domingo, 24 de maio de 2015

Crítica: Caçadores de Emoções | Um Filme de Kathryn Bigelow (1991)


Johnny Utah (Keanu Reeves) é um agente do FBI disposto a desmantelar uma quadrilha de assalto a banco que tem atuado incessantemente na Califórnia. Trabalhando em parceria com Angelo Pappas (Gary Basey) um experiente policial que possui pistas de que os assaltantes são possivelmente surfistas, Johnny traça um plano de incursão ao mundo do surf para chegar aos supostos criminosos. E no decorrer desse plano, Johnny logo conhece Bodhi (Patrick Swayze), uma popular figura do meio do surf local e um viciado em adrenalina disposto a tudo para viver a vida intensamente. Aos poucos se tornam amigos, e Johnny passa a se familiarizar com a filosofia de seu novo amigo: para viver uma grande aventura, também é preciso se aventurar. Porém, cada vez mais próximo da solução do caso, Johnny é confrontado com os segredos em volta de Bodhi e de seus amigos, como também pelo dilema de cumprir com suas obrigações policiais ou seguir a doutrina radical proferida por esse influente sujeito. “Caçadores de Emoções” (Point Break, 1991) é uma produção de ação estadunidense escrita por W. Peter IIif e dirigida por Kathryn Bigelow. Embora se trate de um filme de 1991, o primeiro sucesso comercial da diretora ainda preserva seus contornos de inovação intactos (o filme faturou cerca de três vezes mais do que custou e aos poucos virou obra de culto por parte de uma boa gama de espectadores). Com cenas de paraquedismo vertiginosas, assaltos à mão armada de resultado vibrante, perseguições carregadas de adrenalina e com belíssimas imagens de surf capturadas pela câmera da diretora, essa produção envelheceu de modo saudável e não fazendo feio diante de outros filmes ícones de ação da década de 90.


Kathryn Bigelow confere a “Caçadores de Emoções” contornos arrojados. Sua trama que exibe vários aspectos do estilo de vida dos surfistas, como a da própria década em que se passa. A tão famigerada quadrilha que num lance de busca por uma intensificação de suas vidas se lançam através da audácia em perigosos roubos a banco, não necessariamente por ganância ou algum status, mas pela adrenalina extremada e a emoção que essa ação confere, a diretora Kathryn Bigelow apresenta uma história bem ambientada com personagens de psicologia de grande riqueza. Com um Keanu Reeves em processo de ascensão de carreira e um Patrick Swayze legitimado por conhecidos sucessos, o filme equilibra bem momentos de ação e dramaticidade com habilidade, além de conseguir ser acrescido por um par romântico onde Lori Petty e Reeves entregam performances de grande química. O trabalho de Bigelow é de uma qualidade técnica impecável, indo do próprio visual ao ritmo do desenvolvimento de um modo fascinante (o filme foi produzido por ninguém menos do que pelo cineasta James Cameron). O fascinante universo esportista cercado de praias e ondas se mescla com as ações contraventoras de forma natural, como as obrigações policiais começam a se tornar um dilema na vida de Johnny Utah pela abordagem fluente do enredo (Keanu Reeves começa hesitar em cumprir com suas obrigações depois que passa a considerar os membros da gangue quase como uma família). “Caçadores de Emoções” não é apenas mais uma produção de ação moderna e bem-feita, carregada de explosão e rebeldia de uma ponta a outra, mas também é a soma de vários elementos bem-sucedidos. O enredo por sua vez, controverso em teoria funciona contra todas as probabilidades, e ainda o observando com o devido cuidado, também podemos ver um filme poderoso de personagens fiéis as suas obstinações.

Nota:  8/10
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5 comentários:

  1. O estilo deles assaltarem me lembra um pouco o estilo usado no começo do Cavaleiro das Trevas (Nolan), não sei se foi referencial, mas pode notar que há certas semelhanças em trejeitos entre o Patrick Swayze com a máscara (Era do Nixon? Não lembro qual presidente era) e o Ledger com a máscara de palhaço (onde já vi por ai que era uma referência ao seriado de 66, onde o César Romero aparecia a primeira vez usando uma máscara de palhaço também). Dizem também que Heart (Fogo Contra Fogo) foi uma das declaradas inspirações do Sr. Nolan na hora de filmar (um filme que eu assisti quase sem chegar ao fim, achei ele muito arrastado, não tão interessantes, até ai parece ser caracteristica do Michael Mann, se eu não me engano, é ele que dirige esse, o ALI também é dele, é bem melhor, mas eu cortaria algumas coisas, tem um outro que ele fez com o Russel Crowe sobre um empresário que trabalhava para uma empresa de cigarros que também tem esse ritmo, "O Informante" se não me engano...

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    1. Mas acabei abrindo "várias abas" no que eu estava dizendo, meu raciocínio que tá ficando hiperativo, enfim, muito bem escrito seu texto, como eu disse antes, eu particularmente não consigo ser tão técnico e preciso ao escrever sobre algo, em "poucas linhas" o sr fez um texto objetivo que serve tanto aos que já assistiram o filme relembrar (como eu, revisto pouco meses atrás, vale acrescentar) como para quem ainda não o viu. A relação entre ambos personagens se torna interessante justamente pela fuga do óbvio (Como faz o Coringa ao queimar a parte dele em TDK), é a emoção que guia o ser humano a não se adequar a rotina e não se sentir impotente frente a morte ou a própria fragilidade que nosso corpo possa a ter, um acidente fatal que ocorra a qualquer hora por exemplo, embora o que eles façam possa aumentar as possibilidades disso--

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    2. A "Gangue dos Ex-Presidentes" deu o que falar! Essas máscaras davam personalidade aos personagens, como um certo charme ao filme em si. Assalto a banco sem máscaras nunca foi tão legal do que com os rostos cobertos. Particularmente sempre vi nesse aspecto um elemento imprescindível nesse gênero. Gosto desse filme e torço pela refilmagem que tem sido especulada para o futuro.
      Obrigado Ozy pela visita e sua contribuição!
      A propósito: Tanto "O Informante", como "Fogo Contra Fogo", são filmes ótimos no que se propõem a ser e representam uma grande fase de seu realizador.

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  2. É um ótimo filme de ação, na minha opinião o melhor da carreira de Patrick Swayze.

    Na época, Kathryn Bigelow era casada com James Cameron e já havia dirigido "Quando Chega a Escuridão" em 1987, um bom filme que misturava ação e terror e que tinha no elenco Bill Paxton, Lance Henriksen e Jenette Goldstein que haviam trabalho com Cameron em "Aliens - O Resgate" no ano anterior.

    Abraço

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    1. Verdade. Particularmente acho esse filme o melhor da carreira de Patrick Swayze, embora ele tenha sido marcado mesmo pelo grande público por "Ghost".

      abraço

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