domingo, 9 de fevereiro de 2014

Crítica: Hancock | Um Filme de Peter Berg (2008)


John Hancock (Will Smith) é um desastre descontrolado na forma humana. Com os poderes e a indestrutibilidade de um super-herói, ele é capaz de voar, atravessar paredes, desviar de balas e tem uma força inimaginável, mas suas ações desajeitadas resultantes do consumo excessivo de álcool custam milhões aos cofres da cidade. Praticamente Hancock destrói tudo que toca desencadeando da população revolta onde é visto com desdém. Mas quando o destino dele cruza o caminho do Relações Públicas Ray Embrey (Jason Bateman) ele vê uma grata oportunidade de reabilitar a imagem desfigurada que as pessoas tem de Hancock. Mas sem imaginar, Ray tem uma surpreendente ligação muito mais complexa com a figura incompreendida de Hancock ao conhecer sua esposa Mary Embrey (Charlize Theron). “Hancock” (Hancock, 2008) é uma produção estadunidense de ação e comédia baseado no roteiro original de Vincent Ngo (e não de quadrinhos ou graphic novel nenhuma) que se livra das amarras dos tradicionais filmes de super-heróis. Estrelada por Will Smith e Charlize Theron, a direção ficou a cargo de Peter Berg. Depois de quase 10 anos cozinhando no inferno do desenvolvimento de um grande filme de estúdio, reescrito várias vezes e tendo algumas mudanças de direção em sua trajetória do papel a película, por fim o cineasta Peter Berg entrega uma produção interessante esteticamente, contudo mais competente do que envolvente.

Essa produção foi à primeira incursão de efeitos visuais grandiosos num filme do cineasta. Amparado por grandes nomes da indústria (Akiva Goldsman, Michael Mann e Will Smith) o cineasta obtém através dessa produção uma bem sucedida recepção. Com um faturamento positivo que atendeu as expectativas do estúdio responsável, muito pela presença carismática do astro Will Smith, Peter Berg apresenta um longa de proposta arriscada que até certo ponto convenceu sem questionamentos. Por outro lado, também tem suas deficiências como um típico filme de super-herói padrão. “Hancock” não se aprofunda nas origens do personagem com detalhes, não apresenta um vilão à altura do herói e estabelece uma relação excessivamente artificial entre o personagem título com o da Charlize Theron. Perdido entre a comédia e a ação adrenalinesca que Peter Berg tenta extrair dos recursos técnicos que lhe foram disponibilizados pela produção, sua falta de foco gera mais desgosto do que confere sabor ao filme. Embora haja grandes sacadas bem apresentadas, principalmente em volta do próprio Hancock, à trama em si e como ela se sucede não convence como deveria soando ligeiramente forçada para acomodar os grandes nomes do elenco.

Hancock” é brilhante por querer ser diferente. Um herói alcoólatra com amnésia e cheio de boas intenções, mas sem nenhuma noção de como coloca-las em prática. Em alguns momentos mesmo Hancock consegue ser único, embora a imagem de anti-herói vá se moldado aos poucos para o convencionalismo ao qual em premissa se negava a assumir. Se “Hancock” tivesse assumido uma posição mais hilariante teria sido melhor, ou pelo menos mais refrescante.

Nota: 6/10
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8 comentários:

  1. Olá Marcelo como vai...
    Conheci seu blog a pouco tempo mas sempre que posso estou por aqui dando uma conferida em suas resenhas. Gostei muito do conteúdo e também sa estética, bem clean e super organizado. Já estou seguindo sua página e também já o inclui em meu blogrool.... Quando puder espero sua visita no meu espaço ok! Grande Abraço!

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    1. Desculpe Jefferson! Ando sumido do "Cinema Antigo" de uns tempos para cá. Nada pessoal eu juro, somente atarefado e pouco atencioso com os parceiros. Mas prometo me redimir em breve....

      abraço

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  2. Cara, só por ser um anti-heroi ele foi comparado ao Iron man lá na yankeelandia se fosse mais hilariante ele não teria identidade...

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    1. Comparação interessante.... não havia pensado nisso. Particularmente o Homem de Ferro, sua versão cinematográfica é insuperável e longe de comparações. Para mim, o problema de "Hancock" não está propriamente no personagem, mas em como a trama se desenvolveu a partir do segundo ato. Se começa de forma harmoniosa, engraçada como era apresentada nos trailers, ela passa a ganhar uma carga dramática de transição repentina e forçada para comover (a Charlize simplesmente se transforma da noite para o dia num pesadelo para o personagem) surpreendendo o espectador de modo negativo. Se Will Smith fez cara de confuso com genialidade, eu não me fascinei com sua história pré-amnesia (explica mais poderiam trabalhar com mais esmero essa questão). Dar mais enfase as suas origens divinas que sugere serem oriundas da mitologia grega. Por isso, se me assustei com o segundo ato mais dark e hardcore, me decepcionei com seriedade com que foi levado o terceiro ato até a subida dos créditos.

      abraço

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  3. A premissa é bem legal, mas a partir da metade a trama vira um verdadeira salada russa.

    Poderia render um filme bem melhor.

    Abraço

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    1. Da metade em diante. É justamente o ponto que tentei explicar ao anonimo. Poderia ter ficado bem melhor.

      abraço

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  4. Acho que não era necessario detalhar a sua origem, e penso que isso talvez foi "ocultado" para nos deixar como o personagem principal, confusos e imaginando como essas deidades viviam sem companheiros, além de diminuir a duração do longa. Quanto ao personagem eu achei esquisito tambem essa mudança, mas o filme precisava de um vilão melhor do que o ladrão de bancos.
    Eu gostei da ultima parte, achei que acompanhou o amadurecimento do personagem.

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    1. Putz... aqueles ladrões foram uma péssima escolha de vilões. Trata-se da minha maior bronca em relação aquele filme. Desculpe o trocadilho, mas com certeza foi calcanhar de Aquiles dessa produção.

      abraço

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