quinta-feira, 12 de março de 2015

Crítica: O Albergue | Um Filme de Eli Roth (2005)


Quando dois estudantes americanos, Paxton (Jay Hernandez) e Josh (Derek Richardson) traçam uma viagem de mochileiros pela Europa, não imaginam os perigos que essa viagem pode lhes oferecer. Ao conhecerem Oli (Eythor Gudjonson) surge a dica que as mulheres mais fantásticas do continente se encontram na Eslováquia, em especial na capital Bratislava, onde se perdem de amores por duas exóticas garotas. Mas ao contrário do que esperavam, ambos são capturados para servir de entretenimento para bilionários entediados, cuja única satisfação é torturar seres humanos até a morte. “O Albergue” (Hostel, 2005) é um filme de terror dirigido pelo sádico ator e cineasta Eli Roth (responsável por “Cabana do Inferno”, outro filme de terror de 2002). Produzido por ninguém menos do que por seu amigo Quentin Tarantino, essa produção mexe com o imaginário do espectador, sendo que a certa altura da divulgação do longa-metragem seus responsáveis sugeriram em entrevistas que o filme havia sido inspirado em fatos reais. O que se sabe é que a existência de um site Tailandês, que oferecia uma espécie de férias oferecendo aos usuários a oportunidade de torturar e matar alguém por um preço pré-estabelecido, motivou Roth e Tarantino a escrever a história, embora haja controvérsias sobre a veracidade dessa página. Mas uma coisa é certa: “O Albergue” cumpre o que promete, ao extremar os limites do que o cinema mainstream pode mostrar, conferindo a essa produção um lugar de destaque entre os filmes mais violentos realizados na última década.


O Albergue” pode ser dividido em duas partes: na primeira estampa a leveza de um movie road estudantil descompromissado com constantes toques de nudez gratuita e inevitável erotismo, com atuações funcionais e um desenvolvimento ralo para uma transição a segunda parte, onde se inicia aí, o que se pode chamar de uma verdadeira descida ao inferno. O filme perde os contornos de festa e sensualidade e ganha contornos sombrios e irremediavelmente violentos. Repleto de cenas com violência explicita, com brutais torturas (com direito a muito sangue jorrando, vísceras expostas e dilacerações), o método adotado por Eli Roth para com seu trabalho o deixa com uma forte inclinação para o gênero de “torture porn”. Embora a trama seja simplista, o desenvolvimento previsível e o desfecho apressado, o trabalho de Eli Roth se sustenta com habilidade, o que explica inclusive o surgimento de duas sequências para essa produção anos depois (“O Albergue 2”, de 2007 e “O Albergue 3”, de 2011). Criado com cerca de 4,8 milhões, faturou vinte vezes mais o que lhe confere um selo de lucratividade invejável dentro do gênero e fora dele. Por fim, “O Albergue” é um perigoso experimento surgido da mistura do terror dos anos 70, que esbanja sintomas doentios em sua duração, com as regras dos anos 80 (onde a nudez e o sangue são expostos em iguais proporções), mas com toques de elegância do cinema de terror oriental que resulta em um filme para estômagos fortes e nervos de aço.

Nota:  7/10
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2 comentários:

  1. O clima de terror e suspense é competente, mas o excesso de sangue resulta quase num açougue humano.

    Gosto de terror, mas este passa dos limites.

    Abraço

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    1. Particularmente também aprecio filmes de terror mais limpos, mas em comparação a este já vi outros cometerem mais excessos sem um resultado tão positivo.

      abraço

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