quarta-feira, 18 de junho de 2014

Crítica: Sem Escalas | Um Filme de Jaume Collet-Serra (2014)


Bill Marks (Liam Neeson) está no aeroporto prestes a embarcar em um voo de Nova York a Londres. Ainda no aeroporto passa a receber mensagens de SMS de origem desconhecida, as quais não confere credibilidade até o momento quando, agora em pleno voo sobre o Atlântico, surge uma intrigante ameaça: caso não sejam transferidos US$ 150 milhões para determinada conta bancária, um passageiro será morto a cada 20 minutos. A princípio a ameaça não é levada a sério, porém quando o primeiro assassinato toma forma no avião, Bill passa a tomar a frente de uma investigação em pleno voo para identificar o autor da ameaça e impedir uma tragédia maior. No entanto, quanto mais ele se aproxima de descobrir a identidade do criminoso, mais ele se afunda em um elaborado esquema onde todas as pistas levam todos os passageiros e tripulação a crer que ele pode ser a verdadeira a esse voo. “Sem Escalas” (Non-Stop, 2014) é um thriller de suspense que reacende a parceria do superlativo ator Liam Neeson com o diretor espanhol Jaume Collet-Serra iniciada em “Desconhecido” de 2011. Com uma proposta narrativamente arriscada ao comprimir sua trama ao espaço reduzido de um avião, com uma corrida contra o tempo para ajudar a criar um repertório de obstáculos, Jaume Collet-Serra consegue, logicamente ajudado pelo talento de seu protagonista também, trabalhar os clichês necessários para elaborar uma quantia suficiente de material para prender a atenção do espectador antes da chegada ao destino final.


Realizado de modo inteligente, sobretudo com um toque de elegância notável, o diretor aproveita ao máximo as possibilidades que o espaço oferece. Uma enorme gama de passageiros, e como não tripulantes passam de paisagem a possíveis responsáveis pela a ameaça de forma tensa com direito a boas reviravoltas genialmente orquestradas no tempo certo. É quase impossível que a estratégia adotada pela direção não desperte no espectador uma ansiedade incontrolável de deduzir quem é o propenso terrorista antes da famigerada revelação. Artifício necessário e usado ao extremo para prender a atenção nesse jogo de gato e rato, idealizado pelo roteiro escrito a três mãos (John W. Richardson, Ryan Engle e Christopher Roach). Liam Neeson se mostra uma escolha de protagonista mais do que acertada, transparecendo de forma orgânica seu passado sem apelar para explicações detalhadas, como também justifica suas motivações (lógicas e emocionais) para impedir o sucesso das ameaças com uma presença de tela marcante e muita atitude. Embora o elenco de apoio (Julianne Moore, Michelle Dockery, Corey Stoll, entre outros) colabora para o bom andamento da ação em um formato Whodunit (filmes realizados integralmente em um único ambiente com doses bem niveladas de tensão e mistério). Ainda que a história rume em direção a um desfecho escancarado (acompanhados de efeitos visuais de filmes B para pousar o avião e emoções paternais desnecessárias para nosso protagonista), “Sem Escalas” se mostra um filme previsível e inegavelmente divertido, por mais absurdo que se mostre integralmente.

Nota:  7/10  
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