quinta-feira, 12 de junho de 2014

Crítica: Pompeia | Um Filme de Paul W. S. Anderson (2014)


Pompeia” (Pompeii, 2014) é o mais recente filme-catástrofe dirigido por Paul W. S. Anderson, diretor responsável por uma série de filmes de qualidade cambaleante. Inspirado pelo fato histórico no qual a cidade de Pompeia foi completamente destruída pela erupção do Monte Vesúvio no ano de 79 D.C., qualquer vestígios de fatos que possam marcar essa produção acabam por aí, em sua inspiração. Previsivelmente Paul W. S. Anderson entrega uma produção similar a sua extensa filmografia: um blockbuster, este catástrofe com todos os requintes e contornos de exagero possíveis que se poderia conceder aos rios de lava que consumiram as imediações da cidade portuária de Pompeia. E por essa razão qualquer crítica negativa ao seu trabalho se mostra mais do que desnecessária, sendo que vindo dele, não poderia ser diferente. Depois de fazer uma releitura do grande sucesso de Alexandre Dumas, (Os Três Mosqueteiros, 2011) com várias liberdades poéticas, era mais do que esperado vermos um produto desprendido de fidelidade, sobretudo de originalidade. É óbvio que o trabalho de Anderson passa longe de querer ser relevante historicamente, como transparece que o fatídico momento da erupção é onde o diretor melhor orquestra seu espetáculo visual de chamas que o desastre natural possibilita. “Pompeia” de Anderson transporta os espectadores aos tempos em que gladiadores eram usados para entreter multidões, política já era associada a jogos de interesses e corrupção. Carregado de clichês e personagens estereotipados, e a sua trama? Nela acompanhamos um escravo celta, Milo (Kit Harington) um hábil gladiador que chamou a atenção de Cassia (Emily Browning), filha do governador de Pompeia que também é vista com interesse por tirano senador romano (Kiefer Sutherland). Assim, enquanto Pompeia desmorona, Milo corre contra o tempo para salvar a vida de sua amada ao mesmo tempo em que busca sua vingança contra o senador romano que no passado assassinou sua família.


Pompeia” é um filme de uma ideia só. Além dos espetáculos visuais flamejantes naturalmente esperados pela tragédia há pelo menos para mim há um aspecto curioso que reside nas imagens criadas por Anderson: os habitantes petrificados pela lava do vulcão (imagens essas que foram inseridas na introdução acompanhada pelos créditos iniciais). Petrificados, alguns moradores permanecem até hoje visíveis como esculturas de pedra carbonizadas com as mais variadas reações imprimidas e preservadas apesar do tempo (pessoas deitadas nas ruas demostrando fuga, pessoas abraçadas que buscam proteção ou deitadas no que poderiam ser seus leitos de repouso transparecendo conformismo ou desaviso). Essas esculturas humanas são visitadas por turistas do mundo todo. No desfecho, um pouco dessa dramaticidade também é inteligentemente aplicada com sutileza em uma Pompeia de arquitetura romana inflacionada. Um pequeno estalo de genialidade que conecta o passado com o presente que se ofusca diante das proporções épicas que a cidade ganhou sob a responsabilidade de seu realizador. Inclusive tudo em “Pompeia” inspira exagero voltado para acomodar incessantes correrias aventurescas e uma ação que talvez seja o aspecto de maior valor a essa produção. Em meio a um amontoado de equívocos, iniciado desde o roteiro, “Pompeia” não sabe dizer no final das contas por que veio a ser materializado. Será que era realmente necessário que essa produção viesse a existir? Acho que não. Mas certamente dentro de alguns anos será esquecido mesmo, ao contrário da milenar tragédia de Pompeia.

Nota: 5/10
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