terça-feira, 6 de maio de 2014

Crítica: A Perseguição | Um Filme de Joe Carnahan (2011)


Num descontraído retorno para casa após meses trabalhando em um posto de extração de petróleo no Alasca, um grupo de operários de uma empresa petrolífera sofre um acidente aéreo que os deixam isolados nas montanhas. Além da hostilidade climática da gélida região, do despreparo dos sobreviventes e da eminente escassez de comida que está por vir, os operários são surpreendidos por constantes ataques de lobos de habitam a região. Entre o impasse de esperar o resgate ou encontrar ajuda em uma ameaçadora jornada, Ottway (Liam Neeson) lidera os poucos sobreviventes que ainda restam pelas montanhas para conseguir fugir da ameaça dos lobos. “A Perseguição” (The Grey, 2011) é um thriller de suspense dirigido por Joe Carnahan, responsável pelos exageradosEsquadrão Classe Ae peloA Última Cartada 1 e 2. Se o uso descontrolado da artificialidade marcou grande parte de sua filmografia, através de “A Perseguição” ele encontrou o tom certo para gerar um filme que atenda as expectativas dos tempos de “Narc”; mostrando toda sua capacidade de realização com poucos recursos a mão. Distante de ser um filme de ação como nos quais seu protagonista, Liam Neeson está cada vez mais envolvido em sua carreira, essa produção também não se resume a apenas mais um filme de sobrevivência focada no confronto homem versus natureza como dezenas de produções do gênero. “A Perseguição” tem um curioso equilíbrio dinâmico bem climatizado por recursos nada artificiais. Bem estrelado pelo astro e conduzido de forma competente, Joe Carnahan mostra curiosamente que é capaz de fazer mais com menos.

O cenário natural composto por montanhas geladas e um fascinante protagonista são os elementos iniciais desse grande filme. “A Perseguição” é um conjunto de muitos outros elementos muito bem elaborados, que vão do roteiro do próprio Carnahan num trabalho conjunto com Ian MacKenzie Jeffers, à direção de fotografia de Masanobu Takayanagi que retrata com perfeição o inóspito território em que os personagens se encontram. Bem ambientado (o filme foi rodado nas montanhas do Canadá), angustiante e tenso como um bom suspense deve ser, o espectador acompanha uma surpreendente busca pela sobrevivência, além de inesperados momentos de reflexão que é uma ótima sacada do roteiro. Diálogos e situações projetadas que despertam emoções no público aliviando a tensão extrema das circunstâncias, mas que não diminuem o envolvimento do espectador com o desenvolvimento da ação. Ação essa que surge ou não, da aparição dos predadores famintos mostrados com descrição e de forma pontual. Se Joe Carnahan acerta na configuração de sua trama e principalmente na condução dela (embora o desfecho gere discussões e dúvidas), seu maior acerto é a parceria com Liam Neeson, um experiente e talentoso ator que cada vez mais tem angariado novos fãs através de papéis que requerem um desempenho físico extenuante (Neeson não deixa a desejar em nada em comparação a atores mais jovens e dispostos fisicamente). Embora todo elenco de apoio (Frank Grillo, Dermot Mulroney, Dallas Roberts, Joe Anderson entre outros) funcione de acordo como preciso, nenhum deles consegue rivalizar com o astro de modo expressivo. Sobretudo, “A Perseguição” é um fascinante duelo entre o homem e as forças da natureza, onde a busca pela sobrevivência não é apenas um teste de superação, mas uma prova de vida ou morte. E considerando os filmes anteriores de Joe Carnahan, ele também pode sobreviver ao se afastar da selva de Hollywood.

Nota:  8,0/10

2 comentários:

  1. É um bom filme que pode fazer o diretor Joe Carnahan seguir um novo caminho na carreira. Seu início promissos em "Narc" parecia ser fogo de palha após os fracassos seguintes, mas ao que parece nem tudo está perdido.

    Vamos esperar o próximo trabalho do sujeito.

    Abraço

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    1. Também fiquei ansioso pelos próximos trabalhos desse diretor. Um ótimo filme!

      abraço

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