quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Crítica: Duro de Matar 4.0 | Um Filme de Len Wiseman (2007)



Desde “Duro de Matar – A Vingança” (1995) se passaram doze anos. Doze anos entre o terceiro episódio e o quarto filme de uma das mais famosas franquias de ação que surgiram nos distantes anos 80. E apesar do tempo, o protagonista não perdeu nessa quarta produção o talento de cativar o público e mostrar o porquê, do protagonista John McClane interpretado por Bruce Willis - um policial truculento, temperamental e o mais humano dos heróis da antiga guarda - se tornou um unânime ícone do cinema de ação, ao lado de astros como Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger, Jean Claude Van Dame, entre outros.  E em tempos onde os blockbusters tem tido a criação de suas sequências a toque de caixa, quase que imediatas, o longa “Duro de Matar 4.0” (Live Free or Die Hard, EUA, 2007) é um bom exemplo de que o tempo pode ser o melhor aliado na entrega de um produto filme bacana que consegue aliar adrenalina e humor do jeito que os estúdios creem ser a fórmula perfeita do sucesso do gênero. A história desse longa-metragem acompanha John McClane (Bruce Willis), no meio de um complexo atentado terrorista ao governo dos Estados Unidos da América. No cumprimento de uma simples tarefa de escoltar um hacker nerdiano chamado Matt Farrel (Justin Long), até Washington para um interrogatório após um suspeito ataque virtual aos sistemas de defesa americanos, é surpreendido por um grupo de assassinos que estão decididos a eliminar o tal nerd como queima de arquivo de um plano que poderá levar o país de volta a Idade da Pedra. Assim McClane precisa proteger Farrel do perigo que constantemente o segue, e impedir que um ganancioso terrorista chamado Thomas Gabriel (Timothy Olyphant) também antigo chefe do Departamento de Defesa que virou a casaca, consiga concluir seus ataques cibernéticos. Não demora muito para que McClane se torne inimigo pessoal de Gabriel, e sua filha Lucy (Mary Elizabeth Winstead) refém desse mesmo grupo de criminosos que farão de tudo para impedir que esse intrometido policial não estrague seus planos. Assim Farrel e McClane juntam forças para salvar Lucy do cativeiro e evitar que Gabriel tenha sucesso em sua empreitada.


A fita é o resgate do personagem que se consagrou nos anos 80, quando mesmo sem habilidades extraordinárias ou conhecimentos específicos, conseguia evitar que os vilões se dessem bem no final, apenas tendo como única ferramenta a seu favor sua obstinação em impedir o sucesso dos criminosos. Sem dúvida a persistência do personagem é a chave de seu sucesso, pois diferentemente de outros personagens heroicos, o detetive John McClane ao término de sua batalha sempre apresentou uma aparência física destroçada demonstrando o quanto sofrido foi para alcançar a vitória. Seus percalços sempre foram marcados de penúria extremada. Não há como salvar o dia sem derramar suor e sangue. Apanha feio da lindíssima Maggie Q, do francês acrobata Cyril Raffaelli, mas não perde a piada. Esse é um elemento imprescindível do personagem que se manteve intacto nessa produção sem alteração, e muito menos uma evolução. A regra dos filmes anteriores seguiu-se religiosamente. E se o roteiro de Mark Bomback e Doug Richardson pecou por deixar explícito o formato blockbuster dessa produção sem grandes alterações, que abusa de uma trama pouco plausível como forma de prender a atenção do espectador, o diretor Len Wiseman acertou a mão ao dar um ritmo competente aos exageros da trama, se superando em conciliar humor pontual com cenas de ação de tirar o fôlego como deve ser num bom filme pipoca. Seu domínio técnico da película apresenta-se extremamente aguçado, apesar de que, volto a afirmar que está exagerado, inclusive pelas identificáveis correções em CGI que em certas sequências foram adotadas como solução para as impossíveis cenas, como a que envolve um avião e um caminhão. É emocionante, mas... absurda como poucas na franquia.

Além da compensação técnica que é dada a trama, as atuações, tanto do elenco secundário quanto do principal foram vitais para equilibrar a balança do descredito que assola o enredo. Justin Long consegue uma química com Bruce Willis bem interessante com direito a bons momentos. Como o personagem de Long afirma, Mary Elizabeth Winstead é praticamente o McClane com cabelo. E Timothy Olyphant, apesar de não fazer jus aos antagonistas anteriores da série, cumpre seu papel dentro do possível, já que como ator Olyphant nunca impressionou de verdade dentro de sua filmografia – mais participou de filmes interessantes (Vamos Nessa) do que entregou participações interessantes (Hitman). Isso sem mencionar a curiosa participação de Kevin Smith, como o “Jedi de porão”, num papel que é praticamente a sua persona em vida, ajudando McClane no resgate de sua filha. Por fim, “Duro de Matar 4.0” mostra uma regular qualidade, que mesmo não superando seus antecessores, principalmente o original, resultou num programa divertido e inegavelmente bem realizado. Apesar do tempo, John McClane tem demonstrado com seu comportamento arcaico de resolver problemas, que está atual em plena era digital, agradando como nunca. 

Nota: 7,5/10
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2 comentários:

  1. Gosto muito desse filme, sempre que posso revejo. rs

    É como você disse, não é tão bom quanto os seus antecessores, mas ainda é um filme bem divertido.
    E que venha o quinto. rs

    Abraço.

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    1. Oi Déh!

      É a qualidade que mais aprecio na franquia. É pura diversão.

      Abraço

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