É
fácil descrever a importância desse longa-metragem para os envolvidos nessa produção,
e principalmente para a cultura pop apesar dos anos, quando meramente é mencionada
a palavra “Highlander” em uma
conversa qualquer. A palavra resgata de imediato na memória as lembranças de
uma fita, há muito esquecida desde os meados da década de 80, e que mesmo não citada
como uma obra genial por nenhum crítico que se prese, teve seus status de cult acertado. A fantasia de um
guerreiro imortal que duela com outros iguais a ele, até que apenas por fim,
restasse um, virou obra de culto por parte de uma geração que nem sequer na época
tinha a noção exata do que isso significava na realidade. Para o cineasta Russel
Mulcahy (O Sombra), talvez tenha sido
o seu melhor trabalho. Engrenou vários outros projetos graças ao sucesso
atingido por esse longa. Enquanto para o protagonista, o ator Christopher Lambert,
sem dúvida a interpretação de maior reconhecimento de sua carreira. Contudo,
para os saudosos espectadores, tratava-se do princípio de um sonho místico – a eternidade
– e irremediavelmente instigante que transpassava da película através de uma
trama simples e interessante narrativamente, de um estupendo visual onde o
passado e o presente agiam de maneira fascinante.
A
história do filme “Highlander – O Guerreiro Imortal” (Highlander, 1986), retrata a trajetória de Connor MacLeod (Christopher
Lambert) que no ano de 1536, após ser ferido fatalmente em uma batalha na Escócia,
é dado por morto por sua família e inexplicavelmente ressuscita. Expulso pelo
clã MacLeod, sob a acusação de feitiçaria, Connor passa a vagar pelo mundo sob
a pena de apenas poder morrer se sua cabeça for decepada. Anos mais tarde,
casado com Heather (Roxanne Hardt), é encontrado pelo misterioso Juan Sanchez
Villa-Lobos Ramirez (Sean Connery), e doutrinado na arte do combate com espadas
e no estilo de vida dos imortais, para um confronto inevitável com Kurgan
(Clancy Brown), outro imortal, que onde a vitória reservará ao último imortal remanescente
um prêmio desconhecido.
A
história criada originalmente por Greg Widen, e roteirizada também por Peter
Bellwood em conjunto com Larry Ferguson, foi fruto da inspiração causada pela contemplação
de armaduras medievais do século XVI, onde que Widen imaginava possibilitar a presença
desses guerreiros e suas vestimentas em tempos contemporâneos. Uma ideia
simplista a primeira vista, porém bem realizada por Mulcahy, que obteve um
resultado interessante ao mesclar de forma paralela o passado do personagem com
a presente ação do momento do protagonista, numa montagem eficiente mesmo com
as limitações de um roteiro pouco enriquecedor. Soube sanar as deficiências do
elenco principal com efeitos visuais eficientes, usando o carisma de Sean
Connery de forma medida, e entregando uma fita onde o sabor do filme reside no
enredo e na narrativa pontual da montagem. Belas locações da Escócia e de
Londres acentuam o visual que é embalado por uma trilha sonora de contribuição da
extinta banda Queen com cerca de seis
canções.
Após
o sucesso do filme, gerou-se uma franquia descabida da ideia original, que
apesar da resistência ao tempo foi se afundando em descredito até um completo e
inquestionável fracasso. Além disso, revistas em quadrinhos, séries de TV,
jogos de RPG surgiram oportunamente como forma de angariar lucro de um
personagem, e principalmente de uma ideia a muito exaurida pelos detentores dos
direitos sobre o personagem. Inclusive recentemente confirmou-se um remake do filme
original com Ryan Reynolds como
protagonista, na chance de ressuscitar o personagem da inércia a qual se
encontra.
De fato, “Highlander – O Guerreiro
Imortal” além de seu contexto de eternidade nos contornos da trama, Connor
MacLeod sobrevive apesar do tempo de forma afetuosa na memória dos fãs. E se
depender da indústria do entretenimento, certamente terá muitas oportunidades
de ressuscitar ainda. Porém, independente de quantas vezes esse personagem
possa ressurgir pela conveniência de lucro facilitado, será difícil resgatar toda
a essência que consagrou marcantemente o mais cult dos imortais do cinema de da cultura POP.
Nota: 7,5/10



Nenhum comentário:
Postar um comentário