado e sedento por uma vingança, Wade adota a alcunha de Deadpool e traça um plano de justiça para encontrar o responsável por sua desfiguração obrigando-o a concertar as marcas deixadas pela experiência mutante para que ele possa voltar para seu grande amor sem a aparência monstruosa com que ele se encontra. “Deadpool” (Deadpool, 2016) é uma produção de ação e comédia baseada no personagem e anti-herói da Marvel Comics. Produzida e estrelada por Ryan Reynolds, o filme é dirigido pelo estreante Tim Miller (um talentoso diretor criativo e habilidoso criador de efeitos visuais em famosas produções estadunidenses). Diferentemente dos demais filmes do selo da Marvel apresentados até agora, “Deadpool” vem para surpreender novos espectadores ao descontruir tabus. Mantendo-se fiel a revista em quadrinhos, essa produção não poupa o espectador de diálogos chulos, situações constrangedoras e como não podiam faltar muitas cenas de ação impecáveis.

Deadpool” é um filme autoconsciente. Ele (o personagem título) sabe que se trata de mais um filme de super-heróis e não se censura em fazer inesperadas interações com o público de forma bastante informal para evidenciar isso, seja nos diálogos ou em atitudes. Deadpool faz comentários escabrosos de cujo sexual e menções a cultura pop sem concessões auxiliado por uma montagem bem elaborada; brinca com o público em passagens completamente inesperadas com a mesma naturalidade com que dizima seus oponentes e também deixa qualquer traço de elegância típica dos icônicos X-Men de lado da mesma forma que o espectador releva suas atitudes politicamente incorretas para que ele possa dar curso a sua história de amor com Vanessa Carlysle. Inclusive Wade a certa altura do filme avisa: “Deadpool” não é uma história de super-heróis, mas uma história de amor (evidentemente às avessas como tudo a seu respeito). Talvez Ryan Reynolds tenha finalmente se achado no universo dos quadrinhos, isso depois de uma vexaminosa experiência como Lanterna Verde e uma criticada interpretação de Deadpool em “X-Men Origens: Wolverine”, como um dia Chris Evans já esteve perdido ao interpretar o Tocha-Humana em “O Quarteto Fantástico”. Ponto para Reynolds por revisitar de corpo e alma uma experiência negativa e transformá-la em um imbatível sucesso. Com um orçamento mirrado para os padrões de filmes do gênero (58 milhões de dólares), Tim Miller entrega um produto bastante ajustado ao que se propõe. Ao mesclar um roteiro enxuto (de responsabilidade de Rhett Reese e Paul Wernick) de trama simples armado de boas sacadas em seu enredo (onde Wade brinca com os clichês dos filmes do gênero), uma dose de humor politicamente incorreto que remete a lembrança de produções juvenis marcadas de bebedeiras e erotismo barato e muitas cenas de ação elaborada como esperado.

O resultado dessa produção é que “Deadpool” é tão bom quanto inesperado. Embora apenas extrapole as soluções dadas como certas e respeitadas com certo rigor no universo da Marvel, muita vezes de modo desnecessário e arrisque ao conferir uma narrativa diferente por sua autoconsciência, tanto Reynolds quanto Tim Miller entregam um filme ligeiramente surpreendente. E não somente por ele existir, o que seria a parte mais fácil da empreitada. Mas porque no final das contas ele funciona mesmo da forma que é ao que se propõe: entreter e divertir sem compromissos transcendentais.

Nota:  8/10
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2 comentários:

  1. Concordo com seu texto, o filme cumpriu muito bem o seu papel de entreter sem ter aquele "peso" de dar certo.
    Vamos aguardar pela sequência!

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    1. Com uma campanha de marketing bastante criativa, um orçamento moderado para o gênero e bastante criatividade e comprometimento com o produto desejado, "Deadpool" consegue surpreender bastante pelo nível de qualidade que exibe.

      Está longe de ser grandioso, mas está bem acima de uma série de outras adaptações realizadas nos últimos anos. Eu nem conhecia a reputação do personagem nos quadrinhos, eu confesso, mas gostei muito do resultado desse longa-metragem.

      abraço

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