terça-feira, 14 de agosto de 2012

Crítica: Os Indomáveis | Um Filme de James Mangold (2007)



Um western com cara de filme de ação

O título nacional que foi adotado para esse longa, eu julgo ter sido infeliz, pela forma intrigante que esse filme se apresenta. Acho título muito simplista, considerando as proporções da história. Trata-se de um remake de um faroeste de 1957, escrito por Elmore Leonard, também chamado de 3:10 to Yuma (intitulado por aqui como Galante e Sanguinário). O título original, bem ao estilo western anuncia o maior objetivo da trama: a chegada do trem para a cidade de Yuma, exatamente às três e dez da tarde. Por aqui houve a inserção de um título expressivo, provido de valentia, que remete a lembrança irônica de “Os Imperdoáveis”. Mas por mais indomáveis que pudessem ser os personagens, o título original encarna melhor as motivações dos envolvidos na trama sem demagogia. 

A história de "Os Indomáveis(3:10 to Yuma, 2007), acompanha Dan Evans (Christian Bale), um pobre rancheiro à beira da completa falência, manco e que observa aos poucos sua família perdendo o respeito e a admiração por sua pessoa. Após a captura de um temido criminoso chamado Ben Wade (Russel Crowe), é organizado uma diligência para escoltá-lo até a estação de trem de Condention que irá levá-lo a Prisão de Yuma para enforcá-lo. Dan se oferece para integrar o grupo em troca de uma recompensa satisfatória. Assim conseguindo cumprir a missão, ele pode saldar suas dividas ao mesmo tempo em que pode reconquistar o respeito de sua família – principalmente de seu filho mais velho. Porém está tarefa não será fácil, já que todo bando de Ben Wade, agora liderado por Charlie Prince (Ben Foster), fará de tudo a seu alcance para resgatar seu comparsa.


O diretor James Mangold está mais para diretor competente do que para gênio. Apesar de sua filmografia demonstrar que, parcerias passadas geraram sucessos pessoais para os envolvidos, como quando lançou Sylvester Stallone como ator sério depois de sua interpretação em “Cop Land, ou mostrou que Angelina Jolie não era apenas um rosto bonito, depois de “Garota Interrompida”. O diretor, ao usar enquadramentos comuns de filmes de ação, faz um remake ágil e inteligente, com sequências eletrizantes. Aproveita os bem escritos diálogos, com cenas diferentes do que normalmente estamos acostumados em ver nos filmes do gênero. Aproveita ao máximo a paisagem árida do deserto através de uma direção de fotografia soberba, bem aliada com uma trilha sonora de presença elaborada por Marco Beltrami. 

Mas nem toda produção do mundo, substitui o afinado elenco desse longa. Christian Bale, encarna um homem marcado por uma vida sem grandes feitos, que estabelece uma meta suicida para provar ao filho, e a si mesmo, sua nobreza apesar dos fracassos. Enquanto Russel Crowe balanceia perfeitamente a mistura de violência com carisma em sua interpretação de vilão esquemático. E margeando a interpretação dos astros, Ben Foster – que não teve seu nove no cartaz com o devido destaque – é uma das grandes surpresas desse filme, com sua interpretação assustadora de fora da lei. Além do ótimo elenco de apoio pertinente, desempenhado pelo experiente Peter Fonda.


O elenco inicialmente tinha nomes como Tom Cruise e Eric Bana, nos papéis de Dan Evans e Ben Wade, e Kris Kristofferson no papel de Peter Fonda. Isso quando Cruise fazia parte da produção, assim com sua desistência, houve um consenso entre Crowe e Mangold e produtora, em chamar Christian Bale para o papel. 

Apesar de muitas críticas negativas deferidas a esse remake, não há problemas expressivos em sua composição. Infelizmente os melhores faroestes ainda (sempre) serão aqueles feitos antigamente, de preferência por Sergio Leone. Mas "Os Indomáveis", certamente sofre do mesmo mal que assola Bravura Indômita, dirigido pelos irmãos Coen. É difícil agradar um público, fã de western, conhecedor das obras originais, que sente a necessidade compulsiva de fazer comparações, muitas vezes desnecessárias. Particularmente, “Os Indomáveis está perfeito como está, mesmo que não possa chamar James Mangold de gênio, como podemos dizer de Sergio Leone.

Nota: 7,5/10
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2 comentários:

  1. Eu gostei muito deste filme, compre ele por impulso há algum tempo e acabei me surpreendendo de uma forma muito positiva. Acho que isso se deve ao fato de que consegui evitar comparações com filmes clássicos do gênero, o que seria prejudicial como você bem destacou.

    http://sublimeirrealidade.blogspot.com.br/2012/08/pacto-de-sangue.html

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    1. Também comprei esse filme, primeiro pela capa genial. Agora penso em comprar o Bravura Indômita, mas pelo filme mesmo.

      Abraço.

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