terça-feira, 8 de abril de 2014

Crítica: Assassinos por Natureza | Um Filme de Oliver Stone (1994)


Mickey Knox (Woody Harrelson) e Mallory Knox (Juliette Lewis) tiveram uma infância conturbada sobrecarregada de traumas de difícil digestão. Ao se uniram pelo descontrolado amor que um sente pelo outro, além do inexplicável gosto pela violência que ambos dividem em suas matanças, esse estranho casal traça um destino polêmico lavrado com sangue. Atravessando a América numa jornada sem um destino certo, o casal deixa um rastro de violentas mortes por onde passa e um conveniente sobrevivente para contar sua chocante história. Rastreados pelo policial Jack Scagnetti (Tom Sizemore), que também não é o total reflexo da lei e da justiça, o casal é elevado ao patamar de celebridades pela imprensa sensacionalista. O repórter Wayne Gale (Robert Downey Jr.) responsável por um programa de televisão chamado American Maniacs os torna verdadeiros ícones a serem reverenciados, que mesmo com uma captura, não impediu que a popularidade de Mickey e Mallory caísse. Enquanto Wayne Gale se esforça de todas as formas para que o espetáculo televisionado não esfrie e baixe a audiência de seu programa, o casal só quer saber de botar fogo no circo da mídia e ver queimar até não sobrar nada. “Assassinos por Natureza” (Natural Born Killers, 1994) é um filme dramático dirigido por Oliver Stone, baseado na história de Quentin Tarantino que tem o argumento do mesmo, além do envolvimento de Oliver Stone, Dave Veloz e Richard Rutowski. Ácido, frenético e perturbador, esse longa-metragem mencionado por muitos como um dos filmes mais violentos do cinema é uma louca inserção fictícia no universo dos seriais killers cujo resultado exagerado e controverso inspira debate entre os espectadores sobre a violência no cinema e seu consequente culto por parte da sociedade.

Extremado nas imagens, Oliver Stone cria uma narrativa exagerada em vários aspectos. Mas apesar dos infinitos excessos distribuídos ao longo dessa produção que torna extremamente acessível à interpretação de sua mensagem principal, mostra também um desenvolvimento coerente com a proposta embutida de criticar um comportamento humano ainda hoje muito comum, onde que a violência (os causadores, suas causas e consequências) consegue despertar fascínio nas pessoas. Com atuações convincentes por parte da dupla de protagonistas, Woody Harrelson e Juliette Lewis esbanjam talento em suas interpretações. Acrescido ainda pelo carisma de Robert Downey Jr., a competência de atores como Tom Sizemore e Tommy Lee Jones, o diretor mostra que fez excelentes escolhas de elenco, embora não tivessem sido as primeiras opções de uma extensa lista (vários atores haviam sido cotados para desempenharem os papéis principais, mas foram substituídos por questões de apelo de público ou se negaram a se envolver no projeto). Apesar de a narrativa lisérgica adotada por Oliver Stone funcionar, pondo a prova o talento do elenco, a estética ritmada que permeia toda duração desse filme desfavorece uma maior profundidade na patologia dos personagens limitando as possibilidades de desenvolvimento do roteiro. Ainda que demonstre um objetivo de mostrar ao público uma mensagem de alerta, a violência descontrolada vai ganhando um demasiado destaque a certa altura do desenvolvimento limitando as possibilidades de estruturar a história de modo mais objetivo e menos delirantemente distrativo. Com uma direção de fotografia marcante que confere um visual alucinante que mescla bem realidade e alucinação, cores marcantes com o preto-e-branco, essa produção ganha ritmo pela delirante edição de imagens.

Entretanto, “Assassinos por Natureza” não é feito somente de imagens, já que a trilha sonora de responsabilidade de Brent Lewis, que enriquece o visual com belíssimas canções (como: “Waiting For The Miracle” de Leonard Cohen ou “You Belong To Me” de Bob Dylan”)  antenadas com a proposta delirante do longa somente enriquece sua narrativa. Com uma dose de humor negro que gera boas passagens e muitas referências icônicas (a entrevista de Mickey concedida na prisão teve sua inspiração na verídica entrevista de Charles Manson ao repórter Geraldo Rivera), “Assassinos por Natureza” está repleto de curiosidades e fatos de bastidores que fazem dessa produção um filme marcante dentro e fora das telas. Trata-se de uma produção que lhe pode causar reflexão ou repulsa. Por isso sua estrutura diferenciada dos padrões de filmagem convencionais, seu contexto alarmante e sua estética sangrenta é de dividir opiniões. Provavelmente você irá amá-lo ou odiá-lo, isto é certo.

Nota:  8/10
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2 comentários:

  1. Um filme de culto! Woody Harrelson é ótimo em "Assassinos por Natureza". Lembro dos seus papeis iniciais, em comparação com os seus filmes atuais, e vejo muita evolução! Desfrutei muito sua atuação em The Edge of Seventeen Filme Online Mostra personagens com maior seguridade e que enchem de emoções ao expectador. É resultado de uma grande produção e muito bom elenco!

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    1. O caráter de culto de "Assassinos por Natureza", é inegável, mas esse que você está mencionando, eu tenho certeza que não assisti. Fico com a dica! Obrigado.

      abraço

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