quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Crítica: O Melhor Lance | Um Filme de Giuseppe Tornatore (2013)


Giuseppe Tornatore ficou mundialmente conhecido pelo clássico filme “Cinema Paradiso” (1988). E de lá para cá, pouco fez de notório no cenário internacional do cinema, embora “Malena” (2000), um interessante longa-metragem estrelado pela belíssima Monica Bellucci tenha suas qualidades enraizadas em seu melhor trabalho. Porém, “O Melhor Lance” (La Migliore Offerta, 2013) o mais recente trabalho de Giuseppe Tornatore é estranhamente diferente do que poderia se esperar de seu realizador. Vencedor dos principais prêmios no David di Donatello Awards (uma espécie de Oscar italiano), Giuseppe Tornatore é famoso por conferir uma visão sensível e poética sobre seu trabalho, mas “O Melhor Lance” é em suma desprovido dessas características que tornaram o seu trabalho tão atraente, seja pela temática a qual aborda ou pela estrutura previsível da trama. Em seu desenvolvimento acompanhamos Virgil Oldman (Geoffrey Rush), um renomado leiloeiro e especialista em obras de arte, cujo talento e prestígio somente se equiparam a sua difícil personalidade. Aliando seu conhecimento a sua ganância, ele usa constantemente a figura de Billy Whistler (Donald Sutherland), um pintor anônimo e mal valorizado por seu trabalho para comprar valiosas obras de arte por pechinchas em seus leilões. Contratado por Claire Ibbetson (Sylvia Hoeks) uma jovem atormentada por uma incomum doença de ansiedade extrema (agorafobia), Virgil Oldman prepara-se para leiloar seus bens herdados. Mas durante os preparativos do tão famigerado leilão, o velho rabugento e a jovem doente passam a se envolver emocionalmente com a ajuda de Robert (Jim Sturgess), um habilidoso restaurador de obras de arte mecânicas, muito simpático e popular entre as mulheres. Mas deixando de lado obstáculos e preconceitos, a estranha relação desses personagens no cotidiano de Virgil Oldman terá uma influência surpreendente e inesperada em sua vida.


Entre “Cinema Paradiso” e “O Melhor Lance” há um hiato de 25 anos recheado de outros projetos ligeiramente interessantes que habitam nos mais variados gêneros, mas que como essa produção nem ao menos se igualam a superioridade de seu projeto que conquistou público e crítica no final dos anos 80. Sobretudo, “O Melhor Lance” é uma realização elegante, com toques de mistério e algumas informações curiosas sobre o mundo da arte e outras sobre as nuances que habitam os bastidores de um leilão. Mas trama em si, cujo roteiro também é de responsabilidade de Giuseppe Tornatore peca pela previsibilidade. Ainda que magistralmente interpretada pelo grande nome do elenco, Geoffrey Rush, um ator capaz de conferir toques de brilhantismo ao mais ordinário dos personagens, o desenvolvimento transparece o destino da trama com uma antecipação precoce, restando ao espectador apenas aguardar a forma como os fatos serão apresentados. Tecnicamente o filme é bem realizado (o que até justifica ter conquistado prêmios nas categorias de Melhor Trilha Sonora, Figurino e Design de Produção no David di Donatello Awards), isso decorrente da experiência de seu realizador, já que as transições de tela são serenas e os personagens transitam por locações de grande beleza visual que nem sequer requerem cuidados e requintes cinematográficos. Mas se Giuseppe Tornatore procurou entregar um filme enigmático com toques de mistério policial bem definidos através de “O Melhor Lance”, ele falhou, o resumindo a uma bela obra em aspectos estéticos, mas limitada narrativamente o que causou uma inevitável frustração no espectador que é difícil de ser contida.

Nota: 5,5/10
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