segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Crítica: Vamos ser Tiras | Um Filme de Luke Greenfield (2014)


Ryan (Jake Johnson) e Justin (Damon Wayans Jr.) são grandes amigos que vivem estagnados na vida. Após incessantes fracassos na vida profissional e pessoal, ambos estão prestes a se darem por vencidos pelo destino e voltar para sua cidade natal. Principalmente quando, ao ver que todos os seus conhecidos do passado se deram bem, menos eles, ambos começam a perceber que jamais irão alcançar o sucesso. Mas quando resolvem a ir a uma festa de máscaras de antigos colegas do colegial vestidos de policiais, eles são surpreendidos com o fato de que todas as pessoas pelas quais cruzam o seu caminho os veem como verdadeiros policiais, esses dois encontram nessa fantasia um estranho objetivo para dar sentido à vida. No entanto, esses falsos policiais cruzam o caminho de perigosos mafiosos e se veem obrigados a travar uma verdadeira e perigosa luta contra o crime. “Vamos ser Tiras” (Let’s Be Cops, 2014) é um filme de comédia estadunidense dirigido pelo nova-iorquino Luke Greenfield (de “Um Show de Vizinha” de 2004 e “O Noivo da Minha Melhor Amiga” de 2011). Escrito pelo próprio Luke Greenfield em parceria com Nicholas Thomas, essa produção vem para surpreender o espectador desavisado ao mesmo tempo em que pinta um grande alvo no peito para críticos mais severos com filmes desse gênero. Por isso, a trama em si se mostra corajosa, embora seja bobinha e surreal. O enredo que leva a brincadeira infantil do faz de conta (polícia pega ladrão), em suma não se deve levar a sério por mais divertida que possa ser. Assim, se o espectador embarcar nessa proposta improvável onde dois adultos convictos fazem do uniforme de policial uma bem-vinda terapia ocupacional, pode-se por fim se tirar um bom proveito dessa produção.


Tendo um desenvolvimento que corre em alguns aspectos semelhantemente na linha de “Um Tira Muito Suspeito” (1999), o filme “Vamos ser Tiras” apresenta situações cômicas clichês em uma trama policial tosca ao extremo. Até aí tudo bem, algo mais do que previsível em produção dessas. Mas a carismática performance da dupla de protagonistas, combinada com situações bem aproveitadas fazem dessa produção um filme para ser apenas assistido desarmado de observações céticas, que o elevam a um nível de excelência acima da média. Tanto Jake Johnson como Damon Wayans Jr. estão ótimos em suas interpretações para uma comédia despretensiosa que arranca boas risadas do espectador que se coloca diante de um filme esperando apenas um bom divertimento. E a crítica especializada goste ou não, isso já basta para não condenar o trabalho de Luke Greenfield. O despreparo da dupla diante de ações policiais que requerem atitude gera momentos muito divertidos. Ainda que seja mais atrativo para ser visto diretamente na telinha, talvez ganhe algum reconhecimento merecido no cinema, embora eu volto a afirmar que sua narrativa se encaixe bem ao formato televisionado. Boas piadas são permeadas por toda produção e seu desenvolvimento ainda tem um fator de dissipar uma mensagem positiva ao espectador. Por isso, com uma estrutura cinematográfica previsível que nos leva a um clímax convenientemente sincero, “Vamos ser Tiras” é hilariante sem ser forçado (nas mãos de um Adam Sandler com certeza sairia um outro tipo de filme). Vale assistir pela leveza do coração bem intencionado que reside nas suas quase duas horas de duração.

Nota: 7,5/10
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