segunda-feira, 28 de julho de 2014

Crítica: O Último Desafio | Um Filme de Kim Jee-Woon (2013)


Os cineastas sul-coreanos têm realizado filmes bem curiosos na terra do Tio Sam nos últimos anos. Veja o terror psicológico dirigido por Chan-wook Park chamado “Segredos de Sangue” (2013), que se mostra uma fantástica realização, mas que infelizmente acabou passou despercebida pelo grande público apesar de ter angariado boas críticas de renomados formadores de opinião. “O Último Desafio” (The Last Stand, 2013), um filme de ação de contornos de faroeste fantasioso dirigido por Kim Jee-Woon é também um caso curioso que deve ser conferido por obrigação. Seja pelo fato de ser a estreia de um sul-coreano de competência comprovada numa produção estadunidense (ele detêm o status de cineasta cult em sua terra por causa de um punhado de filmes geniais) ou pelo retorno de Arnold Schwarzenegger como protagonista de um blockbuster após o afastamento definitivo do meio político (sua participação em “Mercenários” é uma incógnita de tão ligeira que passou). Por isso, O Último Desafio” oferece naturalmente o que se esperaria do velho Schwarz. Agregando alguns diferenciais em torno dos bastidores dessa produção e pelo fato que o filme diverte com um nível de regularidade agradável, temos nessa produção um exercício de técnica e arrojo visual em um enredo forçado. Em sua trama acompanhamos o xerife Ray Owens (Arnold Schwarzenegger) em uma cidade do interior que faz fronteira com o México, unindo forças com outros estranhos moradores para deter um poderoso chefão do tráfico de drogas que ao fugir da prisão espera atravessar a cidade ileso em direção a liberdade no México. Não é preciso dizer que seus planos não correm de acordo como esperado, e esse pacato xerife que aparentemente não poderia oferecer ameaça a ninguém fará toda a diferença como um insuperável obstáculo.


O Último Desafio” tem algumas espertezas interessantes. Adotar um ambiente de velho oeste contemporâneo é uma boa sacada, fugindo do clima de modernidades que marcavam a carreira do astro. Depois a inserção de um elenco de apoio variado que conferem qualidade e irreverência à produção. Os cômicos Luis Guzmán e Johnny Knoxville assumem a difícil responsabilidade de materializar a comédia do longa, enquanto o talentoso Forest Whitaker disponibiliza sua figura como um agente especial que subestima a capacidade de realização do velho xerife. E é claro, o galã Rodrigo Santoro vem a completar o leque de personagens inusitados que brilham em sua duração. Carros fantásticos em perseguições incríveis, tiroteios e grandes explosões são elementos que integram o desenvolvimento desse filme e se tornam mais do que necessários para torna-lo um produto divertido. O diretor Kim Jee-Woon estava seguro do filme que queria entregar, e soube conciliar de modo interessante o que podia com que devia. Arnold Schwarzenegger não tem mais disposição física para sustentar a ação como em outros tempos, e cada personagem que cerca o protagonista (vilão ou mocinho) vem com a função de aliviar o fardo da responsabilidade sobre a expectativa que o espectador deposita em seu retorno ao cinemão. Uma infelicidade é a escolha do título; considerando que se trata do retorno do astro, a palavra “Último” não combina com as pretensões de dar segmento a sua carreira cinematográfica na liderança de uma grande produção Hollywoodiana. Mas em meio à pros e contras que cercam esse longa, O Último Desafio” é divertido, embora seja um passeio no parque comparado ao que o velho Schwarzenegger já encarou no passado.

Nota:  7/10
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