sexta-feira, 31 de maio de 2013

Crítica: Rock`n`Rolla – A Grande Roubada | Um Filme de Guy Ritchie (2008)


"Rock`n`Rolla – A Grande Roubada" (Rock`n`Rolla, 2008) segue a fórmula de sucesso do diretor Guy Ritchie de misturar personagens legais em situações inusitadas, sobre os bastidores do submundo da máfia londrina com estilismo visual embalado por uma trilha sonora bacana. Além de ser o enredo preferido do cineasta, também é nesse gênero no qual que ele mais se destaca. Se essa produção leva no título nacional o termo “roubada”, basta vermos poucos minutos para saber que se trata sim, de uma grande sacada, cheia de estilismos visuais e uma trilha sonora das melhores de sua filmografia. Ritchie leva para essa produção todas as qualidades que o consagraram no cinema, ao mesmo tempo, consegue apresentar seu trabalho mais autoral/comercial desde seu primeiro longa-metragem (Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes), quando ainda era acusado e culpado de copiar o estilo de Quentin Tarantino, embora sua filmografia não se assemelhe à longo prazo com o mesmo. Em “Rock`n`Rolla – A Grande Roubada acompanhamos um bilionário russo, Uri Omovich (Karen Roden) disposto a investir no mercado imobiliário da cidade de Londres, solicita suporte a um velho gângster inglês chamado Lenny Cole (Tom Wilkinson) para ajudá-lo através de seus contatos. O que eles não imaginavam era que One Two (Gerard Butler) e sua gangue intitulada o Bando Selvagem estragariam seus negócios. Coloque na receita uma contadora ambiciosa (Thandie Newton) um roqueiro supostamente morto sendo caçado pelas ruas de Londres por um devoto funcionário da Máfia (Mark Strong), uma pintura roubada de valor inestimável para o temperamental dono, sexo, drogas e muito rock’ roll, e está feita a mistura perfeita de caos e desordem na vida desses personagens.


Se Ritchie não consegue abandonar sua referência do crime organizado como o pano de fundo para suas ágeis histórias, ele inova em abandonar o tão comum tráfico de drogas, assassinatos, jogatina ilegais, elementos ligados frequentemente a esse subgênero, para investir no corrupto e rentável mercado imobiliário londrino – um tema extremamente contemporâneo e distante de ser um clichê batido. Se sua trama demonstra-se demais complicada, devido ao excesso de personagens, ganha pontos pelas carismáticas interpretações e pelo ritmo das aparições desse imenso elenco. A produção tem arrojo visual, que concedeu ao seu autor o termo ritchismos, e musical, com canções bacanas como I`m a Man do Black Strobes, e uma clara inspiração nas mudanças econômicas atuais da economia britânica, como comportamental de sua sociedade. A decisão de inserir um personagem homossexual dentro do contexto da história de forma tão natural, pode ser a desmitificação de certos tabus para o gênero, e um despertador para certas mudanças da atualidade ainda pouco exploradas com bom humor e inteligência. Por fim, "Rock`n`Rolla – A Grande Roubada" é um filme divertido sem pretensões maiores do que entreter – sua violência é performática como um espetáculo de rock. Se o desfecho apressado e inesperado debilita o resultado final, o processo de construção da história – e suas reviravoltas – se apresenta satisfatório para um produto explicitamente de entretenimento. Não tem o brilho de “Snatch – Porcos e Diamantes”, mas dá um show em “Revolver” sem dúvida nenhuma.
   
Nota: 7/10

6 comentários:

  1. Perfeito seu texto....não chega a ser um Snatch, porém, melhor que Revólver.

    Aprecio muito o estilo do diretor, apesar desse não ser tão espetacular como outros trabalhos dele.


    abs

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    1. Particularmente, "Snatch" é insuperável. Mas seu "Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes" foi na época uma grata surpresa. Isso sem contar com a franquia "Sherlock Holmes" ... adoro.

      abraço

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  2. Baixando pela recomendação do site e pelo apego ao Diretor.

    Marcelo, uma sugestão: vc já pensou em retirar o verificador de palavras de seu blog?

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    1. Nos primórdios do blog não havia, mas depois de sucessivas visitas de sites do leste europeu fazendo propaganda adicionei como freio. Depois disso parou. Já pensei em fazer um teste certa vez, mas vejo um crescente numero de blogs o utilizando, o que me causa um certo receio em retirá-lo. Talvez mais para frente, quem sabe?

      abraço Kleiton, e obrigado pela sugestão e por sua nobre visita!

      até mais!

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  3. Ok. Eu tive problemas com isso. Mas deixei para lá. Nem me dava ao trabalho de apagar. Mas parece que o Google aprende rápido e se livra logo daquela atividade ilícita.

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