sexta-feira, 5 de junho de 2015

Crítica: Controle Absoluto | Um Filme de D. J. Caruso (2008)


Se dependesse do curso natural da vida, Jerry Shaw (Shia Labeouf) e Rachel Holloman (Michelle Monaghan) jamais teriam se conhecido. Mas quando o estranho telefonema feito por uma mulher desconhecida ameaça suas vidas e de suas famílias, a desconhecida voz os envolve em perigosas situações que os une enquanto algo estranhamente grave os cerca. Monitorados e controlados constantemente pela mulher que fez contato com eles, ambos se tornam os fugitivos mais procurados do país e precisam ser muito espertos para descobrirem o do porque de tudo isso. “Controle Absoluto” (Eagle Eye, 2008) é uma produção de ação e suspense dirigida por D.J. Caruso. Inspirado numa ideia de Steven Spielberg (onde um dia as pessoas serão monitoradas 24 horas por dia sem saber) o cineasta passou anos conservando essa ideia em banho-maria até que estivesse no ponto certo de realização. Com o roteiro escrito em conjunto por John Glenn, Travis Wright, Hillary Seitz e Dan McDermott, a ideia foi realizada por D.J. Caruso, tendo como protagonista Shia Labeouf (na época costumeiro colaborador das grandes produções de Spielberg na franquia “Transformers) e Michelle Monaghan, atriz competente e de nome familiar em produções hollywoodianas. Caruso entrega um filme interessante, de ritmo ágil e limitado justamente por suas qualidades: a impossibilidade de tornar crível a ideia em si. Embora realizado corretamente, nesse corre-corre de teorias de conspiração que rondam seu desenvolvimento, o conjunto não agrada de modo diferenciado.

Controle Absoluto” é um quebra-cabeça de aparência complexa, antenado com as possibilidades e que busca um desfecho fantástico a altura de seu desenvolvimento. Entretanto, quando ocorre isso depois de inúmeras reviravoltas em volta do casal de protagonistas e sequências de ação que vão do fantástico ao absurdo, também não surpreende ou fascina o espectador. Ainda que as dicas da essência da proposta dessa produção tenham sido dadas com a devida competência, em pequenas doses e com pouca clareza, o real vilão dessa conturbada jornada pela busca da inocência de Jerry Shaw por crime contra a nação e a salvação da família de Rachel Holloman não mexe com o imaginário do espectador. Sem falar do maniqueísmo das situações que levam a ação, que procura desencadear alguma reflexão em volta das parafernálias que nos cercam diariamente (GPS, celulares, câmeras de monitoramento são o calcanhar de Aquiles da dupla em fuga), onde o roteiro tenta convencer que a vigilância total do cidadão é um mal necessário. Mas no final das contas é um bom filme, com boas intenções e recheado de falhas e principalmente de carências (se no principio a ausência de uma face aterradora causa mistério e fascínio no desenvolvimento, a revelação mostrou-se desinteressante). Produzido com a competência de grandes produções hollywoodianas, conduzido de modo arrojado por D.J. Caruso e ambicioso em sua proposta, “Controle Absoluto” não chega a ser uma perda de tempo. Na verdade ele cumpre o que promete, mas sem a força necessária para causar algum espanto. Entretêm o espectador, mas não causa espanto que seja do jeito que é.

Nota:  6/10  
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