terça-feira, 17 de junho de 2014

Crítica: Amor Sem Escalas | Um Filme de Jason Reitman (2009)


Ryan Bingham (George Clooney) tem como função profissional demitir pessoas, e fazendo disso uma ciência, ele executa essa tarefa de modo indolor (pelo menos para ele). Solteirão convicto, habituado a viajar pelo país a trabalho, viver em aviões, aeroportos ou em hotéis acabou se tornando um estilo de vida ao qual ele simplesmente adora. Mas quando seu chefe busca uma forma de abatimento de custos com a iniciativa de uma jovem funcionária, Natalie Keener (Anna Kendrick), que desenvolveu um barato sistema de videoconferência que descarta a forma como o trabalho de Ryan é feito, esse estilo de vida é colocado sob ameaça. Sob uma cuidadosa avaliação, o sistema é posto em teste enquanto Ryan e Natalie viajam juntos por todo país. E durante esses testes, Ryan acaba por conhecer Alex Goran (Vera Farmiga), outra executiva que demonstra ter muito em comum com Ryan, criando um inesperado envolvimento que vai contra tudo o que esse experiente solteirão pregava. “Amor Sem Escalas” (Up In The Air, 2009) é uma comédia romântica dirigida por Jason Reitman (realizador de “Obrigado por Fumar” de 2006; “Jovens Adultos” de 2011; entre outros filmes). Essa produção é co-escrita ainda por Reitman em parceria com Sheldon Turner. Se há uma palavra para definir essa produção, essa palavra seria: Oportunismo. Baseado em um romance homônimo de 2001, escrito por Walter Kirn, sua trama fecha com perfeição com o momento econômico em que os Estados Unidos passavam em 2009 (como o restante do mundo também) consequentes da crise de 2008. Estagnação econômica, crescimento da inflação e desemprego. Mas esse terceiro item mencionado é simplesmente apenas mais um dos brilhantes elementos que compõem esse brilhante longa-metragem marcado de humor e muita emoção.


Naturalmente Amor Sem Escalas poderia previsivelmente ser confundido como sendo apenas um simples produto de entretenimento fácil comum em Hollywood. E inclusive ele até flerta com essa expectativa. Mas a sua abordagem distante do lugar comum em que a maioria das comédias românticas habita, aliada a um conjunto de outros elementos bem escolhidos, Reitman faz dessa produção um programa fascinante e divertido. Com papéis escolhidos sob medida para o elenco principal, além da contratação de pessoas recém-desempregadas que interpretam papéis que desempenharam na vida real (o de serem despedidas de suas responsabilidades profissionais), Reitman acerta no tom desse drama ao qual qualquer pessoa pode ser golpeada. Reitman mescla de modo habilidoso a ficção com a realidade, com as emoções que marcam essa situação retratada com simplicidade e sensibilidade. Se George Clooney e Vera Farmiga conferem química e credibilidade ao romance que surge da casualidade e do descompromisso com o modo conservador de viver, Anna Kendrick se destaca imprescindivelmente por protagonizar excelentes passagens nesse filme. Com a ambição de almejar o sucesso profissional em meio a seus dramas pessoais comuns, a atriz equilibra bem as necessidades de seu papel. Aclamado pela crítica especializada, Amor Sem Escalasse mostra uma mistura equilibrada de humor e emoção legítima, curiosamente distante de ser piegas em sua essência, embora esboce isso em sua estrutura muitas vezes ainda que busque um destino diferente ao gênero no qual habita. Autentico em vários quesitos, “Amor Sem Escalas é uma produção que se propõe a expor entre muitas coisas, aspectos da delicada economia na qual vivemos e o quanto sensíveis os indivíduos que integram a sociedade contemporânea podem ser apesar de se esforçarem em mostrar o contrário. Alguns costumes vistos como antiquados se mostram mais do que necessários para se alcançar a tão sonhada felicidade. Uma produção altamente recomendada à espera de ser descoberta, se não ocasionalmente revisitada.  

Nota:  8/10
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