sexta-feira, 20 de março de 2015

Crítica: Locke | Um Filme de Steven Knight (2014)


As vésperas da realização de um dos maiores projetos de construção civil da Europa, Ivan Locke (Tom Hardy), um competente gerente de um canteiro de obras é obrigado a tomar uma decisão que pode mudar o rumo de sua vida. Uma decisão difícil que irá causar espanto e choque a todos os seus conhecidos. Ele recebe uma notícia bombástica que o leva a dirigir com urgência da cidade de Birmingham até Londres, aonde no banco do carro, em rápidas interações telefônicas com colegas de trabalho, família e uma antiga conhecida, Ivan faz um profundo retrospecto de seu passado e sem concessões estabelece um novo futuro para si, doa a quem doer. “Locke” (Locke, 2013) é um competente drama de baixo orçamento escrito e dirigido por Steven Knight, que outrora escreveu o roteiro de “Senhores do Crime”, longa-metragem realizado por David Cronenberg em 2008. Aqui em seu segundo filme como diretor, Knight apresenta uma proposta sempre tão corajosa quanto eficiente para se contar uma história. A história desse filme é simplesmente toda contada com apenas um ator em cena e um único cenário: no confinamento de um automóvel BMW ao qual dirige incessantemente, Locke se apresenta e nos familiariza com seu mundo construído com solidez e que passa a desmoronar repentinamente. Durante a viagem de uma cidade a outra, o ator faz e recebe inúmeras ligações telefônicas que interagidas através do viva-voz do carro familiariza o espectador com sua vida passada, e suas inesperadas expectativas para o futuro.


Locke” em resumo é uma produção bem diferente do que estamos acostumados a ver. Na verdade é noventa e nove porcento diferente do que estamos habituados a ver em tempos onde cada vez mais as histórias tem ganhado proporções épicas. Embora tenham surgido cada vez mais filmes com propostas semelhantes de minimalismo a cada ano (Enterrado Vivo”, de Rodrigo Cortés, ou “Gravidade”, de Alfonso Cuarón), ainda são poucas opções diante de produções que adotam métodos convencionais de se contar uma história. Aqui a regra do “menos é mais” se aplica veemente. E somente por isso, essa produção já mereceria um pouco de atenção por parte do espectador. Sobretudo, o trabalho de Steven Knight demonstra excelência e segurança, tanto textual quanto narrativa. Embora tenha algumas falhas (o roteiro se prende a alguns simbolismos que não agregam praticamente nada ao desenvolvimento), pequenas comparadas à grandiosidade do resultado. Em uma sensacional interpretação, Tom Hardy nos brinda com as mais diversas emoções, que vão de tensão a sentimentalismos, passando por devaneios que são obviamente enriquecidos por um argumento enxuto criado por Steven Knight e uma montagem funcional que intensifica o desenvolvimento da história. Com uma direção de fotografia belíssima, que confere um brilho todo especial ao trajeto noturno que Hardy percorre, demonstra o quanto inteligente que é o conjunto técnico que compõe essa produção. Mas é necessário dizer que, “Locke” não é um filme para todos públicos, como outros filmes que possuem suas características narrativas, já que as suas limitações físicas atraentes para uma determinada gama de espectadores também pode ser considerado como um derradeiro defeito para outros mais.

Nota:  7,5/10 
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2 comentários:

  1. "onde cada vez mais as histórias tem ganhado proporções épicas"
    Cara, tô cansado de tanta porcaria com verniz de filme épico e superprodução.

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    1. Esse tipo de filme aqui tem uma proposta muito arriscada (elenco reduzido ao mínimo, temas muito particulares e pouca divulgação do resultado). Até entendo a ausência de mais exemplares parecidos, mas em compensação os que chegam a mim por acaso, se mostram muito bons ainda que imagine que outros lançamentos de resultado negativo em circulação. Sobretudo, tive sorte.

      abraço

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