quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Crítica: Intocáveis | Um Filme de Olivier Nakache e Éric Toledano (2011)


Phillippe Cluzet (François Cluzet) é um educado milionário francês que após um acidente ficou tetraplégico. Embora esteja sempre cercado de funcionários, devido a sua delicada condição física ele precisa de um auxiliar de enfermagem para ajuda-lo nas tarefas mais simples de seu cotidiano. Fato que consequentemente o deprime diante da vida. Diante da inevitável necessidade de uma nova contratação de um profissional para auxilia-lo nas rotineiras tarefas, entre muitos candidatos surge o recém-libertado da prisão, Driss (Omar Sy), um senegalês radicado nos subúrbios de Paris que se candidatou para a vaga de enfermeiro apenas para cumprir com as formalidades de sua soltura. Porém, Driss de uma forma um tanto estranha cativa seu contratante, e dessa estranha união de opostos surge uma inesperada amizade que fará com que Phillippe venha a encontrar novamente o prazer de viver que lhe foi tomado após o trágico acidente. “Intocáveis” (Intouchables, 2011) é uma comédia dramática francesa escrita e realizada por Olivier Nakache e Éric Toledano. Baseada na real história de amizade entre o milionário Philippe Pozzo di Borgo e o jovem argelino, Abdel Selou, abordada no livro autobiográfico Le Secound Souffle, essa história já havia rendido um documentário chamado “A La Vie, à La Mort” e dois best-sellers, um escrito por Philippe e outro por Abdel. De contornos dramáticos sensíveis que habilidosamente foram equilibrados com uma boa dose de humor, a dupla de cineastas franceses, Olivier Nakache e Éric Toledano conseguem entregar um produto tipicamente americano em sua essência, entretanto imensamente mais inspirado e divertido do que a maioria de produções do gênero oriundas do mercado norte-americano.


Um imbatível sucesso de bilheteria na França (o filme bateu recordes de bilheteria se tornando no final das contas uma das produções francesas mais rentáveis da história do cinema francês), “Intocáveis” conquistou rapidamente o mundo com sua forma simples e sincera de mexer com as emoções contidas do público. Sobretudo, da crítica que não poupa elogios para sua forma acessível e equilibrada de emocionar. Essa produção tem inúmeras indicações e ganhou vários prêmios nos mais variados festivais de cinema pelo mundo, o que mostra que a história da improvável e sincera amizade de dois sujeitos tão diferentes aos olhos da maioria das pessoas (um negro suburbano sobrecarregado de problemas e um aristocrata inacessível) ganhou merecidamente a empatia dos mais variados públicos do mundo. Brilhantemente protagonizado por François Cluzet e Omar Sy, auxiliados promissoramente por um elenco de apoio igualmente inspirado (com destaque para Anne Le Ny no papel de governanta da residência do aristocrata), o filme tem em seu conjunto de elementos bem relacionados com a fórmula a qual adota para fazer sucesso a sólida sabedoria de como agradar. Desprovido de melodramas forçados que são geralmente ocasionados por roteiros insistentemente acomodados e apelativos, o filme tem na química agradável que rola entre os protagonistas, muitas vezes gerando momentos vibrantes no ritmo, o seu maior acerto. Além de tudo é claro, essa produção tem uma genial trilha sonora que pontua momentos cruciais do andamento da trama, como um conjunto técnico vistoso. “Intocáveis” é um programa leve e divertido, que deixa com toda elegância francesa, uma infinidade de outras produções parecidas no esquecimento.

Nota:  8/10
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4 comentários:

  1. eu gostei muito. o que o cadeirante gosta no cuidador é que ele não tem pena do cadeirante. não o trata como coitadinho. para mim o grande trunfo do filme. o cuidador que inspirou o filme não era negro. era árabe. beijos, pedrita

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    1. Verdade. Ele era argelino e não senegalês.

      bjus

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  2. Não tive oportunidade de assistir ainda, mas com certeza vou gostar, parece ser muito cativante.
    Abs Marcelo !

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    1. É quase impossível não simpatizar com o filme. É ótimo!

      abraço

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