sexta-feira, 22 de junho de 2012

Crítica: Hellboy | Um Filme de Guilhermo Del Toro (2004)


Essa adaptação cinematográfica dos quadrinhos de Mike Mignola chamada "Hellboy" (Hellboy, 2004) em uma produção hollywoodiana é uma surpresa por preservar com fidelidade o material original com charme e elegância, ao mesmo tempo em que transpõe todos os elementos necessários para compor um filme surpreendente de visual criativo e harmonia narrativa . Porém não há como um espectador desavisado, não ficar com um pé atrás diante de um longa, cujo protagonista incomum (Hellboy era um personagem pouco conhecido a não ser por fãs de quadrinhos) ganhar crédito com facilidade. A estranheza que causa a ideia de um demônio detetive que serra os próprios chifres para impedir que se cumpra seu destino é bastante ousado e de transposição complexa para a telona. Ousadia essa levada as telas aos dentes por Guilhermo Del Toro (Blade 2), que durante anos travou uma guerra para materializar sua visão fantástica da história que resultou em um sucesso de cinema ( que inclusive gerou uma sequência mais tarde chamada "Hellboy O Exército Dourado"). A história é focada em um demônio bebê que foi encontrado por soldados americanos durante a Segunda Guerra, e é criado por uma agência governamental secreta que combate ameaças sobrenaturais sem o conhecimento do público, mas sob constantes especulações da imprensa. 


"Hellboy" é puro entretenimento. O Hellboy (Ron Perlman) é um personagem de quadrinhos, mas poderia ser bem vendido como astro de filme de ação por sua desenvoltura em tela, ao estilo de um John Mclane à vontade na função de exterminador de aberrações e de personalidade cínica e sarcástica.  E contando com a ajuda do anfíbio Aben Sapien (Doug Jones), uma criatura grotesca e educada de transposição perfeita para os cinemas; Liz Sherman (Selma Blair), uma piro cinética ao qual Hellboy nutre uma paixão; o agente John Myers (Rupert Evans), a visão da normalidade diante do universo fantasioso de Mignola; e o professor e padrasto de Hellboy (John Hurt), o comandante dessa equipe especial; integram o Bureau de Pesquisas e Defesa Paranormal. Com vilões que se alternam entre duas dimensões, comandados pelo mágico Rasputin, a trama se desenvolve sobre o plano de criar um apocalipse na terra utilizando a natureza sombria de Hellboy como ferramenta. Um filme feito à moda antiga, com maquetes e muita maquiagem (Ron Perlman está irreconhecível sob toda a maquiagem) aliando recursos digitais modernos em pequenas doses, dão o tom sinistro necessário ao enredo e fazendo da narrativa adotada por Del Toro perfeita e harmoniosa como só ele poderia fazer. "Hellboy" prova que adaptações de quadrinhos alternativos, podem muito bem serem fiéis as suas origens, comercialmente lucrativas e bacanas ao mesmo tempo.


Nota: 7,5/10
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2 comentários:

  1. É um divertido filme, que misture bem ação e ficção e dá chance do estranho Ron Pearlman ter um papel principal.

    Abraço

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    1. A princípio pensei em escrever sobre a sequência, mas este é bem melhor.

      Abraço

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