terça-feira, 4 de agosto de 2015

Crítica: Inferno Vermelho | Um Filme de Walter Hill (1988)


Ivan Danko (Arnold Schwarzenegger) é um capitão da polícia soviética que traça um audacioso plano para capturar Viktor Rostavilli (Ed O’Ross), um perigoso chefão das drogas russo. Mas seu plano fracassa deixando um rastro de mortos além de permitir que seu alvo fuja da União Soviética com destino para os Estados Unidos. Para surpresa de Danko, que atormentado pelo fracasso da missão que levou o seu parceiro a ser morto, algum tempo depois Viktor é preso em Chicago por um pequeno delito. Num acordo de cooperação entre as nações, ficou decidido que Viktor seria despachado para seu país. Enviado para os Estados Unidos para escolta-lo de volta a Moscou para responder por seus crimes, Viktor consegue escapar da custódia das autoridades e consequentemente desencadear uma inesperada parceria. Danko passa a trabalhar ao lado do descolado Sargento Art Ridzik (James Belushi), parceria essa que resultara numa violenta caçada pelas ruas de Chicago. “Inferno Vermelho” (Red Heat, 1988) é um filme de ação policial oitentista dirigido por Walter Hill. O slogan adotado para a venda dessa produção na época define muito sua essência: “O detetive mais durão de Moscou. O policial mais louco de Chicago. Pior que deixa-los com raiva é torná-los parceiros.” Filmes policiais compostos por duplas inusitadas são muito comuns no cinema estadunidense, embora poucas se mostrem relevantes de forma longínqua e memoráveis de modo inquestionável. Portanto, Schwarzenegger (nome que ainda hoje é capaz de arrastar multidões aos cinemas) e Belushi (ator carismático associado a inúmeros sucessos da década de 80 e 90) a dupla encontra um equilíbrio agradável, apesar das falhas decorrentes de seu tempo.

Certamente que “Inferno Vermelho” não foi à primeira produção estadunidense que une um par de policiais muito diferentes, tampouco foi à última. A fórmula de sucesso (a combinação de ação e comédia) permanece vívida nos estúdios de cinema do mundo todo até hoje e ainda rende bons exemplares de entretenimento fácil aos espectadores. Walter Hill entrega um bom filme proveniente dessa fórmula. Ligeiramente subestimado por fãs desse gênero de cinema, “Inferno Vermelho” lança ao espectador boas passagens de humor apresentadas pelo desempenho de James Belushi, ao mesmo tempo em que apresenta uma boa dose de ação a cargo da presença de Arnold Schwarzenegger. Na verdade, relevando a trama e os personagens clichês, a carência de um apuro técnico mais competente (há uma enorme quantidade de falhas de montagem que causam insatisfação em algumas sequências de ação) a falta de uma direção de Walter Hill mais inspirada como em filmes em que trabalhou com Eddie Murphy (nos filmes “48 Horas” e “48 Horas: Parte II), é na dupla de protagonistas que mora os melhores momentos dessa produção. São em passagens onde se conhecem, dividem lembranças e trocam ideias é que os dois se fazem valer dentro da proposta, e principalmente o tempo do espectador. Embora haja colaborações interessantes no elenco de apoio também, como a presença do próprio criminoso interpretado por Ed O’Ross e sua namorada, Gina Gerson, como a de Pete Boyle. “Inferno Vermelho” não é uma comédia acima de qualquer suspeita, muito menos um filme de ação icônico. De certo modo, sua beleza reside muito mais no prazer nostálgico de uma revisão do que na sua descoberta.  

Nota:  7/10
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2 comentários:

  1. A carreira de Walter Hill é toda voltada para filmes neste estilo, seja policial, ação ou western.

    Ele fez vários legais, mas o grande clássico é "Warriors - Os Selvagens da Noite", um cult absoluto.

    Abraço

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    1. Esse "Warriors - Os Selvagens da Noite" eu ainda não assisti. Fico com a dica!

      abraço

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