quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Crítica: Autómata | Um Filme de Gabe Ibáñez (2014)


O ano é 2044. Devido a poderosas explosões solares que desencadearam mudanças climáticas irreversíveis, a Terra tornou-se um local inóspito com pequenas localidades habitáveis ilhadas por um deserto radioativo. E os sobreviventes dessa catástrofe, que expostos às dificuldades desse desolador cenário tornaram-se por fim relativamente dependentes de robôs criados de acordo com uma programação que preza priorizar a proteção e uma cega servidão a população. E quando Jacq Vaucan (Antonio Banderas), um agente de seguros que investiga casos onde os robôs violam sua programação inalterável, Vaucan descobre que algo estranho está acontecendo com essas máquinas. Diante de algumas atitudes incomuns desses robôs, Vaucan descobre uma rede de mistérios que se mantem em segredo nos bastidores da empresa em que trabalha e que certos segredos sobre esses robôs irão trazer consequências para o futuro da humanidade. “Autómata” (Automata, 2014) é um drama de ficção cientifica escrito por Gabe Ibáñez, Igor Legaretta e Javier Sanchez Doe. Dirigido pelo espanhol Gabe Ibáñez e estrelado por Antonio Banderas, essa produção tem ao seu modo um enredo ligado às três leis da robótica criadas por Isaac Asimov. Mas ainda que tenha uma base sólida para consolidar sua premissa, o trabalho de Ibáñez não acrescenta muito aos familiarizados com o trabalho do escritor russo ou aos fãs e conhecedores de filmes como “Blade Runner – O Caçador de Androides”, de Ridley Scott e até mesmo “Eu, Robô”, de Alex Proyas. De aparência inspirada, o visual de “Autómata” pode ser infelizmente o único grande trunfo desse longa-metragem que está aquém do esperado.


Embora surjam ocasionalmente comparações do trabalho de Gabe Ibáñez com outros filmes, como nos citados acima, “Autómata” não cai na armadilha de plagiar qualquer influência. Pelo contrário, considerando que essa produção tem a autossuficiência necessária para no máximo surgir como uma sempre bem vinda homenagem, também nunca demonstra capacidade de superar suas inspirações. O trabalho de Ibáñez tem sim o seu charme, visual e narrativo, mas carece de emoções mais intensas e um aprofundamento mais envolvente em volta do tema principal (a revolução das máquinas sobre a ditadura humana), como um desenvolvimento de personagens mais interessante. O roteiro dessa produção segue um enredo previsível em torno do tema principal, armado de um punhado de boas sacadas, mas que não prendem a atenção do espectador com eficiência ao longo de sua duração. Além do mais, o ritmo lento e arrastado típico do cinema europeu prejudica a eficácia das reviravoltas, que ainda por cima são poucas. Se Antonio Banderas se mostra fantástico no papel que desempenha, e Robert Forster uma grata surpresa, a presença de Melanie Griffith como a doutora Drupe se resume a um desperdício de um grande nome do elenco (embora ela empreste a voz a uma importante personagem robotizada), a presença da esposa de Vaucan é uma completa incógnita dentro da trama por sua presença de duvidosa relevância.

A truculência da urbanização da cidade em que Banderas reside, a aridez do deserto que envolve a jornada de redenção do protagonista combinada com uma direção de arte que acentua o futuro distópico dessa produção, mostra de modo fantástico o quanto à Bulgária serve convenientemente ao orçamento mirrado com que Gabe Ibáñez tem que lidar, como os robôs que mais parecem ter saído de uma feira de ciências melhorada combina com as condições desfavoráveis do enredo. Por isso a aparência desse longa, seja pelos elementos técnicos como também artísticos (a direção de fotografia é esplendida), mostram o quanto “Autómata” foi bem cuidado em alguns aspectos. Porém, pode até haver algumas novas ideias em volta do tema em que o trabalho do cineasta toca, mas ainda sim carece de um aprofundamento mais simpático e armado de verdadeiras novidades para escrever que essa produção vai se tornar memorável.

Nota:  6/10
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2 comentários:

  1. Gostei das imagens que vi sobre o filme. Achei Banderas com cara de Ator de verdade.

    Estou com No Limite do Amanhã. Agora vai!

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  2. Achei o trailer muito mais instigante do que o próprio filme em si. Uma pena. Quanto a "No Limite do Amanhã" tenho certeza que vai gostar. Desejo-lhe um bom programa!

    abraço

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