sábado, 3 de maio de 2014

Crítica: Fale com Ela | Um Filme de Pedro Almodóvar (2002)


Benigno (Javier Cámara) é um enfermeiro que mora em frente a uma academia de balé na cidade de Madri. Benigno frequentemente observa da janela de sua casa as aulas que ocorrem na academia, onde sua atenção é direcionada a uma das aulas em especial. Sem nunca ter falado com essa aluna, Alicia Roncero (Leonor Watling) ele alimenta uma paixão platônica pela moça. Certo dia o destino leva Alicia a se envolver em um acidente de automóvel que a deixa em coma, fazendo com que Benigno por obra do destino também passe a cuidar dela no hospital numa mistura de fé por sua melhora e amor. Em paralelo ele acaba conhecendo Marco (Darío Grandinetti) um jornalista que zela pelo futuro de sua recém-namorada, Lydia González (Rosário Flores) uma famosa torreira que sofreu um acidente durante uma tourada que também a levou a ficar em coma. Por meio das tragédias que abateram essas mulheres, surge uma amizade na qual sem poderem fazer nada efetivamente para melhora delas, apenas falam com elas. “Fale com Ela” (Hable con Ella, 2002) é um filme dramático espanhol escrito e dirigido por Pedro Almodóvar (realizador de “Tudo Sobre Minha Mãe, premiado com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro). “Fale com Ela” aborda temas arrebatadores que mostram ao espectador a visão autoral do cineasta sobre o amor incondicional, estupro e além de alguns aspectos interessantes sobre estranhos relacionamentos entre homens e mulheres (até mesmo quando as mulheres estão inconscientes no fundo de uma cama de hospital).

As mulheres sempre foram o grande foco do trabalho de Almodóvar. Basta o espectador ver com cuidado a filmografia do cineasta para constatar esse curioso e fascinante foco. Em “Fale com Ela”, mesmo não sendo elas as grandes intérpretes dessa produção, Rosário Flores e Leonor Watling são ainda assim o grande destaque, já que toda trama criada pelo espanhol gira em volta de suas personagens. Sobretudo, os personagens masculinos interpretados por Javier Cámara e Darío Grandinetti, com suas histórias e particularidades são os que sustentam o desdobramento da trama de Pedro Almodóvar. Com uma abordagem mais contida, visualmente menos gritante do que em seus trabalhos anteriores, essa produção tem sim em sua essência as características do autor, ainda que diferente do que se esperava do cineasta na época. Tem uma história intensa, que aborda temas fortes que são contados de modo fluente. Pedro Almodóvar esbanja capacidade ao contar essa história de modo sensível e com profundidade, mostrando porque ele é um dos mais influentes cineastas espanhóis contemporâneos. Resumidamente, “Fale com Ela” não é um dos melhores filmes do cineasta, mas é um dos seus filmes mais comportados em termos de estética; estética essa que inclusive supera o seu próprio texto, já que a história em si contada em uma simples sinopse, como seus personagens também demonstram ter um evidente amadurecimento. Trata-se de um bom filme imprescindível de sua filmografia, embora não seja o de maior destaque.

Nota: 7/10
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2 comentários:

  1. Lindo, cara. Aquela cena da vagina gigante....
    Mas, para mim, a grande obra prima de Almodóvar (de quem cansei um pouco) é Tudo Sobre Minha Mãe.
    Abraços

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    1. Particularmente concordo com você (ponto) Apesar de que gostei muito de um trabalho mais recente dele (A Pele que Habito), mas muito porque sempre gostei de Banderas desde sempre.

      abraço

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