quinta-feira, 13 de junho de 2013

Crítica: Zona Verde | Um Filme de Paul Greengrass (2010)


O atentado de 11 de setembro de 2001 gerou inúmeras consequências ao decorrer dos anos.  E uma consequência das mais significativas veio através da invasão do Iraque e deposição de Saddam Hussein do poder. O ano é 2003. Em Bagdá, após a invasão do Iraque pelo governo norte-americano, o subtenente Roy Miller (Matt Damon) age à frente de uma equipe especializada em encontrar armas de destruição em massa. Designado em localizar armas químicas e biológicas supostamente escondidas em território iraquiano, ele começa a desconfiar das reais razões de sua presença nesse cenário após sucessivas operações frustradas. Roy e sua equipe nunca encontravam nada em suas missões, nem ao menos vestígios da existência das tais armas que buscava encontrar. Após várias idas e vindas por território hostil, num país devastado sob um pretexto que aos poucos fica cercado de dúvidas, Roy se depara com um dilema: servir como acessório de uma possível farsa, e ser condizente com os interesses de seus compatriotas, ou tornar-se verdadeiramente relevante no recomeço dessa nação desconfigurada pela guerra. "Zona Verde" (Green Zone, 2010) está longe de ser apenas um mero filme de ação. Funciona nesse gênero também, mas seus moldes de produção de foco político tem maior destaque, agindo como um alerta para certas nuances em volta de ações políticas americanas que tem repercussão global. A tal "Zona Verde" que dá título a essa produção, não passa de um oasis em meio a um Iraque sucumbido pelo terror, onde os manda-chuvas da CIA, do Pentágono articulam suas ações para encontrar as tão famigeradas armas de destruição em massa, sendo que ao seu redor não se tinha água, comida, ou qualquer condição de sobrevivência ao povo iraquiano. 



Nessa produção o diretor Paul Greengrass fez sua terceira parceria com Matt Damon, após dirigir dois episódios da franquia Bourne: "Supremacia Bourne" e "Ultimato Bourne". Inclusive o diretor filmou "Zona Verde" nos mesmos parâmetros em que filmou a consagrada franquia, ora num estilo convencional, em outra, ligeiramente documental, empunhando a câmera na mão com um estilo mais nervoso, mas igualmente funcional como na icônica franquia. Além de Damon estar no elenco dessa produção, há a presença Greg Kinnear (no papel de chefão do Pentágono) Brendan Gleeson (no papel de agente da CIA) Khalid Abdalla (a oportunidade de Miller de fazer a diferença nessa guerra), entre Jason Isaacs e Igal Naor, todos muito bem ajustados dentro da trama. Enquanto obras como "Guerra ao Terror" (2008) dirigido por Kathryn Bigelow, glamorizava as atividades militares americanas no Oriente Médio, apresentando contornos motivacionais apelativos, o trabalho de Greengrass tem um apelo mais de alerta e denúncia sobre a profundidade dessas mesmas atividades. A produção recapitula acontecimentos ocorridos na época, como os constantes confrontos entre xiitas e sunitas em meio ao caos que se instala no território, como também as eleições para eleger o novo presidente do Iraque. Mas apesar de toda ideologia política e social encrustada no roteiro dessa produção, trata-se inegavelmente de um filme de ação, muito bem focado no papel de Matt Damon, apesar de não estar igualmente carismático como na franquia de espionagem. "Zona Verde" está longe de ser impecável (seu conjunto técnico é pouco expressivo) sendo que a trilha sonora não enfatiza a dramaticidade das imagens e a sonoridade da ação não é coerente com o ritmo. Mas no conjunto, funciona bem como um bom filme de ação com algo mais além tiros e explosões.

Nota: 7/10        

2 comentários:

  1. Gosto do estilo de Greengrass, além dos filmes "Bourne", ele acertou também nos ótimos "Domingo Sangrento" e "Voo United 93".

    Aqui novamente é um bom filme, quase um drama de ação que escancara as mentiras do governo americano.

    Abraço

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    1. "Domingo Sangrento" não vi ainda, mas "Voo United" eu também gostei. Greengrass tem sob sua conduta bons filmes na minha opinião.

      abraço

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