segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Crítica: Cães de Aluguel | Um Filme de Quentin Tarantino (1992)


Quando um grupo de bandidos decide realizar um assalto a uma joalheria em busca de uma coleção valiosa de diamantes não imaginam que suas vidas irão mudar com esse roubo. Sendo que durante a ação eles são surpreendidos pela policia no local do assalto, fica visível a suspeita de que um dos integrantes é um delator e possivelmente um policial disfarçado na quadrilha. Todos os membros eram completos desconhecidos, se referindo uns aos outros apenas como nomes de cores, o que possibilitava que qualquer um dos membros poderia ser o delator. Numa fuga atrapalhada poucos escapam, e escondidos e acuados pelas autoridades no esconderijo, um refém é levado com eles como garantia de segurança e como uma chave para desvendar a identidade do traidor da quadrilha. “Cães de Aluguel” (Reservoir Dogs, 1992) é um suspense policial estadunidense escrito e dirigido por Quentin Tarantino. Com nomes como Harvey Keitel, Steve Buscemi, Michael Madsen, Tim Roth e Chris Penn no elenco, o cineasta Quentin Tarantino entrega um filme sem atrativos visuais ou reviravoltas estonteantes no roteiro, mas que curiosamente tornou-se um clássico moderno que preparou terreno para o nome do cineasta vir a ser definitivamente gravado na memória de uma geração de espectadores. Se “Pulp Fiction - Tempo de Violência” de 1994 é visto como seu trabalho mais marcante, uma obra cult sem igual, é nessa produção que o cineasta reúne todos os elementos que viriam a ditar ao longo dos anos seguintes a estética de um cinema vanguarda (violência estilizada, referências à cultura pop e narrativa não-linear). O sucesso de seu segundo trabalho levou muitos espectadores a descobrir essa produção independente que demonstrava que seu realizador ainda tinha muito a oferecer a sétima arte.

Embora “Cães de Aluguel” tenha uma história relativamente simples, é nos diálogos afiados e nas atuações impecáveis que reside as maiores qualidades dessa obra. Além do mais, o curioso fato do cineasta não mostrar o tão famigerado assalto chama a atenção. Por questões orçamentarias ou escolha narrativa, esse longa tem vários aspectos que chamam a atenção, isso dentro e fora das telas. Idealizado com um orçamento mínimo, a produção ganhou um gás com o envolvimento de Harvey Keitel como co-produtor e estrela do elenco, possibilitando conferir ao projeto um ar realmente profissional. Objetivo mais do que atingido, já que o filme é constantemente lembrado pela crítica com observações elogiosas e mencionado como uma das brilhantes produções independentes do cinema. Violento ao extremo, recheado com uma série de termos chulos que lhe conferem realismo e diálogos fantásticos proferidos por talentosos atores em situações de tensão de uma atmosfera bem criada pelo cineasta, fazem dessa produção um filme genial. Ainda que seu segundo filme seja lembrado por fãs como seu melhor trabalho, “Cães de Aluguel” tem seu brilho próprio, considerando que se trata do filme de estreia do diretor. Embora seu envolvimento em Hollywood anterior ao reconhecimento que o diretor tem atrás das câmeras pode ser conferido no roteiro de “Amor a Queima Roupa” e “Assassinos por Natureza”, dois filmes de grande impacto, foi com esse filme que Tarantino iniciou sua carreira de sucesso como diretor na indústria cinematográfica.

Nota:  8/10
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6 comentários:

  1. Porra. Falou de um filme que vive sempre vivo em minha memória. Só assisti uma vez, quando adolescente. Foi marcada. Acho bacana uma cena de Comichão e Coçadinha, nos Simpsons, onde remetem à cena clássica da tortura na cadeira, com direito à dancinha e tudo mais.

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    1. A cena de tortura é icônica. Assisti a esse filme em VHS a muitos anos e desde então sempre acompanho o trabalho do cineasta. É um dos meus preferidos.

      abraço

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  2. Eu assisti em uma pré-estréia onde o público não conhecia ainda Tarantino e todos saíram perguntando quem era o sujeito que fez este filmaço.

    Meu preferido ainda é "Pulp Fiction", mas é inegável a força e a originalidade deste "Cães de Aluguel".

    Abraço

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    1. Hugo... sou uma exceção a regra. Sou extremamente criticado por amigos por isso, mas curiosamente meu filme preferido da autoria de Tarantino ainda é "Bastardos Inglórios". Adoro "Pulp Fiction", mas sem saber explicar direito, adoro mesmo é o drama de guerra criado por Tarantino. Diferente de tudo que já vi sobre a Segunda Guerra e incrivelmente diferente do que imaginava que poderia ser antes de assisti-lo. Tenho o DVD e eventualmente o revisito.

      abraço

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  3. Esse filme acho muito divertido !!!! Não sei se prefiro esse ou Pulp Fiction entre os filmes do Tarantino, melhor eu dar empate !

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  4. Eu diria que é um empate compreensível meu caro. Sendo que todos os filmes dele tem o seu charme próprio, a sua indecisão é mais que justificável.

    abraço

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