terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Crítica: Dredd | Um Filme de Pete Travis (2012)


Poucos são os remakes que superam o filme original, e se “Dredd” (Dredd, 2012), realizado por Pete Travis supera o seu antecessor em vários aspectos, muito se deve ao fato de que o filme realizado 1995, e estrelado por Sylvester Stallone, nunca demonstrou ser um competidor de difícil superação. Baseado nos quadrinhos de John Wagner e Carlos Ezquerra, a abordagem adotada nessa produção se apresenta mais fiel as suas origens, apesar dos maniqueísmos da trama roteirizada por Alex Garland sobre a violência descontrolada e as medidas extremadas para conte-la. Na história acompanhamos o lendário Juiz Dredd (Karl Urban), que faz parte de uma tropa de elite futurista que é a combinação de policial, júri e se necessário carrasco. A adesão a esse método de justiça é devido ao fato do nível extremado de violência ter assolado a Mega City Um, uma cidade futurista erguida sobre as ruinas do velho mundo. Dredd é incumbido da tarefa de avaliar a novata Anderson (Olivia Thirlby), uma mutante capaz de ler os pensamentos das pessoas. Em sua primeira missão são chamados a um conjunto habitacional para atender a um chamado envolvendo traficantes de drogas, onde antes de saírem levando em custódia para interrogatório um importante membro do tráfico, Ma-ma (Lena Headey) chefe do território, os aprisionam no prédio e declara guerra contra a dupla de juízes, onde ambos lutam pela sobrevivência enquanto cumprem a lei.


O filme de Pete Travis se supera ao mostrar sua narrativa desprovida de sutilezas, com varias exibições de violência extremadas, como também demonstra audácia de seu realizador ao manter a trama restrita a um único ambiente. Praticamente os 95 minutos de duração do longa se passam no interior do conjunto habitacional dominado pelo narcotráfico. Mas Travis tem consciência de sua escolha narrativa, e não perde a mão na condução da trama, sabendo aproveitar ao máximo as oportunidades que essa premissa oferece, mesmo que sua premissa seja marcada por limitações óbvias. Muito do sucesso dessa produção se deve a boa caracterização dos personagens, dessa vez fiel as suas fontes, bem acentuadas com humor irônico e inquestionável apuro visual, como nas sequências do efeito de uma poderosa droga alucinógena que causa a sensação do tempo parar. O elenco funciona de forma orgânica abrilhantando o resultado. Apesar de todas as qualidades técnicas e superação dos riscos que circundavam “Dredd”, essa produção peca por apenas apresentar a violência como espetáculo, como inevitável e irremediável condição social, e perde a oportunidade de sugerir soluções alternativas para a politica adotada, que obviamente está repleta de falhas e que demonstra incapacidade de reverter o conturbado panorama social de Mega City Um.

Nota: 6,5/10 

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2 comentários:

  1. O intuito do filme não era mostrar uma solução para casos de violência, tá mais para demostrar o dia-a-dia do Juiz Dredd.

    Ah, eu não achei parecido com The raid: Redemption, só a parte do enrendo onde tem policiais invadindo um predio.

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    1. Particularmente é o único defeito incomodo desse filme. Faltou uma busca para solucionar os problemas da criminalidade. Infelizmente ficou sendo apenas um filme/teste de sobrevivência. Mas tem boas cenas e uma proposta bem arriscada que não funcionou. Sua sequência foi engavetada depois do fracasso de crítica e público. Uma pena: Hollywood já fez sequências de filmes muito piores.

      abraço

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