sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Crítica: Carrie – A Estranha | Um Filme de Kimberly Peirce (2013)


Em 1976, o cineasta Brian De Palma realizou um clássico do terror inspirado na obra de Stephen King. Mais de trinta e cinco anos depois, a diretora Kimberly Peirce (de Meninos Não Choram, de 1999 e Stop-Loss – A Lei da Guerra, de 2008) pega a consagrada história adequando-a aos novos tempos. E como todo realizador de um remake a diretora encontra várias dificuldades de reimaginar com alguma relevância a história em pleno século 21 de forma que justifique sua realização. Uma tarefa quase impossível, embora “Carrie – A Estranha” (Carrie, 2013) seja uma produção de suspense e terror que em tempos onde medidas contra bullying nas escolas tem ganhado grande destaque na mídia, e massacres em escolas tem habitado cada vez mais os noticiários, o enredo dessa produção tem a seu favor essa sutil conexão com uma realidade perturbadora. E a transposição da história feita por Kimberly Peirce, analisada por esse aspecto, até teria algo a dizer. A ideia original é antiga, mas de fácil encaixe aos tempos atuais. No entanto se em algum momento houve essa pretensão, seu trabalho se perdeu em alguma etapa do desenvolvimento, demonstrando que essa nova versão não tem nada para mostrar que ainda não tenha sido dito. Para começar pela história: Carrie (Chloë Grace Moretz) é uma garota reprimida pela educação de sua mãe, Margaret (Julianne Moore). Ainda que essa relação seja provida de uma espécie incomum de amor, ao mesmo tempo está constantemente assolada por complicações. Para piorar, Carrie que sofre de constantes ataques de bullying na escola de modo passivo, descobre ter poderes telecinéticos, que sobre as condições adequadas são capazes de ser letais.

Se Carrie – A Estranha” tinha boas intenções de apresentar as novas gerações uma versão melhorada do clássico, em quesitos técnicos certamente obteve um considerável sucesso. A aparência da película está indubitavelmente harmoniosa mostrando que as escolhas de profissionais de direção de arte e fotografia foram bem acertadas. Curiosamente a cena onde o sangue lava o corpo de Carrie por inteiro, a forma como foi aplicado segue o método utilizado no filme original mostrando que certas soluções do passado continuam sendo as mais funcionais. Porém, essa produção não se mostra um filme de terror ou de suspense que desperte emoções coerentes com o gênero do qual é oriundo mesmo com o constante tom sombrio adotado. E esse é um dos maiores problemas desse longa. Como também a questão da implementação do argumento, aqui escrito por Lawrence D. Cohen e Roberto Aguirre-Sacasacuja, que constroem as principais personagens (mãe e filha) de modo que soa demasiadamente artificial, mesmo tendo atrizes talentosas que se encaixam esteticamente nos seus papéis. Seguindo o leitorado do longa original em vários aspectos, resta ao espectador conhecedor dos percalços de Carrie esperar a chegada das cenas chaves que autenticam a vingança esperada. Dentre as tantas refilmagens realizadas todos os anos, o trabalho de Kimberly Peirce não é de todo mal apesar de algumas deficiências incômodas. Talvez soe mais ofensivo aos que conhecem a realização de Brian De Palma, ou até mesmo a versão televisionada. Contudo, Carrie – A Estranha” ainda pode ser uma experiencia válida (ao menos que seja adotada como temporária) ao público que desconhece sua origem. Pois essa sim, deve ser considerada imperdível. 

Nota:  6/10     
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8 comentários:

  1. Num assisti nenhum desses filmes mesmo gostando do genero terror/suspense :s

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    1. Assisti a muitos anos atrás a versão de Brian de Palma no extinto "InterCine" exibido nas madrugadas da Rede Globo. Na época não apreciava o gênero tanto quanto hoje. Minha sugestão seria que buscasse encontrar a versão original, contudo vale também uma espiada nesse remake na falta.

      abraço

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  2. Adorei a versão clássica. Essa versão realmente teve boas intenções.....bom elenco. Mas, a meu ver, ficou muito atrás do clássico.

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    1. Em termos de resultado, ficou uma versão visualmente melhorada. E só! Não veio a agregar praticamente nada a história ao repetir a fórmula do sucesso criada a mais de três décadas. Boas intenções com certeza tinha, mas não bastou para cativar principalmente os antigos fãs de Carrie.

      abraço

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  3. Ótima critica. Virei fã do seu blog e do filme Carrie (2013). O filme tem excelentes atuações, mas o destaque vai para Chloë Grace Moretz & Julianne Moore.

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  4. Que bom Anônimo! Seja sempre bem-vindo!

    abraço

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  5. Eu prefiro o de 2013. Não vejo nada de mas no filme de 1976, só a magnifica atuação da nossa querida Sissy Spacek.

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    1. Apesar de que Chloë Grace Moretz também não está ruim em sua interpretação de Carrie. Contudo prefiro o primeiro filme não necessariamente por causa das atuações, mas porque de certo modo a refilmagem não veio acrescentar quase nada ao enredo do Bullying da época. Na verdade seguiu a cartilha de modo fiel ao original sem o menor ganho de tensão.

      abraço

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